• Postado por Tiago

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Tranqueira de outras cidades vem parar no Itajaí-Açu

Sofá, geladeira e fogão. Daria pra montar uma casa, mas estes objetos, além de restos de comida e tudo mais que se possa imaginar, tão parando nos rios de Itajaí. Além do lixo produzido pelos próprios moradores da cidade, Itajaí sofre porque tanto o Itajaí-Açu como o Itajaí-Mirim trazem entulhos das cidades Brusque e Rio do Sul. Pesquisadores, a fundação do Meio Ambiente, a defesa civil e até a secretaria de Obras de Itajaí confirmam que a lixarada é um dos fatores que aumenta o risco de enchentes na city.

O professor e pesquisador do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMAR) da Univali, Leonardo Rorig, explica que o problema começa com o lixo jogado nos córregos que passam por bairros e pequenas comunidades e acabam desembocando nos rios principais. ?O lixo jogado nestes córregos piora a microdrenagem urbana e, muitas vezes, lugares que iriam demorar para ter alagamento ficam cheios muito rapidamente?, diz Rorig. O professor reclamou ainda da canalização dos córregos naturais pra rios principais que estrangula o fluxo da água e só piora a situação.

O major Sérgio Murilo de Melo, coordenador da Defesa Civil de Itajaí, alerta não só para o lixo que é jogado nos rios, mas também para o que é jogado nas ruas da cidade, como papéis, embalagens, sacolas e etc. Estes objetos entopem as bocas-de-lobo e a água não tem como escoar. ?As pessoas têm que ter consciência. Um pacote de chips de 150 gramas jogado já pode entupir uma boca-de-lobo?, diz. Por isso, ele conta que a defesa civil já está entrando em contato com as associações de moradores da cidade pra planejar umas aulinhas de educação ambiental pra comunidades de toda a cidade e tentar acabar com porquice. ?As pessoas têm que entender que guando a água não consegue passar por onde deve, por causa da sujeira, vai acabar passando por onde está livre, ou seja, nas ruas da cidade?, lascou o major.

Jonas José Pereira, que é diretor de licenciamento e fiscalização ambiental da Famai, disse que já que a cidade não consegue controlar o lixo que vem de outros municípios pelos rios, continua tentando ensinar os peixeiros a serem mais limpinhos. Ele conta com a ajuda de cartilhas que já tão rolando nas escolas e tá planejando uma campanha pro público em geral, porque os mais velhos, que eram pra dar exemplo, também tão fazendo vergonheira.

Rebu na ponte da Nova Brasília

O secretário de Obras de Itajaí, Tarcísio Zanelatto, e sua equipe de barnabés tiraram 240 caçambas de entulho e vegetação que tavam presos nas colunas da ponte da Nova Brasília. ?Removemos os entulhos para proteger a própria ponte, facilitar o escoamento da água e evitar as cheias e recolher toda a sujeira antes que descesse para o Itajaí-Açu e piorasse ainda mais a situação da cidade?, disse Zanelatto.

Eles passaram todo o dia de terça-feira e a manhã de ontem pra remover os aguapés que, misturados ao lixo, impediam o escoamento e davam uma mãozinha pra água subir na cidade. ?Estamos sempre discutindo sobre a questão do lixo nos rios, inclusive com as outras cidades, pedimos à população que tome cuidado, a imprensa ajuda, mas infelizmente todo tipo de lixo continua sendo jogado na água?, reclamou o secretário.

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