• Postado por Tiago

Única prefeita de toda a história da região, Luzia (PSDB) fala sobre os desafios do primeiro ano de mandato

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Luzia quer melhorar sistema viário de Cambu

Camboriú tem diversos problemas crônicos. Segurança pública, desigualdades sociais, falta de infra-estrutura viária são apenas alguns exemplos das dificuldades que o povo da terra do mármore tem de enfrentar todos os dias. Para desmistificar alguns destes problemas, a prefeita Luzia Coppi Mathias fala sobre seu primeiro ano de mandato, sobre os rolos que envolvem o PMDB, e os principais projetos para o ano que vem, na estreia da série Retrospectiva, que durante esta semana entrevista os quatro prefeitos das principais cidades da região.

DIARINHO – Como você avalia seu primeiro ano à frente da prefeitura?

Luzia ? Eu avalio de forma satisfatória, estou satisfeita em terminar o ano tendo conseguido recuperar a cidade das enchentes, das enxurradas, construindo casas populares para os nossos desabrigados, escolas, creches. Atuei em diversas áreas, renovei a frota das secretarias de Educação, Saúde e Obras, enfim, deixamos a máquina preparada para uma boa administração em 2010.

DIARINHO – Você teve um desentendimento com o secretário de Segurança Pública do Estado, Ronaldo Benedet (PMDB), que disse que grande parte dos problemas de segurança na região começara em Camboriú, mais especificamente no bairro Monte Alegre. Antes da gestão de seu antecessor, o ex-prefeito Edinho (PSDB), Camboriú havia sido governada por muitos anos pelo PMDB. Como anda a sua relação com o partido, na cidade e no estado?

Luzia ? Eu nunca parei para conversar com o PMDB, mas o meu relacionamento com os vereadores eleitos do PMDB tem sido muito respeitoso, tanto da parte deles quanto da minha parte. Apesar de meu partido ter a maior bancada da câmara, eu sempre tento que os projetos encaminhados pelo Executivo tenham unanimidade em sua aprovação, em 99% das vezes. Eu consegui implantar uma politica de respeito aos poderes constituídos, eu os respeito como vereadores e eles me respeitam como prefeita, então todas as vezes que eu fui na câmara, nunca sofri nenhuma retaliação. Dá para perceber que mesmo a oposição não é aquele que torce para o ?quanto pior melhor?, eles também querem o melhor da cidade. Política partidária nos só vamos discutir daqui a três anos, quando houver uma nova eleição. Com relação ao estado, tenho de agradecer ao governador, que construiu uma ponte no bairro Caetés, através da secretaria de Saúde recebemos diversos recursos, então o estado também fez a sua parte. Quanto ao Benedet, eu tive o prazer de recebê-lo em meu gabinete, e disse pra ele que não estava me referindo a pessoa dele, mas a instituição da Segurança, que não poderia responsabilizar Camboriú pelos crimes que estavam acontecendo em Balneário na época, isso eu não iria permitir. Só que ele reconheceu que, se todo prefeito que brigasse com ele, trabalhasse o quanto eu trabalhei, ele estaria satisfeito. Eles precisam botar na cabeça que polícia na rua é para cuidar de bandido, e pra cuidar de segurança a gente precisa cuidar do bem estar do nosso povo.

DIARINHO ? E como é o relacionamento com Balneário Camboriú?

Luzia – É um bom relacionamento institucional, que não pode ser confundido com relacionamento político-partidário. O povo escolheu o Edson Periquito (PMDB) como prefeito, então é com ele que eu tenho de tratar, então tenho sempre recebido os secretários dele, estamos conversando para fazer um projeto de saneamento básico em conjunto, o sistema de transporte coletivo, por exemplo.

DIARINHO – Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou neste primeiro ano?

Luzia ? Foi o tempo, muito chuvoso. A cidade tem 800 quilômetros de estradas sem pavimentação, e tinha duas patrolas apenas, uma velha e outra na melhor idade. Agora, com a aquisição de uma patrola nova, que a cidade nunca havia comprado em 125 anos de história, podemos trabalhar melhor nestas ruas sem pavimentação.

Diarinho ? Qual é o maior problema da cidade que você não conseguiu solucionar ou amenizar até agora?

