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Lair Ribeiro: Médico | Diarinho - Diário do Litoral
 
  • 21 nov 2009
  • Postado por Tiago

?Eu cobro cinco mil dólares pra você conversar comigo 20 minutos?

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Lair Ribeiro não tem nenhuma história triste para contar. Filho de um rico fazendeiro do interior de Minas Gerais, começou a ganhar dinheiro com 12 anos dando aula de matemática. Trabalhou no Banco do Brasil, estudou medicina com dinheiro próprio, se mudou para os Estados Unidos, estudou em Harvard, foi executivo de dois dos maiores laboratórios médicos do mundo. Depois de adquirir toda essa bagagem, se tornou palestrante e escritor de livros de auto-ajuda. Especializado em cardiologia, psiquiatria e nutrologia, decidiu ainda muito jovem sua trajetória. Atualmente se autodefine como médico dos médicos e, sem modéstia nenhuma, afirma que no Brasil ninguém tem um currículo igual ao seu. Mesmo com todo o conhecimento, encontrou maneiras de agregar valor à sua formação, usando experiências para criar um diferencial na sua profissão. Com 35 livros publicados, Lair percorre o Brasil e o exterior dando palestras motivacionais. Em recente visita a Balneário Camboriú e região, Lair Ribeiro interrompeu a série de palestras para receber os jornalistas Adão Pinheiro e Martha Kienast e o repórter fotográfico Felipe Vieira Trojan. Aproveita que ele não cobrou nadinha por esta baita aula sobre inteligência emocional.

DIARINHO: O senhor é médico especializado em cardiologia, mas decidiu mudar a sua trajetória profissional. O que o levou a deixar a medicina e se dedicar a palestras e escrever livros de auto-ajuda?

Lair Ribeiro - Eu nunca deixei a medicina. Eu dou aula para médicos até hoje. Eu vou escrever agora 15 livros na área médica. Eu comecei a minha carreira como psiquiatra, não gostei, passei pra cardiologia. Quando eu cheguei em Harvard, eu me deparei com um indivíduo chamado Howard Gardner, que é considerado o médico que desenvolveu o conceito das inteligências múltiplas, e lá o meu interesse na psicologia voltou. Eu comecei a orientar as pessoas, como hobby comecei a dar palestras, e isso foi crescendo. Quando chegou em 1990 eu tinha que decidir, ou fazia profissionalmente as palestras ou continuava na cardiologia. Decidi parar com a cardiologia. Mas a minha atividade médica é muito intensa. Todos os meus pacientes são médicos, eu só trato de médicos. Eu abro congressos mundiais de medicina. Tenho quatro livros na área médica: um sobre a verdade sobre a reposição hormonal, um sobre obesidade, um sobre tabagismo e um sobre câncer de mama.

DIARINHO - Como a sua experiência médica ajuda na orientação das pessoas?

Lair Ribeiro - Como eu fui psiquiatra antes de ser cardiologista, é natural pra mim. Porque o psiquiatra tenta ajudar as pessoas. Eu fiz um trabalho muito grande nessa área. Eu trabalho em 14 países, o Brasil é um deles. Tenho livros publicados em mais de 40 países. Eu tenho um curso de transformação pessoal e profissional e levo as pessoas pra um hotel fazenda. Eu, a minha esposa e uma equipe, em três dias nós transformamos a vida das pessoas. [Transforma em que sentido?] Sentido pessoal e profissional. Você vai lá e lava a sua alma. Você resolve os problemas conscientes e inconscientes com seu pai, com a sua mãe. Você põe a sua vida em dia. Se você tem algum vício, você deixa. Pessoas que têm problemas com drogas e ficaram internadas em clínicas, a família já gastou uma nota e não resolve, vai lá e nunca mais toca em droga. Você tem fobias, não consegue andar de avião, as coisas mais variadas. [Onde fica?] Em Atibaia, a 67 quilômetros de São Paulo.

DIARINHO - Por que optou pela cardiologia já que o senhor começou estudando psiquiatria?

