• Postado por Tiago

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Técnico acredita que, se nada mudar no país, tênis sempre será um esporte de elite

Ele tem fama de durão, porém foi do espírito disciplinador de Larri Passos que surgiu o maior tenista brasileiro. Com Gustavo Kuerten, o treinador conquistou três títulos em Rolando Garros, outros 17 de simples e mais oito em duplas de igual importância. Fora os vice-campeonatos. Foi pelos ensinamentos de Larri que o manezinho ganhou fama, muito dinheiro, conquistou o mundo e manteve-se como número um do ranking mundial por 43 semanas.

Depois de Guga, o Brasil não teve mais nenhum tenista de expressão. Em entrevista exclusiva ao DIARINHO, Larri acredita que é preciso investir nos jovens pra que daqui 10 anos, quem sabe, um novo Guga possa trazer alegrias pro esporte nacional. ?Esse trabalho que estamos fazendo durante a Semana Guga Kuerten e o que eu faço na minha academia em Camboriú, é um trabalho profissional de buscar os talentos e dar a eles uma rotina de trabalho?, explica Larri.

O treinador pede maior integração no modo como o tênis é repassado aos jovens no país. ?Infelizmente, hoje não temos no Brasil um estilo de jogo, uma escola brasileira de tênis. Cada um joga de uma maneira diferente. O que temos que buscar é uma igualdade de bater um back hand parecido um com o outro, um trabalho de perna. O que está sendo feito por nós é o primeiro passo?, completa.

Larri não tem freio na língua e pensa que outro motivo pra esta lacuna pós Guga tá ligada à vontade doida de alguns empresários em somente ganhar dinheiro. ?A era Guga encheu as academias de alunos, porém virou mais comercial do que idealista. Nestes 10 anos houve uma avalanche de jogadores dentro das academias. E a nossa Confederação, né? Trabalharam muito pouco. Até hoje falta muita coisa. A confederação falha muito, falta planejamento. Mas eu tenho esperanças de reverter este quadro?, comenta.

Só pra elite

A falta de apoio à prática do tênis é que faz Larri acreditar que nunca um moleque do morro terá condições de praticar o esporte por conta própria. ?Tem zero de chance de popularizar. Infelizmente, depende muito do ensino do tênis na escola. É um esporte que será a vida inteira da classe média-alta. É muito difícil você atingir classes mais baixas, porque eles já vão pra uma escola que tem um ensino precário. Se não melhorarmos o ensino público, não vamos conseguir. Infelizmente, vivemos num país que parece que é bacana ter burros?, desabafou Larri.

Durante as oficinas com jovens tenistas na programação da Semana Guga, Larri tem passado muitos de seus ensinamentos, o que em sua visão pode contribuir pra melhorar a formação de um atleta. ?Eu não vejo esporte sem disciplina. Tem que traçar objetivos e ficar neles. Perseverança e disciplina são palavras bases pra minha vida. Não se pode desistir. Tem que correr atrás o tempo todo?, encerra.

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