Luzia ? O sistema viário, com certeza. A cidade cresceu, e está preparada para crescer muito mais. Temos 214 quilômetros quadrados e nosso sistema viário ainda é arcaico. Nós temos que atrair bons investidores, para que a gente possa dar qualidade de vida para a população, e para atrair estes investidores eu preciso de um sistema viário eficiente. Já está no nosso orçamento do ano que vem a contratação de uma empresa de engenharia de trânsito para planejar Camboriú para os próximos 50 anos. Eu sempre digo que as obras que farei dependem dos recursos que eu tiver, mas planejar Camboriú para os próximos administradores, isso eu farei. Temos que abrir o acesso do Rio Pequeno, no antigo traçado da BR-101, na divisa com Itapema, temos que construir a ponte do bairro São Francisco, que é fundamental, e fazer uma avenida Beira-Rio, contornado o rio Peroba. Além disso, precisamos ligar Camboriú a Brusque e a Itajaí.

DIARINHO – Você é a única prefeita na região. Isso é bom ou ruim? Mostra que existe pelo menos uma mulher na politica da região ou que existem poucas mulheres?

Luzia ? Existem poucas. Na região da AMFRI (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí-Açu), eu sou a primeira mulher prefeita, nenhum destes municípios nunca elegeu uma mulher. Eu acho que as mulheres têm de sair do pano de fundo e vir para frente de batalha. Nós somos mais sensíveis aos problemas sociais, nós agimos muito mais com a razão do que com a emoção. Dificilmente você vê uma mulher temperamental e os homens são muito temperamentais, nós recuamos muito mais fácil para avançar depois. Na administração, eu tenho a mesma responsabilidade que tenho com meus filhos.

DIARINHO ? Este é o seu primeiro cargo eletivo. Depois de prefeita, você pretende seguir para um cargo no legislativo, ou quer permanecer no executivo?

Luzia ? Eu gosto muito de política, em primeiro lugar, e não suporto politicagem. Com o mesmo desejo que tenho de ser prefeita de Camboriú há 30 anos, não sinto nenhum desejo de galgar cargos no legislativo, mas eu sou soldada do meu partido. Se lá na frente, o partido precisar, eu estarei à disposição, mas eu não tenho o perfil do legislativo, e sim de executivo.

DIARINHO ? Você acredita que hoje Camboriú está mais preparada para enfrentar uma tragédia climática como a do ano passado?

Luzia ? Está mais preparada sim. Aquilo nos serviu para fazer dragagem de rios, desaçoreamento de valas, abrir novas galerias, então estamos bem mais preparados. Tomara que não aconteça, mas estaremos prontos se acontecer. Hoje temos uma defesa civil estruturada, os pontos de risco cadastrados, as famílias que moram em área de risco, estamos mapeando todo o município. Infelizmente, nós só aprendemos as coisas nas tragédias.

DIARINHO – Quais são as principais obras que você pretende entregar à comunidade no ano que vem?

Luzia ? Primeiro, a Policlínica do Centro, que abrigará a Clínica da Mulher, da Criança, Laboratório, além de um auditório que trará cursos de especialização para os médicos, e será a sede da secretaria de Saúde. A segunda será a UPA, unidade de pronto atendimento, que será instalada no Monte Alegre, para dar conforto à população do distrito, que não precisará mais vir até o centro para ser atendida. Além da saúde, vou priorizar a pavimentação, em parceria com a comunidade. A prefeitura paga uma parte, a comunidade paga outra, para diminuir a quantidade de ruas sem asfaltamento que temos. Estas serão nossas duas prioridades.

DIARINHO ? Se você tivesse que dar uma nota a si mesma, pelo seu primeiro ano de governo, que nota daria?

Luzia ? Eu daria nota 8. Acho que cumpri minha meta, trabalhei com transparência e envolvi a comunidade na administração. Comprei muito equipamento, enfrentei a enchente, tive o apoio incondicional da Câmara, e por isto estou satisfeita. Nota 10 eu nunca serei, por que toda a unanimidade é burra.

?Eles precisam botar na cabeça que polícia na rua é para cuidar de bandido, e pra cuidar de segurança a gente precisa cuidar do bem estar do nosso povo?

?As obras que farei dependem dos recursos que eu tiver, mas quero planejar Camboriú para os próximos 50 anos?

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