• Postado por Tiago

Os tradicionais “barquinhos de pau”

Uma das preocupações que mantenho, relativamente a esta comunicação semanal com os leitores do “DIARINHO”, é a de evitar a repetição da abordagem de assuntos aqui expostos em crônicas anteriores.

Entretanto, não poderia deixar passar a oportunidade, quando é noticiado que a Marejada deu um prejuízo de quase R$ 500 mil aos quais deverão se somados cerca de R$ 630 mil representados pela renúncia fiscal da prefeitura em favor das empresas que investiram na festa através das leis de incentivo que perdoam os valores que deveriam ser recolhidos a título de impostos.

Diante deste prejuízo, que já se tornou crônico, pois se repete há décadas, volto a manifestar, tal como já fiz em 2003, uma dúvida que me assalta há mais de quinze anos, relacionada ao motivo da repetição anual do acontecimento.

A “festa portuguesa e do pescado” não tem quase nada a ver com Itajaí. Os portugueses que aqui vieram deixaram, de há muito, estas terras cuja cultura e colonização tem muito mais a ver com italianos, alemães, belgas do que com os portugueses. Assim, pouco há de tradição portuguesa a evocar.

Sobra o pescado. Até o final da década de 60, o pescador itajaiense sempre praticou a pesca artesanal, e o resultado da faina pesqueira era colocado à venda na “Banca do Peixe”, situada atrás do prédio, ainda existente, do antigo “Mercado Municipal” e destinava-se, o pescado, ao consumo da população local.

O caráter econômico da atividade pesqueira no porto de Itajaí data de 1970, quando, por força de financiamento fácil, inúmeros “empresários” adquiriram barcos de pesca, construídos em estaleiros itajaienses existentes, os quais até então se ocupavam na construção de barcos de madeira utilizados no transporte de cargas em geral entre os portos de Itajaí, Antonina, Santos e Rio de Janeiro, cujas plantas, feitas as devidas adaptações e dimensionamentos, foram destinadas para a atividade pesqueira.

Em Itajaí há muito mais tradição na construção naval do que na atividade pesqueira propriamente dita. Evidencia-se, assim, que a tradição e a vocação – portuguesa e do pescado – são simples motes para a festa que teria, então, a finalidade do desenvolvimento do turismo com as suas repercussões comerciais e hoteleiras.

Relativamente ao turismo as praias da Atalaia, de Cabeçudas, dos Morcegos, dos Amores e parte da Brava não estão aparelhadas para tal atividade, carentes mesmo de qualquer estrutura. Fora destas atrações restaria o Morro da Cruz, o “Bico do Papagaio”, a ponta do Farol e…???

Parece que não há muito a divulgar de forma a exigir investimentos, tais como os recursos financeiros aplicados na “Marejada”, destinados à propaganda, contratação de atrações artísticas, de segurança, de limpeza e outras, pois não havendo tradição a cultuar nem atividade a divulgar, a “Marejada” se resume numa festa de “barraquinhas”, com banda de música e “arrasta-pé”, parque de diversões, venda de guloseimas e bebida, ressalvados os bolinhos de bacalhau e a sardinha “na brasa”.

Considerando que o resultado do movimento das vendas efetuadas no recinto da festa é destinado aos que exploram as barraquinhas e aos restaurantes, a contrapartida do município deverá se resumir na cobrança dos ingressos e aluguel de espaços.

Resumindo, o custo da festa e o da manutenção do “Parque da Marejada” representam despesa elevada para o município e, salvo melhor juízo, não proporcionam nenhum retorno, seja sob o aspecto social, comercial ou turístico, de forma a justificar o investimento.

A atividade está a merecer uma melhor avaliação, pois parece que estamos a colocar azeitona na empada alheia. Com a palavra os hoteleiros de Balneário Camboriú, os comerciantes e confeccionistas de Brusque, o Parque Beto Carrero e outros.

Ah, quase me esqueço, para que não se diga que há implicância, fica o agradecimento de inúmeros cidadãos itajaienses residentes nas vizinhanças do “Parque da Marejada” pela observância das normas que disciplinam o uso de alto-falantes. O horário do repouso noturno finalmente foi observado, isto após 23 anos de agressões.

Parabéns aos organizadores e aos fiscais da fundação do Meio Ambiente – FAMAI. Ô_!_Ô

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