• Postado por Tiago

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Culto a santos fomentou construções de templos e capelas nos séculos 19 e 20, que viraram monumentos sagrados

O ano de 1875 foi um marco pra colonização de Santa Catarina. Foi neste ano que chegaram ao estado as primeiras levas de imigrantes italianos, que trouxeram na bagagem, além dos hábitos alimentares e idioma, uma fervorosa fé nos santos da igreja católica. Austríacos de língua italiana e alemães da Baviera, que também professam a fé católica, contribuiram com a devoção a santos particulares. O resultado disso foi a proliferação de igrejas, capelas e grutinhas por todo o Vale do Itajaí, que se tornaram locais de peregrinação, reforçando, inclusive, o caixa de pequenos municípios.

Uma das maiores responsáveis por este incremento foi uma imigrante de Trento, na Itália, chamada Amábile Lúcia Visintainer. Ela veio com nove anos pro Brasil com seus pais, que se fixaram num pequeno vilarejo batizado de Nova Trento. Em 1890, com uma amiga que também ajudava na paróquia da capela de Vígolo, Amábile criou a congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Começava aí a trajetória religiosa de Madre Paulina, que foi canonizada por João Paulo 2º em 19 de maio do ano de 2002.

Na cidade onde passou boa parte da vida, existe hoje um complexo turístico-religioso, considerado o segundo maior do Brasil. O Santuário Santa Paulina é um parque ecológico, com muitas flores, plantas, cachoeiras, animais, pássaros e trilhas, mas também com infraestrutura pra atender bem o turista, como restaurantes, lojas e hotéis. A congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição também tem o seu: o mosteiro Park Hotel.

E para relembrar os momentos mais marcantes de sua passagem por Nova Trento, os religiosos recriaram cenários, como a passagem em que ela cuidou de uma doente de câncer em fase terminal, num pequeno casebre. Lá também estão documentos do nascimento, batismo, crisma e a certidão de casamento dos pais. Os trabalhos pra fazer de Nova Trento um verdadeiro parque temático começou às vésperas de sua beatificação. Em 1990 foi erguido um monumento com a imagem de Paulina, e na subida da colina foram colocados painéis pintados em azulejos, contando sua vida. As peregrinações começaram em 1991, quando ela foi beatificada. A principal peregrinação sai de Itajaí em maio. É uma caminhada de dois dias e junta quase duas mil pessoas.

Em dezembro de 1995 foi inaugurado o cenário que conta a vida de Madre Paulina. Um calvário, com estátuas em tamanho natural e as 15 estações da via sacra, foi erguido no local onde hoje se encontra o santuário Santa Paulina. Com a ordem de construir um novo santuário, foi preciso transferir o monumento em 2007. Já a casa do Colono, construída em 2000, resgatou os costumes dos primeiros colonizadores.

Antes do santuário de Madre Paulina, os devotos de Nova Trento cultuavam N.S. de Lourdes. Entre 1876 a 1879, foi construído, em Vígolo, a capela de São Jorge, mas, antes mesmo de concluir a obra, os moradores já planejaram a construção de outra igreja. Em 1888, chegou da França uma imagem de N.S. de Lourdes. Em outubro de 1991, foi colocada a imagem de Madre Paulina. Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo de Florianópolis, transformou a igreja de Vígolo em Santuário Madre Paulina em 9 de julho de 1998, até que fosse construído o novo santuário.

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