• Postado por Tiago

E a gripe A, que era branda, com a qual o cidadão brasileiro não precisava se preocupar porque as autoridades sanitárias estavam tomando todas as providências, tudo estava sob controle, está matando as pessoas no nosso país. E não são crianças e velhos que estão morrendo, são adultos saudáveis, na maioria.

Nossas “autoridades” se comportaram, frente à gripe A, como se comportaram frente à crise mundial: não nos atingiria, era só uma “marolinha”.

Pois a marolinha está matando as pessoas. As mesmas pessoas, cidadãos brasileiros, que estão indo aos hospitais e postos de saúde, quando têm algum sintoma da doença e esperam horas na fila para, se forem atendidos, receberem, via de regra, o diagnóstico de que não é a gripe A. Só internam e dão a medicação para a gripe A se o estado do paciente for grave. Mas se já estiver em estado grave, o paciente estará morrendo, como tem acontecido.

Por que não medicar quando houver suspeita? É preciso estar morrendo para receber medicação? Aí não adianta mais.

O estado do Paraná divulgou nota, há poucos dias, instruindo que seus médicos e hospitais mediquem os pacientes já quando houver suspeita da doença, e não só os pacientes mais graves. É o que todo o país deveria estar fazendo.

Aqui em Santa Catarina não havia casos de morte até poucos dias atrás e agora instalou-se o medo. Muita gente está correndo para os pontos de atendimento e ficando horas na fila.

Os tais pontos de atendimento, infelizmente, em todo o país, não estão equipados para atender a população, pois não há sequer profissionais suficientes para isso. E os que estão atendendo, muitas vezes não estão qualificados, ao contrário do que se apregoa nas mídias e as pessoas acabam voltando para casa sem atendimento ou sem atendimento apropriado.

Os cuidados de higiene precisam ser tomados, sem sombra de dúvida, sempre, pois eles minimizam o risco de contaminação. Mas há casos em que não podemos evitar de estar em lugares com concentração grande de pessoas, pois precisamos pegar o ônibus, precisamos trabalhar, precisamos ir à escola.

Esta é mais uma ocasião, infelizmente, em que constatamos a precariedade da saúde neste país. Vemos o descaso e a desfaçatez de quem administra o dinheiro público e o gasta acintosamente em favor próprio, enquanto a saúde, a educação e a segurança são deixados em último plano.

As denúncas de que os números de casos são maiores do que os que estão sendo informados pipocam em todo o país, mas os meios de comunicação não estão podendo divulgar. Não seria de se estranhar. Enquanto a epidemia grassa e as pessoas morrem, o presidente viaja, faz reunião para falar de futebol e se preocupa em passar a mão na cabeça de corruptos. E o senado (sim, com letra minúscula) entra no tapa em meio a um carnaval de roubalheira e baixaria, disputando o poder. Por que eles iriam se preocupar com a saúde? Só que esquecem um pequeno detalhe: eles também podem pegar a gripe.

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