• Postado por Tiago

O “Grito de Ipanguaçu”

Encontrei dias atrás, em minha caixa de e-mails, um texto intitulado “O viajante”, cuja autoria foi atribuída ao comentarista Joelmir Beting e continha as seguintes afirmações e constatações: “Se beber não dirija. Nem governe.”

“Até aqui, em 40 meses de governo, o presidente Lula já cometeu 102 viagens ao mundo. Ou mais de duas por mês, tal como semana sim, semana não. Sem contar, ora pois, as até aqui, 283 viagens pelo Brasil. Hoje, dia 15, ele completa 382 dias fora do país desde a posse.”

“E pelo Brasil, no mesmo período, 602 dias fora de Brasília.”

“Total da itinerância presidencial, caso único no mundo e na História: Exatos 984 dias fora do Palácio do Planalto.”

“Governar ou despachar, nem pensar. A ordem é circular. A qualquer pretexto. E sendo aqui deselegante, digo que o presidente não é (nem nunca foi) chegado ao batente, ao despacho, ao expediente. Jamais poderá mourejar no gabinete, dez horas por dia, um simpático mandatário que tem na biografia o nunca ter sentado à mesa nem para estudar, que dirá para trabalhar.”

“E o povão ainda aplaude e vota.”

Julguei oportuna a transcrição do texto desde o momento em que li no noticiário algumas afirmações do “viajante”, feitas no Rio Grande do Norte, mais exatamente na localidade de Ipanguaçu, a 215 quilômetros de Natal, na oportunidade da inauguração de uma escola técnica, no dia 20 de agosto passado.

Ali, o ser presidencial, aproveitou a platéia de jovens, não para incentivá-los aos estudos e aperfeiçoamento profissional, mas para entusiasmá-los a entrarem para a política, aconselhando: “Quanto estiver desanimado da política, aquele dia em que estiver lendo jornal e falar ‘não quero mais saber dessa porcaria’, pense: porque você não entra para a política? – Quanto mais pessoas sérias se afastarem da política, mais picaretas vão entrar nela.”

Mas não foi esse tópico do discurso presidencial que despertou a lembrança do texto de Joelmir Beting, o impulso foi dado no momento em que, o “viajante” atacou, talvez por entender a profunda relação com a cerimônia de inauguração de uma escola técnica, o comportamento dos políticos de oposição ao governo, afirmando: “A oposição, quando não tem argumento para fazer oposição é pior do que doença que não tem cura. Fica inventando.” Talvez tenha sido esta a frase mais instrutiva, no entendimento de seu autor, para a formação dos jovens arregimentados para “prestigiar” o acontecimento.

E numa exibição de erudição citou um antigo ditado árabe para comparar sua atitude diante dos ataques da oposição: “Enquanto os cães ladram, a caravana passa. E eu tenho que governar este país.”

Finalmente chegamos lá! O LI reconheceu que tem que governar este país e o fez publicamente. Não poderá mais alegar que não sabia.

Resta saber se o futuro governante tem conhecimento das responsabilidades contidas no exercício do verbo governar que é prática bastante diversa daquela de “fazer política”, única atividade de que se ocupou desde o inicio de seu primeiro mandato, lá pelos idos de 2003.

O país não é um sindicato. O sindicato se dirige, o país deverá ser governado. A atuação sindicalista pressupõe uma classe em busca de melhorias e estabilidade no seu sustento. Já a atuação do governante de um país haverá de levar em conta a estabilidade do estado, o bem de todos os indivíduos que integram a sua população e se agrupam em varias classes as quais, nem sempre tem interesses coincidentes, cabendo ao governante conciliá-los em nome do bem comum.

Ainda há esperanças que os constantes “tours” internacionais tenham proporcionado conhecimentos suficientes para encaminhar-se o progresso desse país com base nas constatações feitas no decurso das inúmeras viagens pelo interior do seu território.

Por tudo isto é que a “declaração de Ipanguaçu” assume foros de marco histórico, devendo ser elevado à condição semelhante ao “grito do Ipiranga”, numa pirotecnia tão ao gosto das atuais “elites” no governo.

O Governo Jandir e a ausência de práticas modernas de gestão pública

*Níkolas Reis

Lí na coluna do Gilberto Dimenstein, na folha de São Paulo de domingo (16/08/2009), um texto interessante sobre como, em diversos lugares do mundo, a conexão de políticas públicas, observadas pela sociedade, reduzem significativamente índices como os da violência urbana.

Citou como exemplo o bairro do Harlen, em Nova York, onde recentemente o presidente Barak Obama esteve para ver in loco o sucesso das ações e inaugurar o programa “bairros do futuro”.

Aqui no Brasil o assunto e a forma não são novos, e diversas são as publicações que dão conta de exemplos promissores de controle da coisa pública, difusão dos instrumentos democráticos e consequente eficácia na prestação do serviço público, repito, com redução, inclusive, de índices de criminalidade.

Em Itajaí, uma parceria com a ONG Fala Guri, que enfoca a inclusão política do jovem, permitiu a criação do programa Escola Aberta, destinado a abrigar crianças e adolescentes nos finais de semana nas suas escolas, com o fim de lhes proporcionar momentos de lazer e cultura, com acompanhamento de profissionais da arte e educação física, além da participação de pais.

O que se pode chamar de ócio acompanhado, também foi objeto de outro programa, denominado Segundo Tempo, onde a criança e o adolescente praticavam esportes no contraturno escolar.

Ainda que timidamente, tais programas trariam, em médio prazo, resultados efetivos na vida da comunidade, não só pelo alcance que tinham em seu público alvo que eram os jovens, mas também pela participação dos pais e da comunidade neste processo.

Recentemente, e apenas a título de exemplo, inaugurou-se em Itajaí o Observatório Social, outro instrumento fantástico de controle não governamental na gestão da coisa pública.

Quase que simultaneamente, aprovou-se na Câmara Municipal legislação que cria o Portal da Transparência e exige do Executivo Municipal a publicidade de todos os seus atos (consoante dispositivo constitucional), inclusive gastos com pessoal, valores, etc.

Talvez receosos, os titulares da nossa Prefeitura ainda não colocaram em prática tal legislação, dificultando o trabalho da sociedade que quer fiscalizar e ajudar na execução. Da mesma forma, interromperam, no todo ou em parte, programas importantes como os citados acima.

Quem perde com isso não são apenas as comunidades beneficiadas, mas todos nós que pagamos a conta.

As cidades inteligentes citadas por Dimenstein, apontadas por Harvard em um manifesto, e os exemplos que já deram certo e chamaram a atenção da academia são simples e enfocam o uso da tecnologia para integrar serviços de cultura, educação, saúde, lazer, esporte e trabalho, aumentando e trazendo eficácia na prestação destes serviços à população.

O prefeito Jandir elegeu-se acompanhado de várias siglas partidárias, muitas delas com vieses sociais-democratas e até de esquerda.

Ainda assim o que se vê, em oito meses de governo, é a ausência total de programas e atitudes que se encaixem nos valores modernos de gestão pública e de preparação de Itajaí para o futuro, prevalecendo puramente a arcaica e nefasta ocupação de cargos por estas siglas. Espera-se que a coisa mude.

*Vereador do Partido dos Trabalhadores

  •  

Deixe uma Resposta