• Postado por Tiago

O estudante Lucas Spernau, 19 anos, foi trancafiado ontem numa cela especial do presídio de Balneário Camboriú, onde ficam os presos condenados e que trampam na manutenção do cadeião. O rapaz, responsável pelo acidente feioso que matou três pessoas na madrugada de 20 de dezembro, estaria sendo ameaçado de morte por familiares das vítimas, também presos, e por isso ganhou o arrego. Mas as mordomias param por aí. O playboy tá comendo a quentinha da cadeia, vai ser obrigado a trampar, e deverá dormir no chão. Enquanto Lucas passa aperto, seu advogado tenta um novo habeas corpus, desta vez no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Lucas, que foi preso em flagrante logo após o porradaço, não chegou a ir pra trás das grades porque teve uns lanhados e ficou internado, primeiro no hospital Santa Inês e depois numa clínica de Blumenau. Seu advogado, José Álvaro Machado, conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça, dois dias após o acidente. Na terça-feira, os desembargadores do TJ reconsideraram a decisão e cassaram o arrego.

Ainda na noite de terça, o delegado Eliomar José Beber recebeu a ordem pra prendê-lo. O dotô e sua equipe bateram na casa do rapazote na mesma noite, mas só conseguiram dar-lhe o teje preso no comecinho da manhã de ontem. “Na noite de terça-feira, ele não se encontrava. Em razão de algumas ameaças que tava recebendo, a família resolveu deixá-lo num local seguro”, explicou o delegado. O dotô bateu um papo com os Spernau, e os convenceu de que Lucas deveria se entregar.

Pelas 8h da manhã de ontem, o gurizão recebeu os policiais em sua casa, no condomínio chicoso Vila Rica, no bairro dos Estados, pertinho da rodoviária. Tranquilo e quietão, ele entrou no camburão da polícia Civil e seguiu pra cadeia, sem receber a pulseira de aço. “Percebi que ele tava abalado com essa situação”, contou o delegado.

Ameaçado

Lucas não tem formação superior, mas foi mandado pra uma gaiola separada, onde tão 30 presos já condenados, que fazem serviços de cozinha e limpeza no cadeião. Entre seus coleguinhas tão traficantes, estelionatários e ladrões.

“O delegado e o advogado dele informaram que o rapaz estaria sendo ameaçado, por isso tomamos essa precaução”, diz o capo do presídio da Maravilha do Atlântico, Leandro Kruel. As ameaças estariam partindo de parentes e chegados das vítimas do acidente, que tão cumprindo cana por ali.

A escolha do chefão da cadeia pela ala dos condenados, e não pela cela do seguro, pra onde vão os presos que precisam ficar isolados, levou em conta o tipo de perrengue em que o guri se meteu. “No seguro ficam presos que se envolveram em brigas de gangues, estupradores e ladrões de cadeia. Não era o caso de deixar ele lá”, explicou.

Na cela onde tá Lucas, tem 30 camas pros enjaulados. O diretor do presídio disse que não sabia ainda se o rapaz iria usar alguma delas. “É possível que ele durma no chão”, comentou. O local tem acesso pro pátio principal da cadeia, onde os 402 presos se acotovelam, mas ontem o rapaz não saiu de sua jaula.

Já na hora do almoço, Lucas experimentou um pouco da vida no xilindró. Ele comeu o rango da cadeia – arroz, feijão, carne e salada, e deveria jantar o mesmo cardápio. “De vez em quando muda um pouco, tem um macarrão, mas geralmente é a mesma coisa. O pessoal não reclama”, disse Leandro. A direção do cadeião permite que as famílias tragam alimentos prontos, como bolachas, mas até ontem à tarde nenhum parente de Lucas tinha aparecido com guloseimas.

Como tá junto de presos que fazem a manutenção da cadeia, Lucas também vai ter que botar a mão na massa. Ele vai poder escolher entre trampar na cozinha, preparando as refeições, ou na limpeza do presídio.

Advogado pede liberdade ao STJ

Pra tentar tirar o seu cliente de trás das grades, o advogado do rapazote, José Álvaro Machado, entrará com um novo pedido habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Estamos entrando em contato com um colega em Brasília, e é possível que vá alguém daqui pra acompanhar o caso por lá”, comentou. O pedincho deverá chegar à capital federal ainda hoje, mas pode demorar um pouco pra ser julgado. “Não vai ser pra logo”, adiantou o dotô.
José Álvaro afirma que Lucas tá muito chateado com toda a situação, mas prometeu fazer o que a dona justa mandar. O dotô comentou que foi pego de surpresa com a cassação do habeas corpus pelo TJ, e diz que não esperava pela reviravolta. “É um risco que a gente corre, mas não esperávamos”, garantiu.

O advogado acha que seu cliente tá tendo uma punição mais severa do que o normal. “Isso por causa da repercussão dada pela mídia, e pela conotação política, por causa do pai dele que era prefeito. Lucas tá servindo de bode expiatório”, disparou.

  •  

Deixe uma Resposta