• Postado por Tiago

A dúvida continua!

Uma conclusão histórica muito repetida nos últimos tempos é a de que a prática de Paul Joseph Goebbels tem sido uma constante nas comunicações dos políticos brasileiros, tanto daqueles do governo, quanto dos outros, da oposição.

Paul Joseph Goebbels foi o Ministro do Povo e da Propaganda de Adolf Hitler (Propagandaminister) na Alemanha Nazista, que exercendo severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação, foi nomeado por Hitler, tornou-se o editor do jornal “Der Angriff “ (“o Ataque”), um jornal propagandista nazista, que se caracterizou pelas constantes publicações de difamações antissemitas.

Reside aí, nesta característica de repetidas publicações de matérias difamatórias, a atribuição a Goebbels da criação da tática de que “uma mentira repetida com insistencia e indefinidamente acaba se tornando uma verdade”.

Goebbels foi uma figura-chave do regime. Conhecido por seus dotes retóricos, tornou-se um dos líderes políticos nazistas mais destacados e que tinham concluído estudos superiores. Um dos primeiros e ávido apoiante da guerra, Goebbels fez tudo em seu poder para preparar o povo alemão para um conflito militar em larga escala.

Em 1922, Goebbels se aliou ao Partido Nazista, sendo o mais fervoroso de todos os apoiadores de Hitler, sendo mesmo ele que ficou junto do seu Führer durante os seus últimos dias de vida. Era o chefe da propaganda nazista e a sua fabulosa capacidade de organizar movimentos e de exprimir as ideias nazistas levou-o a ser o segundo homem mais importante da era “Nazi”.

Rejeitava o capitalismo, a democracia, que ele associava ao caos político da Alemanha na República de Weimar. Desprezava a modernidade. Tornou-se um antissemita fanático. Para ele, os judeus e os comunistas eram os culpados da crise economica e política.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele aumentou o seu poder e influência através de alianças, deslocando dirigentes nazistas. Em finais de 1943, a guerra estava virando contra os poderes do Eixo, mas isso só fez Goebbels estimular a intensificar a propaganda, exortando os alemães a aceitar a idéia de guerra total e de mobilização.

Destacadas assim as “virtudes” deste eloquente orador e incentivador do uso da propaganda para fins políticos, interesante se torna apreciarmos o desenvolvimento desta atividade no panorama político nacional da atualidade.

Ultimamente tornou-se lugar comum nos pronunciamentos oficiais o uso da expressão “herança maldita”, sem que fosse oferecido ao público um mínimo esclarecimento que permitisse a avaliação de tal legado ou mesmo de sua maldição.

Da mesma forma, se demonizam as “elites”, sem que se defina o que, ou quem se pretende agrupar sob a designação deste substantivo que está a significar o “que há de melhor em uma sociedade ou num grupo”, ou talvez, “minoria prestigiada e dominante no grupo, constituída de indivíduos mais aptos ou mais poderosos”, como se compreende na Sociologia.

Parece que a indefinição panfletária é conscientemente orientada para a ignorância do real significado das palavras usadas, o que leva a associa-las a uma ideia de malignidade que insistentemente repetida acaba por deturpar o verdadeiro significado do vocábulo.

Recentemente, foi trazida à ribalta da retórica política o vocábulo “troglodita”, que usado como adjetivo tem o significado do “que vive debaixo da terra ou em cavernas”, ou se usado como substantivo tem o significante de “membro de comunidade pré-histórica que habitava em cavernas”, restando a conotação, em ambos os casos, de coisa da antiguidade ou retrógrada.

Considerando o contexto em que se seu a reintrodução do vocábulo na moderna retórica política, quando o orador festejou a ausência da “direita troglodita nas próximas eleições presidenciais”, uma vez mais revela-se o pecado da omissão intencional, pois não é esclarecida a ação retrógrada dos seguidores daquela diretriz política.

A omissão dá lugar a buscas nas quais, por exclusão, se terá a certeza de que a insinuação sobre os desvios da libido dos candidatos não é uma prática da direita retrógrada, eis que dela já se apropriou a “esquerda” na sua propaganda eleitoral mais recente.

Portanto, a dúvida continua.

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