Lair Ribeiro - Eu comecei pela psiquiatria e cuidava de 240 mulheres loucas. Cuidar de 240 mulheres normais já é complicado, você imagina loucas (risos). Eu vi que na psiquiatria, do jeito que eu fazia, dando remédio, não ia adiantar muita coisa. Eu me senti frustrado no processo e como estava no começo de carreira, falei: eu não quero depois, quando tiver 50 anos, dizer que eu queria ter feito outra coisa. Aí resolvi fazer a cardiologia. Quando eu parei de praticar a cardiologia, fui trabalhar nessa área e continuei dentro da medicina. E ano passado resolvi fazer especialização em nutrologia. Fiz um ano de especialização, fiz a prova, passei. Eram 286 candidatos, 38 médicos passaram. Dizem lá que eu tirei em primeiro lugar, eu não vi a classificação porque eles não publicam. Então hoje eu sou cardiologista e nutrólogo. [Mas o senhor não atende em um hospital?] Eu não tenho condições de estar em um hospital, em primeiro lugar porque não teria um hospital que pagasse o meu cachê. Eu dou curso pra médicos. Ele quer aprender a usar hormônios, ele faz um curso comigo. Ele quer aprender sobre anti-envelhecimento, ele faz um curso comigo. Ele quer aprender sobre nutrição, ele faz um curso comigo. Eu estou fazendo 30 dvds agora de medicina, já fiz 15 e faltam mais 15, só pra médicos. O profissional está interessado em mais conhecimentos, assiste o dvd e lá estão as informações que ele está procurando. [Mas o senhor continua clinicando?]. Não. Eu cobro cinco mil dólares pra você conversar comigo durante 20 minutos. Será que um cara com pressão alta vai vir conversar com o Lair Ribeiro e pagar cinco mil dólares? É o seguinte. O cara liga pra mim de Belém do Pará e diz: ?Dr. Lair, eu não voo de avião. O que eu faço?? Eu digo pra pegar um ônibus, vir a São Paulo, trabalhar comigo uma hora, pra no dia seguinte comprar a passagem e voltar voando. ?Quanto é?? Cinco mil dólares. Se você não voltar voando, você não me deve nada e é garantia de vida. Nunca mais você vai ter fobia de avião. Se você tiver, eu trato de graça. Até hoje eu nunca tive um paciente que voltou a ter fobias. Mas se o cara disser: você vai cobrar isso por uma hora? Bom, posso fazer diferente, posso fazer igual aos outros médicos. Porque você não vem no meu consultório uma vez por semana durante seis meses? O preço é o mesmo. O que você prefere? Eu prefiro uma hora só. Por isso que eu cobro cinco mil dólares. Economizo o meu tempo e o seu.

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DIARINHO - O senhor foi diretor médico da Merch Sharp & Dohme e vice-presidente da Novartis, duas maiores indústrias farmacêuticas dos anos 70 do século passado, com sede nos Estados Unidos. O que um brasileiro precisa fazer pra ter uma carreira profissional de sucesso em um país estrangeiro?

Lair Ribeiro - É muito raro, não é fácil. Eu tenho 149 trabalhos científicos publicados em revistas médicas americanas. Acho que além de disposição, inteligência, você tem que ter resistência na musculatura glútea pra sentar o rabo na cadeira e estudar 12 horas por dia. Pouca gente está disposta a fazer. Você mexer com ciência é complicado, tem que estar dedicado. Doze anos da minha vida eu fui escravo da ciência. Apresentando trabalhos em congressos o tempo todo. Eu fui pra melhor universidade do mundo, que é Harvard. Isso é difícil. Eu não conheço nenhum brasileiro que tenha o meu currículo. Isso aconteceu porque foi um presente de Deus. Comecei a dar aula de matemática quando tinha 12 anos. Eu ganhava dinheiro dando aula de matemática. Com 12 anos eu pegava menino de 18, 19 anos, que não iam bem na escola, e os pais me contratavam para dar aula. [Dava aula pelo interesse de estudar?] Não. Por interesse financeiro mesmo. Eu ganhava dinheiro. Era o meu ganha-pão. Quero dizer que comecei muito cedo. [O senhor acha que o brasileiro é preguiçoso?] Não. Acho que não é só o brasileiro. A maioria dos jovens estuda muito pouco. O cara estuda pra passar. É difícil encontrar uma pessoa que esteja disposta a estudar. Eu tinha uma aula de fisiologia renal. Quando eu chegava na aula eu sabia mais que o professor. Se ele deixasse, eu dava aula pra ele. Eu sempre fui na frente. Cada um no seu quadrado, não é isso? Essa parte de estudar era comigo. Eu tirei primeiro lugar em tudo em que eu entrei até hoje. O único lugar onde eu não passei em primeiro lugar foi o vestibular de medicina, fui o segundo. Mas eu fiz os seis anos em primeiro lugar. Eu fui pro Rio de Janeiro tinha 100 candidatos, cinco vagas do Brasil inteiro, tirei em primeiro lugar. Eu fui pra Harvard e tirei em primeiro lugar. Estudar é um dom que eu tenho. Cada um tem o seu dom e esse é o meu. Mas também não quer dizer nada. Tem muita gente aí que é CDF e não faz nada da vida. Estuda, tira 10 e não resolve nada.

DIARINHO - Como identificar os tipos de inteligência?

