• Postado por Tiago

Em busca da “cola” original

Os acontecimentos políticos nacionais, noticiados nos últimos meses, têm trazido ao conhecimento do público uma imensa variedade de comportamentos contrários às regras de decoro, honestidade e até mesmo reveladores de uma gravíssima ausência de educação moral.

Para tranquilidade de todos, esclareço que há deseducados e mal-comportados em todas as siglas partidárias, tanto naquelas agrupadas para compor a “base aliada” do governo quanto nas demais que se uniram “em oposição”.

A incidência é tamanha que até parece ter-se estabelecido, como condição “sine qua non” para investidura em mandato político, o despir-se de qualquer resíduo de moral e compostura eventualmente adquirido no tempo que antecedeu a consagração nas urnas de cada um dos eleitos.

A hipótese até faz lembrar antiga história dos tempos de infância, cujo relato acabava por explicar o hábito canino de sempre cheirar o rabo de seu semelhante. É que nos tempos em que os bichos falavam espalhou-se a notícia de que seria realizado, no céu, um grande baile somente para os caninos. Na data estabelecida, com grande afluência dos seres do gênero, foi exigido, em nome da higiene e sanidade, que todos teriam de deixar seu rabo na entrada, recebendo uma senha para a retirada do tal apêndice na saída.

Corria a festa animada quando um “buldogue” de maus bofes resolveu tomar satisfações de um “pitbull”, resultando, como sói acontecer em toda briga de cachorro grande, em um grande tumulto que provocou a debandada de todos em busca da saída. Pela correria não houve tempo de serem trocadas as senhas pelos rabos respectivos, tratando cada um de garantir um rabo qualquer para recompor o seu físico. Daí a busca, até hoje, da sua “cola” original.

Mas voltemos aos nossos políticos que, embora tenham “rabos”, não costumam ostentá-los. Consequência do noticiário é afirmar-se que nós eleitores somos culpados pela baixa qualidade intelectual, moral e social dos nossos representantes no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores, pois teríamos votado neles.

Pergunta-se: e seria possível votar em outros? É sabido que somente poderão ser votados os inscritos pelos partidos. E o eleitorado opinou sobre a elaboração da lista de candidatos?

Sendo negativas ambas as respostas, onde fica a culpa do eleitor? Ainda mais que o voto é obrigatório, ficando o eleitor faltoso submetido a uma série de penalidades e sem o direito a qualquer benefício, redução ou transformação da pena, tal como se tem aplicado aos assaltantes, estelionatários, assassinos, traficantes de drogas e até mesmo aloprados, mensaleiros e sanguessugas, falando-se até em anistia para os cassados.

Nem falaremos dos suplentes. A propósito, só para ilustrar, o leitor sabe quem são os suplentes dos atuais senadores catarinenses?

Mas se o eleitor votou no partido, por se filiar à corrente filosófica escolhida para orientar as ações dos partidários quando eleitos, conforme se lê nos estatutos e programas partidários, o candidato seria um executor de tais políticas e filosofias, entretanto quantos já mudaram de sigla antes mesmo da posse? E são os eleitores os culpados?

Pergunta-se: não seria mais democrático e até republicano limitar-se o número de mandatos para cada pessoa? Dois mandatos, por exemplo. Depois dar-se-ia oportunidade para outro cidadão. Evitar-se-ia o profissionalismo.

Concordo com a necessidade de iniciar-se um movimento dos sem culpa, no sentido de melhorar as condições de vida social na terra brasileira, mas, por favor, vamos abandonar o “besteirol” dos costumeiros divulgadores do “achismo”, porque ninguém está procurando nada, pois já quase tudo foi roubado, começando pela tranquilidade pública. Por pensar assim, voltarei, com certeza, a abordar este assunto da necessidade de ações e providências destinadas a devolver a este país a ordem que jamais, em tempo algum, esteve tão ofuscada como nos últimos anos.

Entendo mesmo que se impõe uma grande reforma na sociedade, responsabilizando-se todos os que por ação ou omissão deixam rolar tudo isto que está aí, quando o dano não os atinge.

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