• 21 nov 2009
  • Postado por Tiago

Esta semana aqui na região vivemos um momento de muito prazer, conhecimento, moda e ecotendências. Uma parceria entre o Santa Catarina Moda Contemporânea (aquele projeto já falado, mostrado e aplaudido aqui na TdB que condensa fábricas, estudantes e escolas de moda do estado na criação e desenvolvimento de uma identidade única) e o Tabajara Tênis Clube, de Blu, trouxe a editora de moda Lilian Pacce (GNT e Estadão) para uma palestra incrível, que inclusive marcou parte das comemorações aos 150 anos do Tabajara. O evento aconteceu na noite da última quinta, dia 19, e contou com o apoio das revistas Elle, Estilo e Manequim, foi exclusivo para convidados e claro que eu estava lá. Adorei!

Lilian Pacce é jornalista e crítica de moda e está presente em vários veículos de comunicação. Ela tem um olhar de lince para todo e qualquer tipo de comportamento que vem da moda ou que faz a própria moda. Para afinar seus conhecimentos, me contou Lílian, ela estudou no London College of Fashion e na Saint Martin’s School of Fashion, em Londres.

Ecotendências, moda e comportamento comandaram a cena da noite que foi antenada, rápida, cheia de tópicos a pensar (gosto disso) e os sistema da moda que acarretam em problemas socioambientais. Aqui vale lembrar que ela é autora do livro “Ecobags – Moda e meio ambiente” que foi autografado aos presentes depois da palestra. É dela também a curadoria de uma compilação das 120 bolsas ecologicamente corretas criadas por estilistas e marcas brasileiras – entre elas Alexandre Herchcovith, Ash, Blue Man, Carlos Miele, Huis Clos, Juliana Jabour, Mario Queiroz, Neon e Rosa Chá – para a exposição “Eu Não Sou de Plástico”, apresentada no Parque do Ibirapuera, em Sampa.

Bate papo

Lílian Pacce acredita que a sustentabilidade na moda, tanto social quanto ecológica, não é só uma onda. “Não é algo passageiro, é um tsunami. E quem não entrar vai se dar mal. É uma questão contemporânea”, me disse ela, “a moda sustentável tem de se transformar em um novo luxo”, completou.

Apesar de observar uma maior conscientização e aceitação de práticas ecológicas no Brasil, como o incentivo ao uso de sacolas recicláveis por parte de grandes redes de supermercados, Lilian ainda vê o país com uma presença quase nula no mercado de moda ecológica. “O Brasil é sempre lembrado por sua natureza exuberante, associada a questões ambientais, mas a sustentabilidade ainda não acontece”, disse.

Ela lembrou que, além de se valer das fibras naturais, como o algodão, por exemplo, a moda ecologicamente correta também se beneficia dos avanços tecnológicos da indústria têxtil, que usa materiais tão diversos como garrafas PET, bambu, milho e pó de café para produzir tecidos.

Ela mostrou imagens das ecobags (veja as fotos), falou de depoimentos de seus criadores e ficha técnica sobre fabricação e materiais. Incentivou e defendeu as compras feitas com sacolas reutilizáveis, mas que tenham preocupação com o design. “Um dos grandes valores do meu livro é mostrar que ecodesign não é artesanato. Ele tem moda agregada”.

A difusão das bolsas sustentáveis, no entanto, é apenas um passo para o desenvolvimento do setor. É preciso que mais produtos ganhem o status “fashion” e se tornem objetos de desejo dos consumidores. “Mas ainda não vejo algo que tenha o vulto das ecobags”. A moda reciclada/reutilizada foi tema polêmico e, através de exemplos práticos, Lilian mostrou iniciativas que vêm dando certo ao redor do mundo. A editora de moda instigou os participantes a repensarem suas atitudes mostrando que não existem mais os “ecochatos” e que a nova onda é ser “ecochic”!

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