• Postado por Tiago

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Werner: ?Eu estou aqui sendo submetido a um crivo político?

Terminou em pizza o primeiro processo de cassação de um mandato na câmara de vereadores de Itajaí. Depois de uma hora e meia de sessão, o vereador Marcelo Werner (PC do B) se livrou das acusações feitas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de ter levado vantagem por ser sócio de uma empresa que prestava serviços pra prefa. A câmara ficou lotada de vermelhinhos do partido comunista, portadores de necessidades especiais e outros simpatizantes do mandato do vereador.

A sessão extraordinária convocada especialmente pra votação do perrengue começou poucos minutos depois das 9h, com os lugares reservados ao público quase lotados. No plenário, só o lugar do vereador Clayton Batschauer (PR) permanecia vago quando o presidente da casa, Luiz Carlos Pissetti (DEM), iniciou a sessão.

Enquanto os vereadores faziam as frescuras iniciais do começo dos trabalhos, mais pessoas foram chegando, entre elas a suplente de deputado estadual e candidata à prefa de Floripa na última eleição, Ângela Albino (PC do B), e outras lideranças do partido da foice e do martelo.

A sessão começou pra valer quando o relator do processo de cassação na comissão de ética, Renato Ribas (PSDB), foi chamado à tribuna pra ler o relatório que rejeitava a denúncia. O principal argumento apresentado pra acabar com o processo contra o vereador comunista foi o fato de Marcelo Werner ter participação de apenas 10% na sociedade da empresa contratada pela prefa. Segundo o entendimento da comissão de ética, o vereador não pode ser considerado proprietário da empresa porque não tem a maioria do capital social. Também não pode ser considerado controlador e nem exerceu cargo de direção. Estaria, portanto, limpo.

Pra completar, a comissão entendeu ainda que, mesmo participando da empresa, Marcelo Werner não obteve vantagem da prefa porque os contratos foram feitos através de licitação. Pela lógica da comissão de ética, como a licitação é pública, todos sabiam que o Marcelo Werner, quando ainda nem era vereador, era sócio da empresa que participou do processo de licitação.

Neste ano, a empresa teve um aditivo de contrato feito sem licitação, mas a comissão de ética entendeu que isso também não representava um perrengue, porque a cidade estava em estado de calamidade e as dispensas de licitação eram necessárias naquela época.

Sem noção

Depois do vereador Ribas terminar a leitura do relatório, opinando pelo arquivamento do processo, o presidente da câmara abriu espaço pra que os vereadores falassem. Quando parecia que o blablablá parlamentar nem ia rolar, o presidente da comissão de ética, vereador Laudelino Lamim (PMDB), foi até a tribuna só pra encher linguiça.

Sacou outro relatório, produzido pelo procurador da casa do povo, Ivan Macagnan, praticamente igual ao do vereador Ribas e leu o papéli por inteiro. Não bastasse o relatório que não servia pra nada, o peemedebista estourou o tempo estipulado e ainda, praticamente, anunciou o seu posicionamento favorável ao colega comunista, mesmo sabendo que a votação teria que ser secreta.

Depois desse showzinho bisonho, o vereador voltou a usar o microfone mais tarde, interrompendo a fala do presidente, pra anunciar que o governador do estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), tava inaugurando uma reforma de escola em Itajaí. Pissetti ficou cabreiro e o povo, sem entender nada.

Irresponsável

O advogado do vereador foi o próximo a se manifestar. Numa tese diferente da levantada pela comissão de ética, Luciano Zambrota, representando o vereador, disse na tribuna que a cassação de Marcelo Werner ia contra a democracia, contra a vontade do povo que o elegeu. Depois explicou que o vereador só não se desligou da empresa antes porque houve um atraso nos procedimentos burocráticos. Zambrota garantiu que, no começo do ano, com as férias, a papelada de desligamento do vereador da empresa não caminhou com a rapidez que seu cliente gostaria. No fim deu uma paulada no PT. ?Peço o arquivamento dessa representação irresponsável?, lascou. Ele só esqueceu que Marcelo Werner foi eleito no começo de outubro de 2008 e teve todo esse tempo pra sair da empresa e não saiu. Os vereadores também não questionaram e ficou por isso mesmo.

O último a falar foi o acusado. Marcelo Werner disse que estava sendo julgado não por ter cometido uma ilegalidade e sim por interesses políticos. ?Eu estou aqui sendo submetido a um crivo político?, lascou. Emocionado, o parlamentar não falou muito em defesa própria e apenas fez o protocolo de deixar os colegas à vontade para votarem conforme suas consciências.

Mometos de tensão

Na sequência, o vereador Pissetti deu início à votação secreta, feita em cédulas. O vereador Elói Camilo da Costa (PMDB) protagonizou o ?momento de tensão? da sessão, quando questionou se o acusado deveria ou não votar, bem na hora que Marcelo Werner se preparava pra depositar o voto na urna. Pissetti disse que a assessoria jurídica da câmara tinha pesquisado o tema e que o voto do vereador comunista tava liberado. Depois da contagem, o resultado de 11 votos contra o processo de cassação e apenas um a favor manteve o vereador comunista no cargo e deu início a comemoração dos simpatizantes no plenário.

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