• Postado por Tiago

A lei aprovada esta semana, que obriga os motoras de brutos a descansar a cada quatro horas na boleia, e a tirar pelo menos 11 horas de sombra e água fresca por dia, vai ser difícil de pegar. O aviso é do pessoal da puliça rodoviária federal, que sabe da dificuldade em bizolhar os caminhoneiros e descobrir se eles tão ou não cumprindo as novas regras.

Se forem pegos no pulo, os motoras ganham um canetaço por infração gravíssima. A fiscalização pode ser feita através do tacógrafo, um aparelhinho que dedura há quantas horas o caminhoneiro tá na estrada. Mas o mandachuva do posto da PRF em Itapema, Júlio César Haas, diz que é difícil aplicar alguma punição pra quem dirige por horas a fio, porque o motora pode alegar que tá descansado. “Ele pode dizer que parou, é complicado controlar”, comenta.

Júlio acha que o mais correto seria aplicar regras mais apertadas pras transportadoras. “Muitas vezes, os caminhoneiros são obrigados a cumprir o horário imposto pela empresa, e acabam se sujeitando a viajar por muitas horas”, diz.

O vice-presidente do sindicato dos caminhoneiros autônomos de Itajaí, Ademir de Jesus, concorda. “A ideia é ótima, mas só vai funcionar se tiver um controle”, lasca. A preocupação é de quem já botou o pé na estrada muitas vezes, e conhece histórias de arrepiar até cabelo de careca. “Tem gente que passa 14, 15 horas na estrada. A grande maioria na base do rebite”, diz.

Patrões injustiçados

Até mesmo o presidente da federação das empresas transportadoras da Santa & Bela (Fetrancesc), Pedro Lopes, comemorou a lei. “É um projeto que vínhamos acompanhando há 13 anos. Com a aprovação, finalmente vamos ter meios de disciplinar os caminhoneiros e obrigá-los a descansar”, diz.

Ele acha que os patrões pagaram o pato por muito tempo, por irresponsabilidade dos motoras. “Ouve-se o tempo todo caminhoneiros declararem que são obrigados pelas empresas a trabalhar por várias horas, e isso não é verdade. A maior parte dos motoristas que fazem isso e autônoma”, carcou.

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