• Postado por Tiago

Várias lendas envolvem a capela de Santo Amaro

A tradição do bairro da Barra é povoada de histórias incríveis, daquelas de deixar a criançada de boca aberta. Foi assim, de geração em geração, que as lendas que envolvem a capelinha de Santo Amaro atravessaram os séculos. Uma das mais conhecidas é a história do escravo Inácio, que teria ganhado de presente o primeiro milagre dos padroeiros da igreja.

Reza a lenda que Inácio trampava na lavoura de café, mas como já tinha uma certa idade e andava doente, sempre que podia escapulia dos zóios dos patrões pra ir à capela e rezava pra ser libertado. Tanto rezou, que num belo dia o seu senhor convenceu-se de que o coitado já não podia mais trabalhar e lhe deu a alforria ? a liberdade.

Já como homem livre, Inácio pediu aos santos de devoção que lhe curassem de sua misteriosa doença. Ele prometeu que se a graça fosse alcançada, dedicaria o resto da vida aos cuidados com a igreja.

O ex-escravo se curou com as bênçãos de Santo Amaro e de Nossa Senhora do Bom Sucesso, e a partir daí passou a viver dentro da capela. Ele mantinha a igrejinha limpa e, pra sobreviver, fabricava velas nos buracos das rochas que foram usadas pra erguer as paredes, e depois as vendia na comunidade. Passou seus dias assim, livre e feliz, até morrer.

A história do escravo teria sido contada por um padre cheio de criatividade, que rezava missas na capelinha e queria atrair mais fiéis. ?Foi pela década de 60 que a história se espalhou?, diz a restauradora Lílian. Se a lorota funcionou, não se sabe. Mas o fato é que ficou marcada no imaginário popular.

Outro causo contado pelos antigos só foi desfeito recentemente. Dizem que as paredes da igrejinha foram construídas usando restos de moluscos e conchas, pedras e óleo de baleia. Com a restauração, descobriu-se que o óleo das gigantes do mar não passou nem perto da obra. ?Isso era comum em locais de armação, como na Penha. Mas era um material muito caro, muito longe da realidade simples da comunidade que vivia no Arraial do Bom Sucesso?, revela Lílian.

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