• Postado por Tiago

Ontem foi comemorado o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, mas alguns portadores do vírus HIV de Balneário Camboriú não tiveram nada pra comemorar. O laboratório municipal não tem feito o exame pra diagnosticar a carga viral de quem tem a doença. Tem cidadão que tá de cabelo em pé com medo de bater as botas por falta de atendimento.

O exame que está em falta é o das células CD4, que são aquelas do tipo glóbulos brancos, responsáveis por combater as doenças no corpo humano. Dependendo do portador do vírus da Aids, o exame deve ser feito a cada seis meses pra garantir que está tudo dentro dos conformes.

Se a carga viral subir demais e o CD4 baixar, o sujeito pode ficar exposto a tudo quanto é tipo de doença. “Significa o grau de imunidade, de exposição que o cidadão está”, explica o doutor Carlos Manoel Correa da Silva, responsável pelo laboratório de Vigilância Epidemiológica do Itajaí. Conforme o resultado, é definido se o paciente deve tomar o famoso AZT, que é aquele coquetel de medicamentos que estabiliza a situação.

Mas no Balneário, o exame não está sendo realizado e a corretora de imóveis, E.C., 32 anos, tá com medo de passar dessa pra uma melhor. A mulher conta que fez a consulta com o infectologista, que até solicitou o exame, mas tenta fazer o teste pelo município há três meses, só que toda vez que vai ao laboratório dá com os burros n’água. “Faz quase um ano que não faço o exame porque fiz uma viagem. Voltei e agora estou com medo do que pode acontecer”, afirma.

Em defesa do laboratório da Maravilha do Atlântico Sul, a responsável técnica, Deise Alexandra Romeiro, joga a batata quente pra galera da city peixeira. Explica que a coleta do material do paciente é feita no laboratório da rua 990, mas o exame é todo realizado no laboratório microrregional, que tem sede em Itajaí.

Explica que a treta se arrasta por quase três meses pela soma de dois perrengues. Há dois meses o ministério da Saúde teria tido um problema na licitação e ficou um tempão sem mandar os kits pra realizar a coleta para os exames. Agora que o material chegou e o serviço pode voltar a ser feito, o laboratório regional fez uma mudança e teve que suspender o trampo. “A gente está esperando que eles entrem em contato ainda essa semana pra retomar os serviços”, acredita.

Quem confirma a pendenga é o responsável pelo laboratório regional, o doutor Carlos. Ele conta que a mudança começou há uma semana. Saíram da sede da clínica de Orientação e Diagnóstico Municipal (Codim) pra uma salinha própria que fica na frente do colégio Salesiano. “Não é como mudar uma casa. Tem que ser feita a instalação dos aparelhos”, explica. Apesar da treta, garante que os trabalhos serão encerrados esta semana e os exames voltarão a rolar na semana que vem.

Apesar da soma dos dois problemas, o dotô bota panos quentes e garante que nenhum exame ficou sem ser feito. Pra ele, os exames de CD4 não são tão urgentes e os pacientes devem ficar tranquilos. “Não é preciso o do CD4 pra começar a medicação. Na verdade, o que precisamos é de um comprometimento maior do paciente”, lascou em resposta à denunciante.

A assessoria de imprensa da secretaria de Desenvolvimento Regional informou que o laboratório regional atende cerca de 10 municípios da foz do rio Itajaí-açu. Era tocado pelo governo do estado, mas foi transferido pro Itajaí há uns 10 anos, já que a Santa & Bela não dava conta de fazer o serviço direito por lá. O governo da cidade peixeira assumiu a responsa de atender toda a região e em troca receber uma ajuda de custo do governo federal.

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