• Postado por Tiago

polettemarcus@gmail.com

Nesta última coluna do ano resolvi fazer uma avaliação de alguns fatos bons e ruins deste ano de 2009. Para isso estabeleci apenas dois critérios: a nota 10 para o que marcou positivamente o ano, e zero para as ações e atitudes negativas. No entanto, dar notas é um problema, pois traz consigo um critério pessoal, e isso nem sempre agrada a todos.

Mas, como eterno otimista, avalio alguns fatos que a meu ver, podem ser considerados como grandes experiências, estudos de caso, e oportunidades geradas. Já os fatos negativos, acredito que possam ser reavaliados no próximo ano, afinal temos que acreditar que as ações humanas possam ser reavaliadas e corrigidas de forma constante. No próximo ano podemos estabelecer algo mais democrático a fim de que o leitor possa auxiliar na eleição do que tivemos de melhor e o pior das áreas social e ambiental de 2010. Vamos lá então:

Nota 10:

– Para o Conselho de Meio Ambiente – CONDEMA – de Itajaí que tem a sua frente um competente representante da sociedade civil organizada;

– Para a corajosa e brilhante proposta de criação do Parque Estadual de Taquarinhas em Balneário Camboriú;

– Para Marina Silva, que foi para o Partido Verde, e com certeza vai elevar o nível das eleições presidenciais de 2010;

– Para Tuvalu, o pequeno país arquipélago que está literalmente afundando, e que roubou a atenção de todos na COP 15;

– Para a retomada do Comitê do rio Camboriú;

– Para o Ministério Público Federal que atua em Santa Catarina, pois é uma fonte de esperança para a sociedade;

– Para a revitalização da orla de Itapema tendo como base os preceitos do Projeto Orla e do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro. Um exemplo a ser seguido por outros municípios costeiros;

– Pelo esforço do Comitê Itajaí em discutir de forma profissional e transparente os problemas das enchentes de 2008;

– Para o presidente Lula, que sancionou no dia 28 de dezembro a lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas. A lei mantém a meta de redução das emissões nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020; e

– Para a iniciativa: Green Agenda da Câmara Municipal de Itajaí que pretende ser um Programa de Neutralização de Carbono, visto que segundo estudos realizados esta despeja, por ano, aproximadamente 10 toneladas de gás carbônico (CO²), na atmosfera.

Nota Zero:

– Para o frágil sistema de licenciamento ambiental vigente. Infelizmente a sua estrutura e funcionamento são inseguros e oferece margem para a corrupção ativa;

– Para a qualidade, ainda imprópria, das praias de Santa Catarina neste início de verão do início da segunda década do século XXI;

– Para o Relatório de Oportunidades e Investimentos publicado pela Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, que desafia o desenvolvimento equilibrado e sustentável do Estado;

– Para os Relatórios na forma de diagnóstico apresentados pelo Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro. Estes são inconsistentes e inconclusivos no que se refere a realidade dos municípios costeiros catarinenses;

– Para a construção do estaleiro de plataforma de petróleo orçado em US$ 600 milhões em Biguaçú. O projeto está no entorno de três unidades de conservação federal (APA do Anhatomirim, Estação Ecológica de Carijós e da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo). Existem outros locais no estado muito mais adequados para esta proposta;

– Para a COP 15 – Conferência do Clima que terminou em fracasso. Infelizmente os líderes mundiais não cumpriram seu papel fundamental de proteger os mais vulneráveis dos efeitos perigosos das mudanças climáticas.

– Para o vergonhoso Código Ambiental de Santa Catarina que restringe a faixa de proteção dos mananciais de trinta metros para cinco metros;

– Para a MP 458. Esta medida presenteia todos aqueles que fizeram grilagem na Amazônia com a regularização de terras ocupadas ilegalmente;

– Para a ocupação e verticalização excessiva da Praia Brava em Itajaí. Os projetos não respeitam a capacidade de carga física, ambiental e social da região;

– Para a influenza A, ou Nova Gripe, doença respiratória causada pelo vírus A(H1N1), matou em 2009 milhares de pessoas em todo o mundo; e

– Para o projeto que redemarcou o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior unidade de conservação ambiental de Santa Catarina. O projeto mudou os limites do parque, e permitiu em alguns pontos a sua ocupação.

Marcus Polette

* geógrafo, oceanógrafo, pós-doutor em Ciências Políticas, doutor em Gestão Costeira Integrada e mestre em ecologia e recursos naturais

  •  

Deixe uma Resposta