Lair Ribeiro - Você tem basicamente sete. Verbal, matemática, musical, espacial, corporal, intra e inter-pessoal. Por exemplo, tem pessoa que tem facilidade com as palavras, que tem uma inteligência verbal desenvolvida, que é o caso das mulheres. Uma mulher fala em média 25 mil palavras por dia. Um homem fala em média 12 mil palavras por dia. O homem chega em casa, coloca um pijama e vai olhar a televisão. E a mulher fala: esse cara não fala nada? E ela quer falar. Porque a mulher resolve o problema falando. O homem resolve o problema ruminando. Quando o homem está com um problema ele quer ficar quieto. A mulher quando está com um problema quer falar, desabafar. Por isso que há tanto problema de relacionamento. Tem gente que tem inteligência musical superior. Você deve conhecer gente que é capaz de pegar um instrumento e compor uma música, mas é incapaz de fazer uma raiz quadrada. Essa pessoa tem inteligência musical desenvolvida, mas não tem inteligência matemática. Você conhece um sujeito que é brilhante na matemática e não consegue dar bom dia pro vizinho. O difícil é você equilibrar tudo isso. E todos esses tipos de inteligência podem ser desenvolvidos. Se você não trabalhar eles, eles ficam atrofiados. Você pode desenvolver um deles. [Durante toda a vida?] Durante toda a vida. Claro que uma criança nos primeiros quatro anos, por exemplo, você pode ensinar a ela cinco ou seis idiomas, que ela aprende a falar sem sotaque. Depois que você passou dos 17 anos, e o seu músculo da laringe já desenvolveu, qualquer idioma que você aprender vai falar com sotaque. Você não vê alemão que está morando aqui no Balneário (Camboriú) há 30 anos e fala com sotaque? Porque ele aprendeu a falar o português depois que tinha desenvolvido a laringe. [É possível equilibrar as inteligências?] É possível, mas sempre tem uma predominância. [O que deve ser feito pra conseguir equilibrar?] Primeiro você tem que ver se você quer equilibrar. Eu não recomendo que todo mundo equilibre. O cara fala assim: eu sou um gênio na matemática e quero ficar sozinho no meu mundo. Porque eu devo ensinar comunicação para ele? Ele que fique no mundo dele. Agora o cara que fala assim, eu fui promovido, hoje sou um presidente de empresa e preciso ter jogo de cintura, falar em público, me encontrar com o presidente da República, então tá bom, vem cá que eu vou te ensinar a desenvolver. Nem todo mundo precisa desenvolver.

DIARINHO - Especialistas defendem que a ?inteligência emocional? está sendo, cada vez mais, levada em conta na hora de uma contratação. O que é essa inteligência e que diferencial ela traz pra vida?

Lair Ribeiro - A inteligência emocional é o modo como você lida com você mesmo e o modo como lida com os outros, a sua atitude, a sua integridade, a sua honestidade. Tudo faz parte desse tipo de inteligência. Nós temos a parte interna, que é o você com você. Como é que você se sente em relação ao seu eu interior. Se você pudesse dar uma nota pra você mesmo, quanto seria? Você está avaliando a sua autoestima. Porque o cara pode ser brilhante e não ter confiança no taco. Ele não acredita nele mesmo. Todo mundo acredita nele, menos ele. Então está faltando inteligência emocional pra essa pessoa. E outra coisa, ele tem que ter esse jogo de cintura para administrar as pessoas. Se ele for uma pessoa muito exigente para com ele, e também muito exigente para com os outros, como líder ele vai ter problemas, porque vai ter gente que vai ficar ressentida. Vai dizer: ele não sabe falar com a gente, ele é muito durão. Atitude faz parte da inteligência emocional. Às vezes você tem um excelente funcionário, mas ele é carrancudo, não gosta de papo, você vai conversar e ele está com duas pedras na mão. Oitenta e cinco por cento dos funcionários que são mandados embora não são demitidos por problemas técnicos, são demitidos por problemas de atitude, que é a inteligência emocional.

DIARINHO Como o senhor criou o programa chamado Sintonia?

