• Postado por Tiago

Na semana passada, o Brasil sediou na cidade de Florianópolis o Congresso Mundial de Viagem e Turismo (WTTC). O sucesso do evento é inquestionável e oportunizou também inúmeras reflexões acerca de como alcançar um turismo de qualidade para o Brasil e Santa Catarina.

Segundo o relatório publicado no congresso, a atividade do turismo catarinense representa 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, o equivalente a US$ 6,4 bilhões. O relatório aponta ainda que este setor gera 500 mil empregos no Estado, ou seja, 11,9% do total de empregos.

Em escala mundial, o setor do turismo nos últimos 50 anos foi provavelmente a atividade econômica que mais gerou transformações sociais e econômicas em inumeráveis vilas, cidades, e países de todo o mundo. Mudanças positivas e negativas. Segundo a Organização Mundial de Turismo – OMT, no ano de 2005 houve 808 milhões de desembarques de turistas internacionais em todo o planeta.

É inegável a participação estratégica do turismo na redução da pobreza – e sua resiliência frente a crises, tais como atentados terroristas e desastres ambientais. É um setor que amadurece ano a ano. Ao mesmo tempo em que o turismo qualitativo pode trazer benefícios, o quantitativo, no entanto, gera inúmeros problemas, por vezes até irreversíveis. O turismo quando praticado sem planejamento social e ambiental de longo prazo pode causar impactos negativos na sociedade.

O turismo quantitativo, por exemplo, ainda praticado em Santa Catarina nos meses de veraneio, é pernicioso, pois tende a destruir o ambiente e as paisagens que são a própria razão da atração do turista.

Cabe neste artigo destacar como uma cidade na Suíça conseguiu se destacar no turismo qualitativo, e que este exemplo possa servir como um caminho a ser seguido pelos tomadores de decisão que hoje atuam na área.

A cidade de Davos é a mais alta dos Alpes suíços. No século 19 possuía apenas oito mil habitantes e a prefeitura decidiu construir uma estrada de ferro para ligar a cidade situada a 1630 metros acima do nível do mar. Para isso, foi necessária a construção de inúmeros túneis e viadutos, assim como obras contra avalanches. A ferrovia foi inaugurada em 1909, sendo que esta por si só, já representa uma atração turística.

Davos ficou conhecida inicialmente pela moderna infraestrutura instalada para os cuidados com a saúde e ainda para com os cuidados com as doenças pulmonares. No início do século 20, foram concebidos sanatórios, sendo que a prefeitura local entendeu que qualificar ainda mais o corpo médico e a comunidade local poderia ser uma estratégia eficiente não apenas para os doentes, mas também para os seus acompanhantes. Bibliotecas e ludotecas foram construídas. Concertos de música clássica, museus, galerias de arte e conferências de renomados professores universitários e cientistas, tais como Albert Einstein foram frequentemente realizados na cidade. O resultado do atendimento à saúde foi tão positivo que outros países, tais como Alemanha, Inglaterra e Holanda construíram seus próprios sanatórios em Davos.

Com a descoberta dos antibióticos, os sanatórios perderam os pacientes e tiveram que fechar, um por um. Como guardar todos os ovos em uma cesta não é uma estratégia adequada, e a economia de Davos não era do tipo monoespecífica, a prefeitura passou a desenvolver mais o turismo de esporte, de congressos, de ciência e cultura. Sanatórios foram transformados em hotéis e a economia começou a crescer novamente.

Na primeira metade do século 20, a cidade possuía o maior campo de patinação da Europa. A infraestrutura para os esquiadores foi incrementada com inúmeras empresas turísticas que inovaram na construção de 55 teleféricos e bondes a fim de transportar milhares de esquiadores.

Em 1928, Albert Einstein inaugurou os “Cursos Universitários de Davos”. Estes cursos sobreviveram à II Guerra Mundial e são realizados ainda nos dias de hoje.

Foram ainda implementados na cidade inúmeros cursos universitários e colégios de nível médio. A Academia de Redação Alemã (Textakademie) e quatro Institutos de pesquisa científica levaram a cidade a ganhar o título de City of Science (Cidade da Ciência). O Fórum Mundial Econômico de Davos, realizado desde 1971, é o congresso mais conhecido nos dias de hoje e atrai anualmente políticos, empresários, acadêmicos, ativistas e artistas vindos de mais de cem países. A população de Davos é de 13 mil habitantes (a mesma de Bombinhas) e dispõe de seis galerias de arte e de cinco museus. Provavelmente, é uma das cidades turísticas mais dinâmicas do mundo. Um importante exemplo a ser seguido.

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