• Postado por Tiago

Neste ano de 2010 o município de Itajaí comemora os seus 150 anos de criação segundo a Resolução n° 464, de 04 de abril de 1859 da assembléia Provincial de Santa Catarina.

Itajaí é o local onde o passado, o presente e o futuro se unem em uma única linha do tempo, sendo o rio a sua referência maior, pois foi o rio que lhe deu o nome. “Táa-hy”, “Tajahug” e “Itajaí”. Existem controvérsias sobre a origem do nome, pois para alguns, Itajaí é o rio do taiá (animal de dentes afiados), para outros, a palavra Itajaí significa o rio das pedras.

Rio este que trouxe para os primeiros colonizadores a esperança de um porto seguro no maior estuário das terras da Bela e Santa Catarina. Neste lugar paradoxal, foi onde tudo iniciou e onde tudo termina, pois o rio aqui jaz. É o lugar, onde se pode conviver em harmonia com a natureza, mas com o medo provocado pelo rio que parece subir sem parar em tempos de mudanças climáticas globais.

Itajaí foi formada por gente de São Francisco do Sul, de Florianópolis, da Armação do Itapocorói, de São Miguel da Terra Firme, e majoritariamente lusoaçorianos, que formaram o primeiro grupo de moradores conforme os relatos do historiador Prof. Prof. Edison d ’Ávila. No entanto, esta não é mais apenas o lugar das minhocas da terra, mas também dos catarinenses do interior, de paulistas, de mineiros, de gaúchos e de estrangeiros. Todos que aqui chegam ficam para contribuir para o desenvolvimento deste pedaço sagrado de chão.

Itajaí é um pedacinho de terra de muitas coisas. Seus bairros contam um pouco da ligação deste local com a sua origem, com a relação da natureza, e com os seus credos. Esta é a terra com nomes indígenas daqueles que aqui primeiro chegaram: da Itaipava, do Ariribá e da Canhanduba; é a terra dos animais: dos Cordeiros, das Cabeçudas (a tartaruga), do Imaruí (do mosquito), e do Canto do Morcego. É a terra da Fazenda, das suas frutas e das plantas: do Limoeiro, das Laranjeiras e dos Espinheiros; é terra dos seus Santos: do São Judas, do São João, da Nossa Senhora das Graças, e da Santa Clara. É também a terras riquezas, pois temos aqui um Brilhante.

Itajaí é também a terra para quem gosta de trabalhar e do bom ócio também, pois aqui se poder ver o tempo passar. É a terra para ver navios, transatlânticos, e barcos pesqueiros que vem do além mar. É até lugar para ver o movimento da balsa que parece nunca terminar.

É terra das tradições, pois quem aqui nasce é “papa-siri”; é “peixeiro”. É terra em que ainda se vislumbra um passarinho na gaiola a passear; de comprar peixe fresco no mercado, de surfar no Atalaia, na Brava, e de sentir o cheiro do mar e do rio pelo ar.

Só em Itajaí tem Revista de Literatura Papa Siri, e uma Sopa de Siri. Um DIARINHO. Ah! o DIARINHO, seja qual for o curioso ou o leitor, o rico, o pobre, o religioso, ou não, o letrado, o iletrado, o velho ou o jovem, quem é que não ousa ler e saber qual será a surpresa do dia? Criticado como vulgar, nomeado de popular, seja lá o que for, o DIARINHO é a expressão máxima de Ser Itajaiense. Aqui nestas páginas está um pouquinho, só um pouquinho da ingenuidade, mas da simplicidade, de certa dose da malandragem, mas muito da inteligência e da criatividade de quem tem o pleno entendimento da realidade, de quem tem personalidade. Afinal quem tem coragem e atrevimento de copiar o que não pode ser copiado.

Para finalizar não posso negar como paulista que sou, que esta terra me acolheu e aqui encontrei também, um pedacinho da minha querida “Sampa”. A Marcos Konder será um dia a avenida Paulista; a Olímpio Miranda Junior, tem os ares da famosa e charmosa rua de grifes: a Oscar Freire dos Jardins. O calçadão é a rua Direita, a rua do comércio. Se lá tem o Mercadão Municipal, aqui temos o nosso querido Mercado Público. Nada faz falta para quem mora aqui.

Itajaí é sim o lugar do futuro. Os gigantes azuis de aço do Porto de cá e os de lá dos simpáticos “Dengo Dengos”, que um dia foram também itajaienses, estão agora sempre a nos vigiar, como se tivessem vida própria. Os edifícios aqui ganham também espaços e volumes em todos os lugares, e a cidade ganha um novo contorno no céu. Estamos agora sujeitos a todas as dimensões espaciais e temporais inimagináveis. Este é sim o centro de um universo que só depende de cada um de nós para ser um lugar ainda melhor.

Mas, como é difícil fazer uma ode para este lugar, até porque não sou escritor, poeta ou proseador, mas de uma coisa tenho toda a certeza: Como é bom viver neste lugar!

Marcus Polette

* geógrafo, oceanógrafo, pós-doutor em Ciências Políticas, doutor em Gestão Costeira Integrada e mestre em ecologia e recursos naturais

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