Lair Ribeiro - Eu morava nos Estados Unidos, fui visitar meus parentes, eu tinha a fazenda em Minas e estava meditando de olhos fechados. De repente, veio uma coisa na minha cabeça: excelência, precessão e sinergia. Um triângulo. E de lá saiu uma coisa que eu chamei de sintonia e mudei o curso a partir dali. Fui desmembrando e montei o curso que é famoso no mundo inteiro. Pra se ter uma ideia, eu faço ele em inglês, português e espanhol. Faço três dias, em três línguas diferentes. Não uso tradutor. Eu alterno essas três línguas, não me pergunte como. Rodo com as três línguas, três dias seguidos, até as duas, três horas da manhã. E se você perguntar como eu faço isso, eu não sei. Mudo de uma língua pra outra, todo mundo fica feliz e de bônus eu aprendo uma língua estrangeira. [Quando o senhor criou o programa?] Há mais de 30 anos. O primeiro Sintonia eu fiz na Austrália. Eu dava o Sintonia na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos, na Suíça. O Brasil nem sabia que o Lair Ribeiro fazia isso. Eu comecei o Sintonia em 1980, fazia como hobby, no final de semana. Fazia em Sidney, Montreal, Nova Iorque, Luzern, na Suíça. Um dia vim falar num congresso brasileiro de cardiologia. Um médico colega meu disse: Lair, porque você não traz esse trabalho pro Brasil? E eu assim: o brasileiro lá está interessado? Ele marcou o curso para 90 dias depois da conversa que tivemos. Eu voltei pros Estados Unidos e 90 dias depois retornei para o primeiro Sintonia, já com a sala cheia. Dentro da sala tinha um diretor de marketing da Golden Cross que me convidou a levar o curso para os funcionários da empresa. Aí comecei a fazer ponte aérea: Nova Iorque ? São Paulo. E isso começou a cansar. Resolvi estabelecer residência no Brasil. Tenho uma casa em New Jersey (Nova Jérsei). Tenho cinco filhos. Três moram nos Estados Unidos, dois moram aqui. Tenho cidadania brasileira e americana. Tenho casa lá e aqui. Fico lá e cá. [Pra quem não sabe, o que é o Sintonia?] É um curso de transformação pessoal e profissional, constituído de 39 horas de trabalho numa sala de aula que começa numa sexta-feira e termina num domingo. Você vai pra lá e quanto você volta pra sua casa não o reconhecem. Você dá uma melhorada tão grande na vida que ninguém sabe quem é você. Você chega na segunda-feira pra trabalhar, sem falar nada, o colega pergunta o que você fez?

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DIARINHO - O senhor tem contato com profissionais de diversas áreas. Quais são as maiores necessidades hoje?

Lair Ribeiro - As pessoas que vêm até mim, independente das áreas, todas estão querendo uma coisa: crescimento. Hoje ? 11 de novembro ? 400 pessoas vão estar lá no Cine Itália porque querem crescer. Se eu for em Barcelona dar um curso, e tiver 400 na sala, todos estão lá com a mesma finalidade: crescimento. A pessoa quer desenvolver, quer evoluir, quer mudar, quer melhorar. Eu nunca encontrei uma pessoa que chegasse e falasse: Dr. Lair, eu vim aqui porque estou ganhando dinheiro demais e quero diminuir isso. Ou a vida está boa demais e eu tenho que estragar um pouco. [O senhor já encontrou uma pessoa depois dos seus cursos?] Eles me encontram nos aeroportos, me mandam e-mail. Eu acho que não existe um dia na minha vida que alguém não chegue perto de mim, falando dos meus cursos. Fui almoçar aqui e tinha dois ou três que vieram na minha mesa. Acho que não tem um dia na minha vida que alguém não diga: graças ao seu livro ou a sua palestra eu mudei a minha vida.

DIARINHO - O que um profissional pode fazer pra aliar realização pessoal e financeira?

Lair Ribeiro ? Ontem ? dia 10 de novembro - eu dei um curso chamado ?Saber viver, pessoalmente, profissionalmente e financeiramente?. Tem uma analogia que eu uso: você vai construir uma casa, você não começa pelas paredes. Começa pelo alicerce. O alicerce é o pessoal. Você não pode ser um bom profissional se você não é uma boa pessoa. Então, primeiro, você tem que fazer a sua parte. Resolver os seus problemas pessoais. O primeiro problema que você tem que resolver é com a sua mãe. Se você tiver qualquer problema com a sua mãe, toda vez que você encontrar uma mulher no mundo, você vai projetar o seu problema. Se você tem problema com o seu pai, todo homem que você encontrar no mundo, você vai projetar o problema do seu pai. A primeira coisa que você tem que fazer é perdoar o seu pai e a sua mãe. Coisa que parece simples, mas que não é. A maioria tem ressentimentos dos pais. E se você tem ressentimento dos pais, você tem ressentimento do mundo. Você vai ter um sócio e você vai brigar com o sócio, vai achar que ele está ganhando mais que você, vai achar que ele está te enganando. Pronto, já vai dar confusão. Primeiro você cuida da parte pessoal. Aí você vai ter que cuidar da parte profissional. Vou ensinar você a ser competitivo, a ser ético, a ser produtivo. Porque não adianta. Hoje você não ganha mais por hora de trabalho. Isso existia antigamente. Te garanto que hoje você não trabalha mais oito horas por dia, você trabalha mais, porque o que você precisa é de resultado. Não me diga o quanto você trabalha. Me mostre os seus resultados. Eu fiquei à noite inteira fazendo esse relatório. Pois é, a sua colega foi dormir às 22h e fez um relatório melhor que o seu, portanto ela vai ser promovida e você não. Antigamente você era promovido porque você era antigo na empresa. Antiguidade não vale nada hoje. O mundo mudou. O mundo não paga mais por antiguidade e nem por hora de trabalho. O mundo paga por resultado.

