• Postado por Tiago

Considerações sobre “cuspir no prato”

Convidado pela Associação Empresarial a colaborar em trabalho que se propõe a relatar o desenvolvimento da nossa cidade de Itajaí no período iniciado após a fundação daquela entidade ocorrida no ano de 1929, passei a realizar pesquisas referentes aos anos compreendidos entre as datas de 1955 a 1965.

Conseqüência da leitura dos documentos e relatos elaborados no período compreendido pelos limites da pesquisa foi a conclusão que já naquela época o porto e suas condições de operosidade constituíam a grande preocupação daquela entidade, representativa dos interesses econômicos itajaienses.

Assim é que encontrei vários registros de ações junto aos poderes públicos, todas voltadas para a atividade portuária, tanto no que se refere às suas condições naturais – profundidade do canal de acesso, bacia de evolução, dragagem de forma a permitir o acesso de navios de maior calado – mas também naquelas referentes à sua operosidade – organização da administração, equiparação de repartições públicas envolvidas na atividade aduaneira – e providências outras de interesse da atividade.

Embora envolvido na referida pesquisa não deixei, entretanto, de acompanhar o noticiário local que na semana passada foi invadido por uma série de notas, comentários e artigos a respeito da recuperação das instalações portuárias grandemente danificadas na última cheia que assolou a cidade e cujas providências devidas e prometidas não foram tomadas pelo Poder Público.

Do que foi publicado está a merecer que se coloquem os “pingos nos is” a referencia à afirmação revelada pelo colunista “JC” de que “Os petistas de Itajaí avaliam que todo esforço em prol do porto é válido e por isso não medem esforços para ajudar o governo municipal a trazer recursos do governo federal. …Alegam que o problema é a presença de Paulinho Bornhausen que dificulta o diálogo com o governo”.

E mais, “o que os petistas estranham é porque o governo JB não usa outros interlocutores como o deputado Pizzolatti, que é do partido de Bellini e da base do governo Lula em Brasília”. “Não fazemos questão que seja tudo com a Ideli, o Décio e o Vignatti, mas também não precisa colocar uma figura tão polêmica e destrutiva como o Paulinho Bornhausen” porque “…o deputado veio aqui em uma postura desafiadora, descendo a lenha no governo federal, que está despejando dinheiro na cidade. Para os petistas, é cuspir no prato em que se está comendo.”

Considerando que desde a enchente, ocorrida em novembro do ano passado, a queda no movimento do porto de Itajaí vem acarretando um prejuízo mensal de cerca de R$ 40 milhões na economia do município, segundo informe apresentado na coletiva de imprensa realizada pelo prefeito Jandir Bellini, baseado nos cerca de 25 mil contêineres que deixaram de ser movimentados mensalmente desde o ano passado, prejudicando cerca de cinco mil trabalhadores, considerados apenas os envolvidos na atividade portuária.

Parece-me que a recuperação da plena capacidade do porto é de interesse de toda a comunidade o que impõe a reunião de todas as classes, profissões e interesses para um mutirão objetivando tal finalidade.

O momento não é de siglas, nem ideologias e muito menos simpatias e antipatias, pois se trata da sobrevivência de uma atividade que representa 70% da economia do município gerando rendas e receitas para um sem número de atividades paralelas e dependentes indiretas dos recursos movimentados.

Sem tais recursos, deixam de existir os valores para o pagamento de salários, aluguéis, comissões, cestas básicas e dinheiro para compras, mensalidades, quitação de impostos, água, energia e toda a imensa lista de despesas mensais obrigatórias incidentes sobre a população.

Exatamente por este fato é que o problema interessa a todos, população trabalhadora, empresários, comerciantes, profissionais liberais, governos, tanto municipal, quanto estadual e principalmente o federal.

Principalmente o federal por ser o que mais arrecada quando há movimento de mercadorias pelo porto, o que exclui o caráter de “benesse” das verbas destinadas à recuperação de uma atividade que também lhe proporciona recursos.

Assim, se há alguém que “vira a gamela” onde come, é quem não socorre os que lhe dão sustento.

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