• Postado por Tiago

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou os principais indicadores socioeconômicos, para o Brasil e Grandes Regiões, obtidos a partir das informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD 2007 e 2008. Na semana passada, tivemos a oportunidade de analisar os dados referentes aos dados de natureza social e econômica. Nesta semana vamos analisar alguns aspectos relativos ao saneamento.

Destaca-se que mais de 1/4 dos domicílios brasileiros não possuem acesso à rede coletora ou fossa séptica. A falta de saneamento causa a morte de 15 mil brasileiros por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Segundo a Pnad houve mudanças significativas no Brasil desde a década de 1940, quando os primeiros números começaram a ser divulgados. Na década de 1960, por exemplo: água encanada, iluminação elétrica e rede coletora de esgoto eram privilégio de poucos. Apenas 21% possuíam abastecimento de água em casa e 38,6%, luz.

A rede de esgoto era na forma de fossa sanitária, sem tratamento adequado, e chegava a somente 126 cidades brasileiras, ainda contabilizadas como vilas, segundo dados de 1940. Entre as décadas de 60 e 70, apenas 13% das cidades tinham esgoto sanitário. Atualmente 51,1% dos municípios estão ligados à rede coletora.

Se considerarmos os resultados de 2007, o Brasil aumentou em 1,4 ponto percentual a rede coletora de esgoto em 2008. Agora, o Brasil possui 30 milhões de casas ligadas à rede coletora de esgoto (52,2%), enquanto 11,9 milhões (20,7%) utilizam fossa e 15,4 milhões utilizam outra forma de esgotamento sanitário ou não possuem.

A região Sudeste é, disparada, a que tem a maior porcentagem de domicílios atendidos com a coleta de esgoto, com mais do que o dobro registrado em outras regiões. Na Sudeste são 80,6%, contra 32,1 da região Nordeste, 33,4 da Sul e 37,6 da Centro-Oeste.

Em relação ao abastecimento de água, o crescimento tem sido lento. O ritmo de 2007 foi o mesmo do ano anterior: 0,1 ponto percentual, atendendo a 83,3% das casas brasileiras. A região que mais cresceu entre 2006 e 2007 foi o Centro-Oeste (acréscimo de 1,3%), mas no Mato Grosso, por exemplo, o abastecimento ainda atinge apenas 67% das casas. No Norte, a situação é ainda pior: apenas 55,9% das casas têm a rede; em Rondônia são 39,7% o menor índice do país.

Já a coleta de lixo atinge 87,5% dos domicílios brasileiros, um acréscimo de 0,9% em relação a 2006. O Nordeste segue como último da lista com 73,9% das casas atendidas. O pior Estado da região, e do Brasil, é o Piauí, onde apenas 54,1% das residências têm acesso ao serviço.

A pesquisa do IBGE aponta que em Santa Catarina caiu o número de casas com rede de esgoto. O estado está em 5º lugar, com 81,6% dos domicílios com rede coletora ou fossa séptica. No entanto, este percentual é preocupante, pois a maioria dos domicílios possui fossa séptica, sem a coleta e tratamento do esgoto. Cabe destacar que o estudo do IBGE não leva em consideração o tratamento de esgoto e, sim, a rede coletora. Na prática, estão incluídas nesta porcentagem todas as formas de coleta que não sejam esgoto a céu aberto.

Existem controvérsias nestes resultados, pois segundo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes) é estimado que cerca de 12% das casas de Santa Catarina têm esgoto tratado, atrás apenas do Piauí na tabela de pior índice do país. Isso significa que a maioria do esgoto produzido acaba poluindo lençóis freáticos, rios e mar. No entanto, é importante saber que, segundo a Fundação Getúlio Vargas, na última década, cerca de 700 mil internações hospitalares, ao ano, foram causadas por doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento. No ano de 2005 foram mais de 900 mil pessoas internadas. Em 2004 cerca de 46 mil pessoas morreram de doenças infecciosas e parasitárias, o equivalente a 3.833 pessoas por mês, 126 por dia.

A importância do saneamento é vital para qualquer população. Se o esgotamento sanitário atingisse 80% em 2010, a expectativa de vida do brasileiro passaria de 68,6 anos em 2002, para 69,8 anos em 2010. Infelizmente no Brasil o esgotamento sanitário ainda é visto, por parte considerável dos políticos, como uma infraestrutura em que a população não enxerga, logo não gera votos. Triste sina a nossa.

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