Seu filho não escuta sobre dinheiro em casa e não escuta sobre dinheiro na escola. Ora, se você não aprende sobre dinheiro em casa e nem na escola, você vai ficar analfabeto financeiramente. Ganhar dinheiro não é só trabalhar, ganhar dinheiro é desenvolver uma inteligência financeira que a maioria não tem. Numa família judia não, eles ensinam os filhos a ganhar dinheiro. Faz parte da conversa do jantar o assunto dinheiro. O pai conversa com o filho sobre dinheiro. E hoje? O que você lembra que seu pai conversou contigo sobre dinheiro? Praticamente nada. Ora, você não aprendeu, ou você arrumou um milionário rico pra lhe ensinar, ou você se tornou um autodidata e foi estudar os livros e os cds do Lair Ribeiro, ou você está à deriva.

DIARINHO - Como é possível encontrar esse equilíbrio na vida, o profissional, pessoal e financeiro?

Lair Ribeiro - É um equilíbrio dinâmico. Você precisa estar em constante processo de equilíbrio. Quando eu sou solteiro, o equilíbrio é um. Quando eu sou casado, ele é outro. Quando eu tenho filhos e netos, é outro. Você é solteiro, você não tem satisfação pra dar pra ninguém. Você pode trabalhar 14, 20 horas por dia se você quiser. Agora, o dia que você casar e trabalhar 20 horas por dia, o seu casamento acaba. Mudou o equilíbrio. Hoje você pode se dar ao luxo de falar assim: nesse fim de semana vou começar a trabalhar às seis horas da manhã e ir até às duas da madrugada de sábado e domingo. O tempo é seu. Agora, se você fosse casado e tivesse filhos, não seria a mesma coisa. Esse equilíbrio vai mudando, de acordo com a idade e o contexto onde você vive.

DIARINHO - Como o senhor começou a escrever os livros e de onde veio o incentivo para ingressar no mundo da literatura?

Lair Ribeiro - Eu não me considero um escritor. Apesar de ter 35 livros escritos, eu me considero um comunicador. Em novembro de 1991, eu morava nos Estados Unidos e estava jantando com um amigo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e ele virou pra mim e disse assim: Lair, é fácil fazer o que você faz. Você ganha em dólar, você vem ao Brasil, conta essa balela pros brasileiros e vai embora. Falei pra ele: você está enganado. O que eu ensino funciona em qualquer lugar. Ele falou: por que você não prova? Mas provar como? Por que você não faz alguma coisa no Brasil? Por exemplo, por que você não publica livros e mostra que você ganha dinheiro publicando livros? Fui pra casa com aquele desafio. Fiz um cálculo e resolvi que ia publicar 18 livros. Escrevi o primeiro livro: ?Sucesso Não Ocorre Por Acaso?. Escrevi com uma editora chamada Rosas dos Tempos, não é Rosa dos Ventos, que era uma subsidiária da Record. Sentei com o diretor e falei: esse livro vai ser publicado! Vai pra primeiro lugar, vai ser um best-seller. Ele falou: como você sabe? Você é médico, você não é dessa área. Se eu ensino sobre sucesso, escrevo um livro de sucesso, e esse livro não dá certo, você vai me desculpar, eu estou me enganando. Aí o editor falou: eu não tenho interesse de publicar. Eu perguntei o que faria ele publicar o livro. Ele falou: só se você me comprar cinco mil exemplares. Quanto custa cinco mil exemplares? Vinte mil dólares, custava na época. Tá bom, eu compro. Comprei cinco mil exemplares. A primeira edição eu comprei toda. Eu Lair Ribeiro. Aí lançaram o livro. O livro com dois meses foi para o primeiro lugar. Ficou 55 semanas em primeiro lugar, três anos e meio na lista dos mais vendidos, é um dos recordes do Brasil em livro. Já vendeu, até hoje, só no Brasil, um milhão e setecentos mil exemplares. Aí eu publiquei um segundo livro chamado Comunicação Global, que foi para a lista dos mais vendidos. Depois publiquei um terceiro livro chamado Prosperidade, foi para a lista dos mais vendidos. Publiquei um quarto livro, Pés no chão, Cabeça nas Estrelas, que também foi pra lista dos mais vendidos. Publiquei um quinto livro, o Emagreça Comendo, que também foi pra lista. Tinha ficção e não ficção. Um belo dia, eu abro o jornal e tinha ficção, não ficção esotérico ou auto-ajuda. Você está conversando com o cara responsável por criar a terceira lista de livros no Brasil, porque não cabia mais. Eu fui empurrando todos os autores e não tava mais sobrando lugar para ninguém. Eu decidi que ia colocar 10 livros na lista dos mais vendidos. Aí eles quebraram esta lista e colocaram um terceiro item. Então foi assim que começou essa história de escrever livros.

