• Postado por Tiago

A COP-15 é assim denominada por ser a 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esta será realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro em Copenhague (Dinamarca) e vem sendo esperada com grande expectativa pelos governos, Ongs, empresas e cidadãos comuns interessados em entender como o planeta irá resolver a ameaça do aquecimento global, um grande tema para a sobrevivência da humanidade. A cúpula tem por objetivo chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que não foi ratificado pelos Estados Unidos e expira em 2012.

No cenário mundial, o Brasil continua sendo o quinto maior poluidor do planeta, atrás de China (7,5 bilhões de toneladas), Estados Unidos (6 bilhões), União Europeia (4,6 bilhões) e Indonésia (2,3 bilhões).

Com o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, as emissões de gases de efeito estufa no Brasil aumentaram 62% em 15 anos, entre 1990 e 2005. Este aumento, no entanto, é muito inferior ao da Índia e da China visto que nesses países as emissões mais do que dobraram. Mas o percentual brasileiro é mais do que o dobro da média mundial de aumento do lançamento de gases responsáveis pelo aquecimento global, que foi de 28% no período.

A emissão brasileira supera também a média do crescimento das emissões da parte não desenvolvida do planeta, de 61,3%. O país lançou carbono na atmosfera num ritmo mais acelerado do que o crescimento da economia. No mesmo período de 15 anos, o PIB brasileiro cresceu 47,4%.

Neste cenário, a posição que o Brasil irá levar para a Dinamarca foi elaborada pela Comissão Interministerial para o Clima, criada há cerca de três anos pelo governo federal para elaborar o Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas. A meta definida pelo Brasil é a de reduzir as emissões de gás carbônico – entre 36,1% e 38,9%.

A meta nacional de corte foi aprovada em votação no Senado como parte da Política Nacional de Mudanças Climáticas e vai agora à Câmara, a tempo de ser convertida em lei antes do encontro de Copenhague. Mas, cabe destacar que representantes da indústria e do agronegócio, governo e oposição rejeitaram uma emenda da senadora Marina Silva (PV-AC), que propunha corte de pelo 20% das emissões até 2020.

Segundo o documento, as mudanças climáticas no Brasil podem acarretar perdas econômicas que podem chegar a R$ 3,6 trilhões até 2050. O estudo brasileiro foi Inspirado no Relatório Stern britânico que em 2006 calculou o custo da mudança climática em 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A pesquisa brasileira parte de cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para calcular o impacto do aquecimento global nas contas do país.

Segundo o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, “Pela primeira vez, um estudo sério quantifica setores da economia e regiões do país que serão mais impactadas pelas mudanças climáticas. É bom que se diga que, mesmo que todos os países façam o dever de casa – o que não é nada óbvio – algumas mudanças serão inevitáveis e algumas regiões do país vão sofrer muito”. Ainda segundo o ministro, “as áreas de baixadas, tais como a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, já sofrem com inundações, e provavelmente terão situação pior com o aumento do nível do mar, previsto para 40 centímetros daqui a 30 anos”.

Minc afirmou também que é necessário pressionar as autoridades, a área da ciência e da tecnologia para que estudos criem condições para que o país esteja preparado para essas mudanças, pois elas virão e irão afetar a vida das futuras gerações.

A uma semana do início da conferência do clima, o secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, Yvo de Boer, disse que “não há plano B para Copenhague”. “Só há um plano A. E A quer dizer ação”.

Estas ações representam um conjunto de decisões que esclareça definitivamente quatro pontos: as metas de redução de emissões poluentes dos países ricos, os compromissos dos países em desenvolvimento e o financiamento de ações para combater o aquecimento global nos países menos desenvolvidos – além de clareza sobre como será disponibilizada a verba.

Marcus Polette

* geógrafo, oceanógrafo, pós-doutor em Ciências Políticas, doutor em Gestão Costeira Integrada e mestre em ecologia e recursos naturais

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