• Postado por Tiago

A cabeleireira Hirlene e seu filho de 10 anos mostram a gravura da tortura no livro.

A cabeleireira Hirlene e seu filho de 10 anos mostram a gravura da tortura no livro.

Gravura de um ritual de tortura indígena, que foi parar nas páginas de livro de História utilizado, há três anos, por escolas da Prefeitura do Rio, surpreendeu e chocou pais de alunos de turmas do 4º ano (antiga 

 

3ª série) do Ensino Fundamental.  A imagem exibe, para crianças de nove anos, a cena de um empalamento (um suplício antigo que consistia em introduzir em um condenado, pelo ânus, uma estaca aguda que atravessava os órgãos até chegar à boca).  Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que vai recolher todos os exemplares do livro e já notificou o caso ao Ministério da Educação (MEC).  A secretaria afirmou que não considera apropriada a ilustração para alunos do 4º ano.

A publicação ‘Projeto Pitanguá – História’, da Editora Moderna, consta da listagem nacional do Programa Nacional do Livro Didático, distribuído gratuitamente pelo Ministério da Educação (MEC) às escolas públicas e particulares em todo o Brasil.  

A Editora Moderna esclarece que as ilustrações contidas no livro, dos autores Maria Raquel Apolinário, Cesar da Costa e Cândido Domingos Granjeiro, devem ser analisadas dentro de seu contexto de época e de cultura, que faz parte do currículo dessa série escolar.  No caso da gravura de Theodore de Bry, ela mostra a visão de um artista do século 16.  “São reproduções de pinturas ou gravuras históricas presentes em museus, bibliotecas e acervos públicos, cuja visita faz parte do currículo extracurricular dos estudantes dessa faixa etária”, diz a nota.  A editora informa que a partir do ano que vem a publicação não terá mais esta gravura, já que a cada edição 50% das ilustrações e textos são substituídos.

A gravura do francês Theodore de Bry, feita em 1540, retrata hábitos culturais dos povos tupis, cujos integrantes executavam seus adversários para vingar seus antepassados.  Considerado um dos mais importantes gravuristas do século 16, Theodore tem obras no acervo da Biblioteca Mário de Andrade, que é o principal acervo público de São Paulo, com entrada gratuita para estudantes.  As cenas mostram índios tupinambás aprisionando tribos inimigas.  As imagens, com base nos relatos dos primeiros europeus que tiveram contato com indígenas brasileiros, revelam rituais de tortura praticados pelas tribos.  Em outra gravura de De Bry, os tupinambás comem adversários para incorporar o espírito guerreiro do inimigo.

fonte: O Dia

  •  

Deixe uma Resposta