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DIARINHO ? O senhor já leu algum livro de auto-ajuda?

Lair Ribeiro ? Sim, claro. Li muitos livros. Inclusive de pessoas que já morreram. Um dos livros que eu gosto muito é ?Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas?, lançado em 1937 pelo escritor americano Dale Carnegie, li muitos trabalhos de Rechter Bacmeister Follower, que foi um grande inventor, escritor, poeta, arquiteto, que eu apurei muito de minhas ideias. Tem também o Napoleon Hill, autor do livro Pense e Cresça Rico. [Os livros de auto-ajuda vendidos no Brasil, que são líderes de venda, ajudam mesmo os leitores?]. Eu tenho um desafio a fazer a você. Se eu trouxesse um livro aqui do Machado de Assis, tirasse o nome Machado de Assis, entregasse para você e perguntasse esse livro é de auto-ajuda ou não? E olha que já fizeram isso, muitos dos leitores iam dizer que é de auto-ajuda. Eu não sei porque se separa o livro de auto-ajuda dos outros tipos de literatura. Eu como escritor não sei dizer o que é auto-ajuda e o que não é. Eu acho o seguinte, se você estudar um livro de geografia, na minha opinião ele está te ajudando. Então ele é de auto-ajuda. Eu já escrevi livros sobre hormônios para mulher e já colocaram na sessão de auto-ajuda. Um livro altamente científico, mas como o Lair escreve auto-ajuda, eles colocaram na sessão de auto-ajuda. Os leitores iam nas livrarias e não encontravam o livro porque não tava na área de saúde.

DIARINHO ? No curso Porque os homens são como são o senhor fala sobre a diferença entre homens e mulheres. Como essas diferenças podem afetar a relação?

Lair Ribeiro - A coisa mais difícil que existe no planeta Terra é homem e mulher viver junto. Sabe por quê? Porque são muito diferentes. Você tem que construir o relacionamento no dia a dia. O homem só faz uma coisa de cada vez. Ele senta em frente à televisão, entra no jogo e esquece da vida. A mulher o chama, o menino chora, toca o telefone, mas ele tá lá em frente à televisão. A mulher faz o jantar, cuida das crianças, fala com a mãe ao telefone e assiste a novela, tudo ao mesmo tempo. O homem se sente irritado se ele tá dirigindo e a criança começa a gritar. A mulher dirige e se as crianças estão gritando no banco de trás ela não tá nem aí. Cada um tem um cérebro diferente. A mulher quer casar com um homem que seja mais inteligente que ela de preferência, mais rico do que ela, mais poderoso. Um médico se apaixona por uma estudante de enfermagem, a leva em casa, os pais falam que moça bonita que você arrumou. Uma médica se apaixona por um enfermeiro. Quero ver ela o levar em casa para apresentar aos pais. O pai vai chamá-la e dizer: minha filha, investi seis anos na sua carreira: por que você não se apaixonou pelo diretor do hospital?. Enfermeiro! Agora, se for o contrário não tem problema. Quando você vê um homem rico com uma mulher pobre é amor. Quando você vê um homem pobre com uma mulher rica, é golpe do baú. [Por quê?] Porque é a cultura. Tem lugar que é assim e lugar que não. Você tem namorado? [pergunta à jornalista Martha Kienast]. Se você vai ao cinema com o namorado e coloca a mão sobre o ombro, ele vai tirar imediatamente [mostra como o namorado faria, movimentando os ombros]. O namorado pode passar a mão no ombro da namorada, mas quero ver você passar a mão no ombro de um homem e sair para ir ao cinema. Quero ver quanto tempo vai durar. Se a mulher disser que só o namora se for assim ele vai falar que não quer namorar. Faz parte da cultura.

DIARINHO ? O senhor costuma dizer que a aparência influencia no sucesso e na empregabilidade de um executivo, por exemplo. Em sua opinião, basta ter um rostinho bonito para ser bem-sucedido profissionalmente?

