• Postado por Tiago

Os “cumpanheiros” do mal

Decididamente, o presidente “L I” tem uma incontida vocação para colocar-se ao lado de todos aqueles, “cumpanheiros” ou não, que de uma maneira ou de outra praticam atos de agressão à moral, à ética, e aos bons costumes.

Há dias defendeu, sem nenhum constrangimento, a “cumpanheirada” enterrada até o pescoço no mensalão, em seguida lutou com todas as forças pela manutenção do uso indiscriminado dos “cartões corporativos”.

Há quatro anos reduziu o uso do “caixa 2” à categoria de ações corriqueiras, simples “recursos não contabilizados”.

Agora, a propósito de defender o Congresso, o mesmo que para ele mantém mais “de trezentos picaretas”, agora surpreendido na farra das passagens aéreas, faz repentes: “Se o mal do Brasil fosse esse, o Brasil não teria mal”, atribuindo à apropriação indébita o caráter de prática natural.

Até parece que, para o presidente, roubar é uma coisa comum, um novo conceito na administração das coisas públicas.

Tal posicionamento não é resultado de uma ocorrência imprevista que esteja impondo uma justificativa de improviso, até pelo contrário, pelas manifestações seguidas evidencia-se o evoluir de um raciocínio fruto de uma visão desfocada das coisas.

Já em julho de 2007 a coluna registrava essa visão obtusa do ser presidencial:

“O leitor deve estar lembrado daquele pequeno instrumento cilíndrico, em cujo fundo há fragmentos móveis de vidro colorido, os quais, ao serem refletidos sobre um jogo de espelhos angulares dispostos longitudinalmente, produzem um número infinito de combinações de imagens de cores variadas.

Bastava um pequeno movimento ou uma sacudidela para que as imagens e cores se alterassem formando uma nova composição e aguçando a imaginação do observador no sentido de buscar-lhe um significado ou explicação.

Exatamente por esta sucessão rápida e cambiante (de impressões, de sensações) é que hoje recordei o caleidoscópio ao coletar, no noticiário nacional, inspiração para esta crônica.

Basta um pequeno movimento político, ou uma pequena sacudidela de um ou outro parlamentar, ou grupo, para que uma nova modalidade de falcatrua contra as coisas ou interesses públicos seja revelada, refletida tal como num jogo de espelhos angulares repetindo ora protestos de inocência, ora justificativas de ignorância, ora acusações de traição, ora completo silêncio da parte acusada.

Vejam-se quantas imagens já foram apresentadas no nosso imaginário pequeno cilindro cujo fundo é o cenário político nacional: o achaque do Valdemiro Diniz ao Carlinhos Cachoeira, a propina recebida ao vivo e a cores pelo funcionário do Correio, o mensalão, o mensalinho, os sanguessugas, os aloprados, os dólares na cueca, a chácara do Palocci, a quebra do sigilo do caseiro, a dança no plenário as pontes e demais obras da Gautama, os caça-níqueis e agora o “lobbie” do Vavá…”

Assim é que sobre tais fatos já ouvimos, por várias vezes, a fala presidencial que agora é ampliada com novas pérolas: “isso é utilizado desde que o Congresso é Congresso” e mais “é preciso parar com a mania de que somente no Brasil acontecem essas coisas”, “aqui ninguém é freira” e vai por aí.

Tal posicionamento coloca a autoridade presidencial em posição oposta àquela que constitucionalmente lhe é designada, qual seja a obrigação de no exercício da chefia da Administração Pública coibir a corrupção no país.

Da forma em que estão sendo apresentadas as posições presidenciais oferece-se a possibilidade da conclusão de que o homem é chegado mesmo a uma boa farra.

Diante destes fatos é que reafirmo o escrito há dois anos: “Estou com saudade dos caleidoscópios da minha infância, lá pelo menos as imagens eram mais limpas e podiam ser desmanchadas a qualquer momento”.

Mas, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.

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