• Postado por Tiago

Prefeito de Itajaí diz que não pensa em reeleição, e quer pendurar as chuteiras em 2012

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Bellini já pensa em abandonar a Belinilândia

2009 não foi um dos melhores anos da história de Itajaí. As enchentes de novembro do ano anterior acabaram com as ruas e a auto-estima do povão, além de destruir o porto, o principal motor da economia da cidade. O prefeito Jandir Bellini (PP) falou ao DIARINHO sobre as maiores dificuldades que encontrou na reconstrução de Itajaí, sobre seus planos para o futuro e como será o final de seu mandato, que pode ser o último de Bellini na vida pública.

DIARINHO ? Como o senhor avalia o ano de 2009?

Jandir – Apesar das dificuldades que nós enfrentamos, acho que foi um ano positivo, que nos proporcionou recuperar a cidade da tragédia que aconteceu no final do ano passado, e nos dá boas perspectivas para 2010. Nós lamentamos o atraso na recuperação do nosso porto, que é a mola mestra da nossa economia, e isso acaba refletindo em toda a sociedade, mas agora o ritmo das obras está acelerado, e segundo o consórcio que está realizando as obras, tudo deve estar concluído entre o final de abril e o início de maio. O que importa é que teremos um porto mais competitivo do que ele era antes, porque recebeu equipamentos modernos e terá um canal de acesso maior. O próprio complexo portuário de Itajaí fará com que todos aqueles serviços que estão ligados à atividade tenham um bom movimento, e isto nos dá esta certeza de que 2010 será positivo.

DIARINHO ? Qual foi a maior dificuldade encontrada neste primeiro ano de governo?

Jandir – Financeira, com dinheiro você faz tudo com facilidade. Sem recursos, tivemos que priorizar a recuperação da cidade. As ruas estavam todas esburacadas, então tivemos que fazer o desassoriamento, e consertar cada buraco das ruas. Ficamos desde janeiro até este mês com cinco equipes tapando buracos. Não teve uma rua de Itajaí que não teve que ser consertada. Ao mesmo tempo, 20 escolas do ensino fundamental, 27 da pré escola e oito unidades de saúde foram atingidas, e precisaram de novos móveis, equipamentos, os laboratórios, as cozinhas, tudo isso precisou de investimento. Até este momento, o ano de 2009, o município não recebeu um centavo sequer da união ou do estado. Recebemos apenas R$700 mil para comprar um terreno para construir casas para os desalojados. Dos recursos parar recuperar escolas, creches, as ruas, não recebemos um centavo. Tudo que realizamos foi com recursos próprios.

DIARINHO – Onde você acredita que faltou investimento?

Jandir – Na saúde, na educação, que era nossa prioridade, e no sistema viário. Faltou investir em segurança pública, onde temos o projeto de criar a guarda municipal armada, além da construção das casas dos policiais junto das escolas. O município ofertaria gratuitamente casas para os policiais, que viriam para Itajaí, e em troca disso, eles se integrariam ao sistema de segurança da cidade. O fato das moradias serem próximas as escolas iria inibir a presença dos traficantes de drogas e criminosos nas proximidades, até quem sabe com a instalação de câmeras de vigilância. No sistema viário, temos que continuar as obras da Via Portuária. Já está tudo acordado, o governo federal assumiu a responsabilidade de tocar a obra, já que o porto é de interesse federal, é a ligação do porto com a BR-101, onde o país escoa sua produção para outros países. O DNIT já contratou o exército para a conclusão das obras. Esta obra é muito importante para a cidade.

DIARINHO – Este é o seu terceiro mandato como prefeito de Itajaí. Se o senhor tivesse que fazer um pódio, este primeiro ano deste mandato estaria em que lugar?

Jandir – Se fosse um pódio negativo, este ganharia. Foi sem dúvida o pior primeiro ano de mandato. Foi pior inclusive do que o meu primeiro mandato, em 1997, quando eu não tinha experiência na administração pública, não tivemos transição, quando recebemos os documentos do município em uma caixa toda rasgada, mas era outra situação. A cidade não tinha sofrido uma enchente, mas tinha uma estrutura compatível com as suas necessidades, mas a receita vinha numa crescente. Já neste ano, além de não termos transição, nós assumimos um orçamento elaborado em cima de uma estrutura que estava totalmente equivocada. Eu coloquei esta posição para o ex-prefeito no final de 2008, quando a seu pedido, encaminhei esta nova estrutura para a Câmara de Vereadores. Hoje ele alega que esta estrutura administrativa que ele tinha foi votada no meu governo, e é verdade, mas a pedido dele, se ele lembrar a verdade. Quase 50% do orçamento estava destinado a uma secretaria (de governo) que no meu governo não existe. No meu governo existe a secretaria de Planejamento, de Administração, cada uma delas fazendo a sua parte. Cada um tem seu jeito de administrar, e o dele era totalmente equivocado. Além do mais, nossa receita caiu cerca de R$70 milhões, imagina o que não dá para construir com isso? Tudo isso fez com que este ano fosse de desafios, de recuperar a cidade e a auto-estima dos itajaienses.

DIARINHO – Se houvesse outra tragédia climática como a do ano passado, Itajaí estaria preparada para melhor atender as vítimas e para se reconstruir?

Jandir – Eu acho que sim, principalmente na prevenção. É lógico que uma catástrofe daquelas não tem como evitar, mas em termos de orientação, de uma defesa civil estruturada estamos bem. Itajaí está sendo convidada até para ser modelo na implantação de defesas civis em outros estados. Estas informações que temos hoje faz com que a situação seja menos complicada do que foi em 2008.

DIARINHO ? O senhor está no seu terceiro mandato como prefeito. Como planeja seu futuro político? Quer a reeleição na prefeitura ou quer voltar para o legislativo?

Jandir ? Eu tenho o compromisso de concluir este mandato, e meu desejo pessoal é, depois disso, parar. Sei que é difícil, porque muita gente vai dizer que eu já falei isso antes, mas os fatos fazem que a gente mude totalmente de opinião. Quando eu entreguei a prefeitura, em dezembro de 2004, eu saí do Paço Municipal agradecendo a Deus, e dizendo para a minha esposa que saía de cabeça erguida e a consciência tranqüila do dever cumprido, e que iria cuidar da minha vida. Depois, os fatos me criaram um desafio, e eu tive que retornar. Espero que em 2012 eu não tenha nenhum desafio pela frente. Se depender de mim, este será meu ultimo mandato na vida pública.

DIARINHO ? Se você tivesse que dar uma nota ao seu primeiro ano de mandato, qual seria?

Jandir ? Acho que não tem como responder esta pergunta. Eu prefiro não dar uma nota, quem tem que julgar é a sociedade. Se eu dou uma nota baixa, eu estarei sendo demagogo, quem gosta de nota baixa? Se eu desse uma nota alta, eu estaria sendo otimista, elogiando a minha própria administração. Esta pergunta eu gostaria que a comunidade respondesse ao DIARINHO. [E que nota o senhor acha que dariam?] Se eles dessem uma nota, acho que seria um sete (risos).

?Espero que em 2012 eu não tenha nenhum desafio para frente. Se depender de mim, este será meu último mandato na vida pública?

?Foi, sem dúvida, o pior primeiro ano de mandato. Foi pior inclusive do que o meu primeiro mandato, em 1997, quando eu não tinha experiência na administração pública, quando não tivemos transição, e recebemos os documentos do município em uma caixa toda rasgada, mas era outra situação?.

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