• Postado por Tiago

Imagine que você esteja vivendo em um país que está sendo literalmente engolido pelo processo de elevação do nível do mar, e cuja população está desesperada pela perda de seus lares, dos seus valores e referencias mais profundas. Pois este país existe e se chama Tuvalu, e durante a semana que passou em Copenhage foi o centro das atenções de toda a Conferencia.

Tuvalu é um país pequeno – formado por nove atóis de coral no Pacífico onde vivem onze mil habitantes. Grande parte das ilhas não passam dos 7 metros de altura. Tuvalu significa “grupo de oito”, pois oito são as ilhas habitadas. As ilhas foram inicialmente uma colônia espanhola, denominada Ilhas de Laguna. Na metade do século XIX seus habitantes foram transformados em escravos pelos espanhóis no Peru e no Chile. Com o nome de Ilhas Ellice, tornam-se protetorado britânico em 1892. Atualmente Tuvalu é conhecido por uma economia, no mínimo curiosa, pois o país iniciou a receber receitas resultantes da venda dos seus direitos ao código internacional de telefone e da venda do seu domínio de internet.

Tuvalu forma a Aliança dos 42 Estados Insulares (AOSIS) que militam para limitar o aumento das temperaturas do planeta a 1,5 graus, quando a maioria dos países defende os 2 graus. Isto ocorre, pois para as pequenas nações, este valor implicará serem destruídos pela subida das águas. Com o aumento de 0,8 graus em um século, o aeroporto de Tuvalu já ficou inundado na maré alta e com o incremento de 2 graus isto poderá implicará no sofrimento de muitas pessoas.

Como Tuvalu está desesperado, pediu um aumento das metas para todo mundo. Isso foi entendido como risco de acabar com o Protocolo de Kyoto e fazer outro acordo, em que Brasil, China, Índia e outros países tenham metas obrigatórias. Infelizmente, hoje, as metas são apenas voluntárias.

O negociador-chefe da ilha, Ian Fry, afirmou que o país não vai aceitar nada menos do que a discussão de um novo protocolo legal mais rigoroso que o de Kyoto. A iniciativa teve o apoio de outros integrantes da Associação dos Pequenos Países-Ilha, que inclui as ilhas Cook, Barbados e Fiji, além de países pobres da África, como Serra Leoa, o Senegal e Cabo Verde.

A proposta da AOSIS está baseada em quatro pontos: dois tratados legais (Copenhague e segundo período de Quioto), cortes fortes de emissões para todas nações (respeitando o principio de responsabilidade comum, porém diferenciada), finanças previsíveis e sem desvio dos cinco pilares do Plano de Ação de Bali, e que devem ser o “Coração do Acordo de Copenhague.

Segundo a ONG Greenpeace a proposta é “Um acordo justo, ambicioso e legal não e apenas essencial para a sobrevivência das pequenas e mais vulneráveis nações do planeta, mas para todos nos”

Vários países do G77 apoiaram a proposta de Tuvalu, que visa a limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC, e estabilizar as concentrações de gases que provocam o efeito estufa em 350 partes por milhão (ppm), em vez de 450 ppm, como querem os países industrializados e alguns em desenvolvimento, entre eles, o Brasil.

Segundo a jornalista Miriam Leitão: “o mundo em Copenhague está dividido de forma mais complicada do que estávamos pensando. Não é uma divisão entre pobres e ricos. A briga é entre ricos, classe média, petrolíferos, pobres, muito pobres e desesperados”.

Destaca-se ainda nesta semana a ex-ministra do meio ambiente brasileira, Marina Silva que empolgou a platéia e foi bastante ovacionada nos eventos da COP15, onde podemos destacar a sua visão clara e objetiva quanto ao Código florestal: “Não podemos permitir que o Código Florestal Brasileiro seja alterado, seja mudado, da maneira como estão tentando fazer no Congresso Nacional. Esse seria um retrocesso inaceitável”. Ainda segundo Marina, “é necessário abandonar esse modelo predatório imposto por alguns, pois não se pode pensar em crescimento com melhorias na educação, na saúde, no emprego, apenas baseado no uso dos combustíveis fósseis. É preciso pensar e trabalhar por um outro modelo de desenvolvimento”.

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