• Postado por Tiago

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Margareth via a vida da janela de seu apartamento

Os dias não serão os mesmos pra muita gente que vive nos arredores da igreja Matriz, ou passa diariamente pela esquina da rua Brusque com a João Bauer. Margareth Pires Pereira, aquela tiazinha que vivia na janela de seu apartamento em cima da lanchonete Garoto, faleceu no último sábado, aos 53 anos, vítima de enfarte. Ela deixou dois irmãos e oito sobrinhos, e foi enterrada no cemitério da Fazenda, onde já estavam seus pais e um irmão.

Margareth era uma espécie de guardiã do coração da city. Ela literalmente via a vida passar pela janela de seu apê e repetia o ritual diariamente. Com olhar atento, passava boa parte do dia admirando a igreja Matriz e o vai-e-vem do povão que passava por lá. Quando estava feliz, também se emperiquitava toda e cantava músicas da sua juventude.

Margareth sonhava em casar e ter filhos, mas isso não aconteceu. Em setembro de 2005, numa entrevista ao DIARINHO, a mulher da janela revelou que não descartava fazer inseminação artificial pra ter um bebê, mas não teve grana pra isso. O desejo dela era tão grande em ter um filho, que manteve um quarto com mais de 20 bonecas e ainda vestidinhos, berço, carrinho, lembrancinhas e enxoval completo pro seu tão sonhado bebê.

A peixeira era paqueradora, mas ao contrário das outras moças da sua época, não frequentava bailes. Ela preferia ficar na janela, à espera de seu príncipe encantado. Margareth morou sozinha durante 20 anos, sempre no mesmo endereço, e ficará na lembrança dos peixeiros que em algum momento passaram e avistaram ela curtindo seu mundo, da janela do apê.

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