• Postado por Tiago

Prefa tá bolando projetos pra tirar a galera das áreas de risco

A enchente de 2008 pôs o dedo na ferida que é a falta de planejamento habitacional da cidade peixeira. Apesar das águas terem atingido quase todos os bairros, as consequências só foram tão graves pela quantidade de pessoas morando em áreas de risco. Depois de décadas de ocupação ilegal em áreas de preservação permanente, como margens dos rios e encostas de morros, e com a irresponsável conivência de políticos, a natureza cobrou a fatura da forma mais violenta. Projetos habitacionais visando a retirada das pessoas das áreas de risco até existem, mas o ritmo de execução é muito mais lento do a velocidade do fluxo migratório e a necessidade da população de baixa renda.

Anderson Pereira, 22, é um dos que não querem sair da beira do rio Itajaí-mirim. Ele mora com a esposa, um filho e dois enteados numa casa que, inclusive, tá recebendo melhorias e um segundo andar pra escapar da enchente. Neste ano que passou, ele levou mais um cagaço, quando as chuvas do inverno e início de primavera fizeram o leito do rio transbordar e chegar a 30 cm em sua casa.

?Eu morava com minha mãe no Promorar e comprei por R$ 15 mil a casa. Daí trouxe a namorada, que morava em Navegantes?, relata. Ele conta que perdeu todos os pertences na enchente e tiveram que ser resgatados de barco. Anderson foi cadastrado num programa do governo, mas as coisas custam a acontecer. ?Se eu ganhasse uma casa, até sairia daqui, mas enquanto isso, ficamos por aqui?, justifica. E como a situação provisória acabou virando moradia permanente pela ineficiência do Estado, os moradores exigem instalação de cabos de energia elétrica.

A secretária de Habitação, Neuza Girardi, admite que demorou muito para os governantes de Itajaí se ligarem na necessidade de uma política habitacional. No momento, estão em construção ou em fase de aprovação de projeto 1800 unidades habitacionais, entre casas e apartamentos, o que supriria 20% do atual déficit habitacional, de 7.600 unidades, mas do jeito que as coisas vão, quando as casas forem entregues, o déficit pode até ter dobrado. Pra correr atrás do preju, se é que isso é possível, Neuza conta que elaborou um projeto de fiscalização permanente nas áreas de preservação, que deve sair do papel no início do ano que vem. Serão 12 fiscais, uma assistente social e um coordenador que atuará em parceria com a Famai e Defesa Civil. Esta última também ganhou uma garibada este ano por causa da desgraceira. Eram apenas duas pessoas e um telefone em novembro do ano passado. Hoje, são cinco pessoas que ficam numa sede própria e fizeram o cadastro de 82 abrigos na city, a fim de não serem pegos de calça curta novamente. Mas nem as réguas pra medir o rio foram colocadas ainda, muito menos a superestrutura prometida pelo prefeito Jandir Bellini (PP), em janeiro deste ano.

Projetos habitacionais emperrados

?Sem este plano de contenção, não conseguimos fazer mais nenhum projeto habitacional, até porque não há mais terrenos públicos. Os poucos que a prefeitura tinha já foram ocupados ilegalmente, como no Promorar e Cordeiros, e um terreno novo custa de R$ 500 mil a R$ 800 mil, é muito dinheiro para uma época de poucos recursos por causa da diminuição de arrecadação?, justificou.

Uma das soluções encontradas pra falta de terreno rolou na comunidade do Imaruí. Um terreno foi doado pela empresa Imaruí Terminal Portuário pra transferir as pessoas da área de invasão pro loteamento São Francisco, na Volta de Cima. Lá serão construídas 316 casas ao custo de R$ 8 milhões. O projeto tá em análise na Caixa Econômica Federal e a previsão de início da construção é fevereiro. O projeto seria viabilizado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), mas agora tá no programa ?Minha casa, minha vida?.

O projeto do PAC mais adiantado é o Dona Nina, na Murta. São 80 casas, sendo que 38 já foram construídas e com previsão de entrega para o mês que vem. O Dona Mariquinha, no Cidade Nova, começou em 2001 e prevê a construção de 148 casas, ao custo de R$ 5 milhões. Faltam construir 89 casas porque as obras ficaram dois anos paradas. Este ano, a CEF aceitou um aditivo R$ 2,2 milhões e o prazo de entrega pulou pra junho do ano que vem.

No Matadouro, 219 famílias que moram no topo do morro serão remanejadas prum terreno na Contorno Sul. Serão 100 casas e 119 apês, mas a empresa Concretil desistiu de tocar a obra em virtude do atraso e de uma rocha que vai encarecer o custo. Será aberta nova licitação em dezembro para a obra de R$ 12 milhões.

No Ribeirão da Murta serão erguidos 79 casas e 144 apês ao custo de R$ 16 milhões. Por causa de problemas técnicos no edital, também vai atrasar. ?Mas não podemos postergar muito porque o Ministério das Cidades estipulou o prazo de 2010 pra entregar as casas?, disse a secretária.

Existe ainda um projeto Reação para remanejar as pessoas que estão desalojadas por causa da enchente. O projeto junto à Cohab é para 160 famílias na rua Mário Uriarte, nos Cordeiros. Hoje, estas famílias ainda recebem dindim do aluguel da prefa.

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