• Postado por Tiago

Os navios atuais estão cada vez maiores. O navio porta-contêineres Emma Maersk, por exemplo, possui 397 metros de comprimento e 63 metros de largura. Estima-se que pode transportar entre 11 mil e 15 mil contêineres. Transportando cargas específicas, os portos tiveram que adaptar equipamentos para transbordo ao longo da história, segundo as tecnologias impostas pelo comércio marítimo internacional.

As estruturas portuárias até o século XVIII e início do século XIX eram consideravelmente diferentes da configuração dos portos atuais. Formados por estruturas ou muros simples, às vezes com trapiches de madeira ou pedra, perpendiculares à costa, recebiam popularmente a denominação de ancoradouro ou atracadouro. As embarcações, por serem à vela na época, tinham dificuldade de fazer pequenas manobras, ficando fundeadas a certa distância da costa. O transbordo das cargas era geralmente efetuado por meio de pequenas embarcações, e suas variedades regionais de canoas.

Com o tempo, o transbordo da carga passou a ser realizado por equipamentos especializados, mecanizados, e de alta tecnologia. A evolução do transporte de mercadorias e o tamanho dos navios obrigou os portos a se adaptarem em tecnologia de precisão, fazendo com que alguns portos tornassem verdadeiros desertos de homens, pois os trabalhos executados por centenas de homens passaram a ser efetuados por máquinas cada vez mais automatizadas.

Os portos são classificados geralmente pelo local onde se encontram, pela capacidade de movimentação de contêineres, e ainda por outros aspectos. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD em 1992 classificou os portos segundo a sua geração:

Os portos de Primeira Geração (anteriores a 1950), serviam meramente de interface de transbordo de cargas entre o mar e a terra, com áreas de armazenamento. Os portos de Segunda Geração ofereciam serviços portuários e possuem uma maior compreensão sobre a função do porto, sendo considerado o centro de serviços e manuseio de produtos. Já os portos de Terceira Geração (depois de 1980) possuem um estreito laço entre o porto, a cidade e os seus usuários.

A tendência atual da maior parte dos grandes portos é a de se especializarem em determinados tipos de carga em função, principalmente da sua área geográfica interior. Deve ser considerado que a configuração geográfico-espacial dos portos está também relacionada com a sua evolução, e inclusive às suas formas de gestão e logística.

Um porto pode ser visto como um elo de logística, mas desterritorializador, inserido em uma cadeia logística setorizada. Este tipo de porto é concentrador de carga, servindo aos interesses comerciais das grandes empresas localizadas na sua área geográfica e estão subordinadas a um sistema logístico global. As operações são determinadas por lógicas de valorização que se situam fora do porto e de suas instâncias territoriais mais localizadas, administrativas e empresariais. O macroporto concentrador de cargas depende do desempenho econômico dos complexos industriais e das grandes empresas ou das estratégias globalizadas das grandes companhias de navegação.

O porto estruturado no âmbito do planejamento de um território que inclui sua área geográfica mais próxima funciona como um instrumento de desenvolvimento local e a inserção territorial do porto ocorre pela relação entre a infraestrutura existente na sua cidade. Assim, a cidade portuária se integra ao porto, que por sua vez, encontra nas estruturas sociais urbanas os recursos humanos e administrativos capazes de aprimorar os seus serviços, e desta forma, oportuniza a capacidade de gerar empregos e, por outro lado, a cidade recupera sua relação histórica com a paisagem e com o mar.

Itajaí e Navegantes são municípios privilegiados no que se refere a sua localização estratégica no litoral catarinense e brasileiro. No entanto, devem discutir, juntos, um modelo de gestão territorial portuária que possa ser mais integrador na sua longa cadeia produtiva e institucional.

A tendência logística do modelo de porto concentrador nos últimos anos, seleciona um número cada vez menor de escalas, o que implica na utilização de navios e instalações portuárias de grande capacidade. Essa opção leva a um desenvolvimento regional reduzido, e à geração de poucos empregos devido ao elevado grau de automação das instalações portuárias, sendo praticamente reduzido o processo de agregação de valores para as comunidades locais.

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