• Postado por Tiago

Vivemos o tempo da globalização. É possível tomar café brasileiro, numa xícara chinesa, vestido de algodão indiano, fumar charuto cubano e tratar de negócios pela internet com um norte-americano na varanda de casa, afirma Edgar Morin. O que acontece no Brasil imediatamente toma-se conhecimento também na China. A integração das economias gerada por uma nova ordem mundial levou com que diferentes países aumentassem de forma cada vez mais rápida e contínua a circulação de pessoas e mercadorias. No entanto, este processo também acarretou problemas nos modos de vida das populações, degradação ambiental, e as doenças se tornam globalizadas.

O primeiro caso de globalização de uma epidemia foi a peste ateniense em 430 de nossa era. Esta originou-se provavelmente na África e a peste se propagou para a Grécia em embarcações que comerciavam com grãos, através da Pérsia.

A peste Negra, em 1347, acabou com um terço da população europeia, sendo resultado direto do comércio internacional. No século XVI, a conquista dos impérios asteca e inca constituiu um primeiro exemplo de guerra bacteriológica involuntária por meio da introdução da varíola e do sarampo em populações que nunca tinham sido expostas a esses males.

Provavelmente, nesse intercâmbio microbiano, é possível que Cristóvão Colombo tenha levado a sífilis das Américas para a Europa. Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, somente nos últimos 10 anos foram identificados mais de 39 agentes patogênicos em locais onde não existiam ou onde já tinham sido erradicados. Todos contagiosos, mas nem todos mortais.

Em 2002, a revista National Geographic fez um breve relato sobre a globalização recente de doenças no mundo:

– O ebola é um dos exemplos mais conhecidos, ainda que, no final das contas, a violência deste vírus acabe prejudicando a si próprio. Ele destrói as vítimas humanas com tanta rapidez que reduz e muito suas oportunidades de se transferir de uma pessoa para a outra;

– Os vírus aparentados da dengue hemorrágica e da febre amarela – ambos supostamente eliminados na década de 1940 – hoje voltaram a ser encontrados em muitas regiões da América do Sul e da América Central, e recentemente registraram casos de dengue no Caribe e no Sul dos Estados Unidos. Devido ao aumento de pessoas no planeta – e, portanto, dos locais de reprodução para o mosquito -, há todas as condições para a eclosão de um desastre de proporções hemisféricas

– A malária, que segundo estatísticas mata 1,2 milhão de pessoas por ano, sendo mais da metade crianças, também adquire resistência aos medicamentos atuais.

– Nos últimos 25 anos, pelo menos 20 doenças importantes reapareceram sob formas novas e mais letais ou então em formas imunes aos medicamentos. No mundo todo, os cientistas descobriram pelo menos 30 enfermidades humanas desconhecidas e sem cura. Entre elas estão a doença de Marburg e a Aids.

Momento interessante este atual. Vivemos em um mundo globalizado. A recessão mundial está para durar. O clima está mudando cada vez mais, com o aquecimento do planeta. As doenças, por sua vez, também viajam e ameaçam tornar-se um problema de segurança internacional. Consequência: aquilo que antes era um foco restrito a uma determinada região passou a ser um problema facilmente importado pelos países espalhados pelo mundo. E ainda tem gente que ainda se preocupa apenas com o próprio umbigo!

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