Lair Ribeiro ? De jeito nenhum, mas se um cara chegar aqui com o cabelo até metade das costas, o corpo todo tatuado, sem camisa, achando que vai ser o executivo do seu jornal, tu achas que o dono do jornal vai contratá-lo? Não. Então tem muita gente que vai para uma entrevista de emprego e não sabe como se vestir. Faz diferença vestir-se bem. Você vai a um médico e ele tá lá de bermuda, chinelo, camiseta e o estetoscópio amarrado no pescoço, tu vais confiar nesse médico? Você vai querer encontrar um médico de gravata, de preferência de branco, bonitinho, passadinho, limpinho e asseado, não é verdade? Claro que a aparência influencia. Agora, só a aparência não. Eu vou pegar duas pessoas igualmente inteligentes. Uma está bem apresentada e a outra não tem o menor cuidado com o corpo. Aquela perde pontos. [ Entre a aparência e a inteligência, qual dos dois influencia mais?] Depende do que você vai fazer, do que você vai ser. Se você vai ser um mestre de cerimônias, que vai só repetir o que tem no texto, eu não preciso de inteligência naquele momento. Naquela hora eu preciso de aparência, concorda?

DIARINHO ? O senhor acredita que as teorias apresentadas nos livros de auto-ajuda, líderes das listas dos mais vendidos no Brasil, podem melhorar a qualidade de vida do cidadão comum?

Lair Ribeiro ? Se fosse só o livro, querido, você não precisava fazer nada. Você comprava a bíblia e ia para o céu. Você acha que se você comprar a bíblia você vai para o céu? Se você ler a bíblia, praticar o que tem na bíblia e se tiver céu, que eu não sei se tem, você vai para o céu. O livro pode até ser bom, mas se ele não ler o livro não adianta nada. Pegaram um livro comum nos Estados Unidos de 250 páginas. Na página 200 colocaram um bônus onde tava escrito se você chegou nessa página, leve esse bônus até a livraria onde você comprou o livro que vai receber cem dólares. Quatro por cento dos que compraram o livro foram reclamar o dinheiro. Sabe por quê? Porque apenas quatro por cento dos leitores chegaram até a página 200. A maioria compra e não lê.

Então não é só livro, é o leitor. O que o leitor vai fazer. Onde o leitor está. Imagina que um cara pegue um livro de empreendedorismo do Lair Ribeiro e leva para Cuba, como vai colocar em prática? Vai ser preso, porque Cuba não permite ninguém ser empreendedor. O ambiente não permite executar o que está no livro.

DIARINHO ? Qual o principal entrave à prosperidade econômica e à obtenção de um bom nível de auto-estima? As noções absorvidas até os sete anos de idade, da família e da sociedade, podem atrapalhar a carreira do profissional do futuro?

Lair Ribeiro ? Seu pai faz o quê? Sua mãe faz o quê? O seu pai não fez curso para ser pai. A sua mãe não fez curso para ser mãe. Um dia eles tiveram você. Sabe como eles aprenderam a ser pai e mãe? Errando. A sua mãe errou com você. A mãe da sua mãe errou com ela. Você vai errar com os seus filhos, os seus filhos vão errar com os seus netos. Ninguém tá preparado para ser pai e mãe. Você quer ser jornalista, você vai estudar para ser jornalista. Se você quer ser médico, tem que fazer medicina. Se você quer ser advogado, tem que fazer direito e passar na prova da OAB. Se você quiser ser mãe, a única coisa que você precisa ter é relação sexual e engravidar. Eu vou falar com você. Não pense azul. Que cor que você está pensando? No azul. Não pense em uma maçã, com casca, sem casca, nem verde nem madura. Você tá pensando numa maçã. Você fala para uma criança não coloque a mão aí, você está mandando colocar a mão, sabia? Não perturbe a sua irmãzinha. Ele perturba a irmã, você tá mandando ele perturbar. Toda vez que você falar um não, você está querendo que a pessoa faça aquilo que não é para fazer. Já falei para esse menino não perturbar a irmã mil vezes. Você tá mandando perturbar a irmã mil vezes.. Até a idade de oito anos nós recebemos uma média de cem mil nãos. Aí a criança vai se limitando. Quando ela chega ao jardim de infância com toda a criatividade e a professora fala que ela sabe a resposta. Isso aqui é certo. Eu estou dizendo. Isso aqui é errado porque eu estou dizendo. Corta a criança pelas pernas. A criança já não tem mais criatividade, não tem mais autonomia. Quem tá certa? A professora. Vamos perguntar pra professora. Professora, isso tá certo? Pronto, você tirou a confiança da criança. Vai virar uma pessoa que para o resto da vida vai depender dos outros. Vai precisar de uma professora para dizer pra ela se tá certo ou não. [Tem que exercitar essa confiança?]. Nas famílias que entendem isso, o menino vai e pergunta para o pai o que você acha que eu devo fazer. Ele responde: o que você acha? Ele valoriza mais a opinião do filho do que a dele. Ele tá educando o filho. Não, meu filho, eu acho que com a minha experiência você deve fazer assim. Isso é coisa de professor. Tá certo! Da próxima vez que precisar eu venho perguntar para o senhor de novo. Que pena que o meu pai morreu, agora não tenho mais para quem perguntar. Deixa eu arrumar um outro pai, e sai procurando um outro pai psicológico para perguntar em vez de sair usando o próprio cérebro.

