• Postado por Tiago

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA

Não conheço nenhum grande homem que tenha se construído sozinho. Todos, sem exceção, rendem tributo a alguém, seja o pai, a mãe, um mestre, chefe, professor, guia ou guru. O que há por trás é sempre uma grande inspiração, um grande paradigma, alguém que, de alguma forma, ajudou o início da caminhada.

Neste sábado, 22 de agosto, o Brasil relembra os 33 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, de quem, reclamam os biógrafos, Benedito Valadares teria sido o padrinho político.

Nomeado Interventor Federal, em Minas Gerais , Benedito o nomeou Chefe da Casa Civil, em 1934, e, depois, o fez prefeito de Belo Horizonte. Governando a capital mineira, de 1940 a 1945, Juscelino demonstrou todo o seu talento, deixando, dentre muitas outras, uma obra notável: o Parque da Pampulha.

Na verdade, Valadares apenas deu o impulso inicial a JK, pois seu estilo renovador chocava-se com a política paternalista, praticada então, que levara Valadares ao poder autoritário no chamado Estado Novo.

Juscelino distanciou-se daquela prática ao fazer um governo planejado, com metas ousadas que marcaram a industrialização, substituindo as importações; a construção, em tempo recorde, de Brasília; o povoamento do Brasil Central. Mecenas da cultura, deu grande impulso às artes, à música, à arquitetura. Por isso, é, até hoje, considerado o maior presidente que o Brasil teve em todos os tempos.

Seu grande inspirador foi Gustavo Capanema, mineiro da pequenina Pitangui, que, ocupando o Ministério da Educação, de 1934 a 1945, foi o ministro que mais tempo ficou no cargo em toda a história do Brasil!

Foi ele quem, em 1932, então secretário do interior de Minas Gerais e, como tal, comandante da Polícia, convidou Juscelino para ingressar no corpo médico da Força Pública mineira.

Durante seu mandato de prefeito de Belo Horizonte, Gustavo Capanema ocupava o ministério da Educação, cercado por outros ilustres mineiros, como Carlos Drummond de Andrade e Rodrigo Melo Franco.

O prefeito JK havia lançado um concurso arquitetônico para o Cassino da Pampulha, e só apareceram projetos de estilo normando-francês, semelhantes ao do Palácio Quitandinha, de Petrópolis. Ele queria a vanguarda, representada pela obra do franco-suíço Le Corbusier, que impactou o Rio com projeto da sede do Ministério da Educação; ou do judeu-russo, Gregório Warchavchik, um dos fundadores da moderna arquitetura brasileira.

Assim, o jovem Oscar Niemeyer, que havia trabalhado, em companhia de Lucio Costa, com Le Corbusier, naquele projeto, foi chamado por JK, para fazer a Pampulha.

Gustavo Capanema, com toda razão, afirmou que o presidente Juscelino foi “o maior prefeito do Brasil”. Certamente, boa parte de seu sucesso, como presidente, deveu-se à experiência adquirida na prefeitura.

A vivência diuturna com os problemas reais do dia-a-dia do povo torna-se um poderoso antídoto, que impediu o governador e o presidente JK de esquecer que é no município que a vida é realmente vivida.

Quando fez Brasília, com vistas à interiorização do desenvolvimento, JK tinha o mesmo sentimento que tive ao descentralizar o Governo do Estado.

* Governador do Estado de SC

  •  

Deixe uma Resposta