• Postado por Tiago

“Sou Elaine, mãe da menina de um ano e meio que morreu na segunda-feira dia seis de julho, às 19h, no hospital pequeno Anjo, e faço um desabafo.

Ana Luiza foi levada no hospital na quinta-feira (dia dois) com febre alta, tosse e gemência. A médica encaminhou e disse que poderíamosa levá-la para casa, pois era apenas um começo de pneumonia e não havia necessidade de interná-la.

Questionei se não poderia ser a nova gripe e a médica disse que poderia descartar essa hipótese, pois a gripe A não estava dando em crianças. A médica receitou clavullin e a mandou embora.

No dia seguinte três de julho, Ana Luiza foi levada novamente ao pequeno anjo e a mesma médica que a atendeu no dia anterior mandou interná-la. Já internada, fizeram uma nebulização e ela começou a passar mal. Às 21h do mesmo dia foi levada para UTI com muita tosse, gemência e dificuldade de respirar.

Foram feito vários tipos de exames e os médicos não conseguiam descobrir qual o tipo de bactéria que a menina pegou pois a evolução foi muito rápida. Ana Luiza piorou muito. Estava em coma induzido para não sofrer muito. No sábado, a menina foi entubada pois não conseguia mais respirar por conta própria.

Nós conversamos com o médico de plantão e falamos da possibilidade de ser a gripe A. Ele disse que poderíamos descartar essa idéia, pois a menina não teve contato com pessoas do exterior. Desesperados com a situação da menina, perguntamos pro médico se havia a possibilidade de transferí-la para um hospital com mais recursos e o médico afirmou que tudo estava sendo feito por ela.

O quadro de Ana Luiza estava se agravando a cada hora. Na segunda-feira, dia 06/07, dia em que morreu às 14h, conversamos novamente com os médicos, pois a menina estava sangrando pelos olhos, boca, nariz, ouvido e órgão internos. Os médicos alegaram que era uma bactéria (pneumococos). Em nenhum momento foi feito o exame da gripe A.

Acho muito estranho, pois nas visitas, todos os dias, Ana Luiza estava na UTI em contato com as outras crianças. E somente às 17 horas do dia em que faleceu ela foi totalmente isolada, e os médicos alegaram que era para ela não pegar outros tipo de bactérias. Ana Luiza faleceu no mesmo dia, depois de três paradas cardíacas. No óbito, o médico colocou múltipla falência dos órgãos, pneumonia e choque refratário.

Ana Luiza era muito esperta. Nosso sonho. Ela nos deu muita alegria. Agora só restou saudade e as lembranças de alegria. Pretendo fazer justiça por causa da morte da minha filha, pois não houve procedimento correto. Estou indignada, pois perdi minha filha por negligência médica. Tenho todos os laudos e não consta que foi feito o exame da gripe A.

Dois dias após a morte da minha filha, fui ao hospital Pequeno Anjo e todas estavam usando máscara. A secretaria da saúde nos procurou para fazermos o exame da gripe A.

Isso prova cada vez mais que Ana Luiza foi o primeiro caso da gripe A em Itajaí e por negligência médica o hospital Pequeno Anjo como sempre abafou o caso.”

Ass: Elaine Cristina Mendonça

(Transcrito ipsis litteris)

  •  

Deixe uma Resposta