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DIARINHO ? Por que as pessoas só procuram livros de auto-ajuda e as religiões quando estão passando por maus momentos?

Lair Ribeiro ? Eu não sei te dizer, querido. Primeiro, eu não sei se isso é verdade. Você tá fazendo uma afirmação que eu não conheço. Eu conheço muita gente que entra em uma livraria e que não tá precisando de nada, vê um livro interessante e compra. Eu não sei se existe uma estatística dizendo assim: ah! Hoje eu tô deprimido, vou na livraria buscar um livro de auto-ajuda. Eu acho que não é assim. Eu vendo livro todo o dia. A pessoa vai no meu curso, me vê falando, acha interessante e na hora do intervalo compra o livro. [ Mas quem procura seus livros tá precisando de ajuda...]. Não, tá precisando crescer. Eu não encontro ninguém no meu curso dizendo que está muito necessitado. O que encontro são pessoas dizendo que estão lá para melhorar.

Aliás, se você não tem interesse em melhorar você tem que morrer. A hora que você parou de aprender, parou de fazer, tá na hora de ir embora.

DIARINHO ? É verdade que o senhor, hoje, é um milionário?

Lair Ribeiro ? Você quer dizer milionário em que sentido? [Uma pessoa com muito dinheiro...]. Isso é o mínimo. Eu sou milionário desde os 25 anos de idade. Financeiramente eu não posso reclamar. Eu venho de uma família rica. Eu não posso te contar a história de que eu era um cara pobre e batalhei. Não, meu pai era um fazendeiro, tinha muita coisa. Eu não tenho uma história triste para te contar. Eu já nasci rico. O que eu posso te dizer é o seguinte: saí de casa com 17 anos e fui trabalhar no Banco do Brasil. Quando eu retornei eu estudei medicina com o meu dinheiro. Meu pai tinha falecido e deixado uma enorme herança. Eu mostrei para mim mesmo que eu não precisava tocar nela. Eu sou financeiramente independente desde os 19 anos, porque eu ganhei esse dinheiro. Mas o que interessa na vida não é isso não, o dinheiro é o de menos. Você encontra muito cara passeando na avenida Atlântica [a entrevista foi feita em Balneário Camboriú] que é milionário no banco, mas vive como um pobre. Pensa como pobre, é miserável, não ajuda ninguém. O bom milionário é aquele que dá ideia para os outros. O dinheiro acaba, a ideia floresce. Quando eu passo uma ideia para você, você é estimulado. Eu garanto que quando você terminar de escrever essa entrevista, mudou alguma coisa na sua cabeça. Essa é a verdadeira riqueza. Porque a riqueza do dinheiro, caixão não tem gaveta, mortalha não tem bolso. Morra pra ver se você vai levar a casa junto. Seu carro não é seu, você tá tomando conta. Não tem nada errado em você ter bens, o problema é você se apegar aos bens. Então tem muita gente que acha que é rica e que no meu conceito é um pobre coitado. São mesquinhas e tem uma grande conta bancária. Que merda! Não valem nada.

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4 Respostas to “Lair Ribeiro: Médico”

  1. cambc Diz:

    Adorei a entrevista! Pena que não fui no Cine Itália prestigiá-lo. Já conheço o trabalho do Dr Ladir, e confesso, concordo com ele. Temos que acrescentar na vida das pessoas. Sucesso, o Sr. merece!!!Vanessa - Balneário Camboriú.

  2. gino Diz:

    “Para ficar como está, no mínimo, a gente tem sempre que melhorar!”

  3. lucas Diz:

    Nossa, como é humilde esse Lair Ribeiro.
    Nilton Cesar.

  4. pmitajai Diz:

    oi estou imprecionada com a quantidade de conhecimento que acabei de ler e não precisei pagar cinco mil dólares né? Parabens pela entrevista, voi otimo aprendi um pouco mais e concordo cem porcento com cada palavra de dele. Por exemplo fui ao shopping com uma amiga para comprar um presente, o que ela preucurava era um livro de alta ajuda perguntei a ela por que tinha que ser de auto ajuda, ela me respondeu por que com que ela trabalha eles insentivam ler livros de auto ajuda por que ele ensinam você ver e ser diferente. Por isso parabéns pela bela entrevista. Abraços da leitora Cristiane Itajai.

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