• Postado por Tiago

Nesta semana inicia a conferência do clima em Copenhague, a COP 15. Cento e cinco chefes de Estado prometem participar da etapa final da conferência, que vai durar ao todo duas semanas. Vários analistas já apontam este encontro como o mais importante do século.

Alguns apostam que a conferência será um verdadeiro fiasco, outros preferem até chamar a capital da Dinamarca de “Hopenhague” de “hope”, esperança em inglês.

A reunião é cercada de dúvidas e polêmicas. Os países pobres acusam as nações desenvolvidas de ficarem cada vez mais ricas graças à exploração de reservas de petróleo, gás e carvão, sendo estas as grandes responsáveis pelo lançamento de gases do efeito estufa na atmosfera. A questão é que hoje países em desenvolvimento respondem por mais da metade das emissões do planeta. Segundo as Nações Unidas, todos os países têm um papel a desempenhar no combate ao aumento da poluição

É evidente que o aquecimento global tem como culpado o próprio Ser Humano, mas vários pesquisadores criticam as incertezas que rondam os dados e modelos climáticos existentes. Segundo os negacionistas o aquecimento global não é um problema. Estes inclusive acenaram sobre uma suposta fraude de dados por cientistas, mas até o momento ninguém conseguiu provar absolutamente nada.

Estados Unidos e China deverão ser membros cruciais entre os cerca de 193 países que participarão do encontro em Copenhague. O presidente Barack Obama se mostra aberto a negociações e sobre a possibilidade de alterações na matriz energética do país, o que também pode ser mais um discurso diplomático. O atraso dos EUA nas negociações recai no Senado norte-americano, que não aprovou a lei de mudanças climáticas. A proposta de lei prevê uma redução de 17% das emissões em 2020, com relação ao ano de 2005. Isso significa 0% de redução em relação a 1990 – o ano base do protocolo de Quioto.

Com sua enorme população e ritmo vertiginoso de desenvolvimento econômico, a China ultrapassou os Estados Unidos há dois anos como maior emissora de gases do efeito estufa. A proposta chinesa é de reduzir até 2020 a quantidade de dióxido de carbono emitida por unidade de produto econômico em 40% a 45% em comparação aos níveis de 2005. A oferta chinesa, que se concentra em eficiência de energia, contrasta da estratégia dos Estados Unidos e da maioria dos outros países de reduzir o total de emissões.

O Brasil é o único país emergente importante que adotou metas comparáveis aos países desenvolvidos. No entanto, ao mesmo tempo em que cobra comprometimento na redução das emissões de gases de efeito estufa, o Brasil discute, internamente, mudanças no código florestal que vão contra a preservação do meio ambiente. Existe uma clara dissonância entre discurso internacional e prática interna. Isto logicamente enfraquece a participação do país, que pretende assumir um papel de liderança na COP-15 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).

Santa Catarina também demonstra que está no caminho totalmente contrário das expectativas mundiais de proteção ao meio ambiente. Em abril deste ano, uma lei sancionada em Santa Catarina reduziu a faixa de preservação das áreas de mata ciliar ao longo de cursos d’água de 30 metros (mínimo determinado pela lei federal) para até 5 metros. A legislação que recebeu amplo apoio dos agricultores catarinenses é duramente criticada por cientistas e ambientalistas, que avaliaram que a regra pode colocar em risco matas ciliares e contribuir ainda mais para as enchentes, como as que mataram 135 pessoas em novembro de 2008. Certamente com as mudanças climáticas cada vez mais evidentes a tomada de decisão do governo catarinense trará prejuízos incalculáveis. Com certeza as gerações futuras irão cobrar um dia os prejuízos do futuro em relação a ignorância que vivemos no presente.

No entanto, temos que ser otimistas, visto que nunca nestes 17 anos de negociações sobre o clima tantas nações diferentes adotaram compromissos tão sólidos. Quase todos os dias países anunciam novas metas ou planos de ação para cortar as emissões de carbono. Segundo a ONG ambientalista Greenpeace, ainda falta vontade política para o sucesso da COP15. “As negociações sobre mudança climática nunca tiveram um ambiente tão favorável e isso não pode ser desperdiçado”.

Marcus Polette

* geógrafo, oceanógrafo, pós-doutor em Ciências Políticas, doutor em Gestão Costeira Integrada e mestre em ecologia e recursos naturais

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