• Postado por Tiago

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Depois de quase quatro meses da denúncia feita através do DIARINHO pelo portuário Ernando João Alves Júnior, 25 anos, as respostas começaram a aparecer. A Marinha confirmou irregularidades em cursos de qualificação profissional organizados pelo órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) do porto de Itajaí nos anos de 2007 e 2008.

Na terça-feira desta semana, Ernando recebeu uma cópia do relatório da sindicância aberta pelos bagrões da capitania dos Portos para apurar as denúncias que o portuário fez em junho deste ano. A Marinha confirmou que os diplomas foram emitidos, mas os cursos não foram dados. O delegado da capitania dos Portos, capitão Alexandre Herculano Pinto Malízia Alves, determinou que sejam recolhidos todos os certificados emitidos no período em que se constatou as sacanagens.

Ainda no relatório final, o capitão manda que as aulas sejam refeitas pelo Ogmo, com a obrigatoridade de uma lista de chamada durante o curso e a entrega dos certificados numa solenidade pública.

O relatório final da investigação foi enviado ao 5º Distrito Naval, que é o comando da Marinha para a região Sul e que fica no Rio Grande do Sul. ?Lá o relatório será avaliado e depois encaminhado ao gabinete da Marinha, em Brasília, que decidirá se há a necessidade de um processo judicial ou não?, explica o capitão Malízia.

Ogmo tá enrolando

O portuário Ernando procurou ontem o DIARINHO pra dar a notícia do resultado da investigação da capitania dos Portos. Ele elogia a Marinha, mas desce o sarrafo no Ogmo. ?A entrega da sindicância aberta pelo Ogmo já foi prorrogada três vezes e até agora nada?, reclama o portuário, que acredita que o órgão tá fazendo corpo mole.

Na edição de 26 de junho, o DIARINHO publicou a denúncia de Ernando. Ele apresentou três certificados de cursos de operador de empilhadeiras e disse que sequer sentou numa carteira de sala de aula para ter direito aos diplomas.

O portuário descobriu a maracutaia quando foi demitido do Teconvi, em janeiro de 2009. Ele trabalhou como operador de empilhadeira no terminal por aproximadamente quatro anos. No dia em que foi buscar os seus documentos pra zarpar, viu que tinha três certificados de cursos que nunca havia feito.

Os cursos foram bancados pelo governo federal e deveriam ter sido organizados pelo Ogmo. O trabalhador desconfia que a grana foi comida e os diplomas de araque foram emitidos pra fazer de conta que os cursos foram dados.

Ernando não quer deixar o caso passar batido. Já denunciou a vergonheira ao Ministério Público Federal.

Bagrões do Ogmo somente falam hoje

Luciano Angel Rodriguez, diretor executivo do Ogmo de Itajaí, confirmou que a conclusão da sindicância aberta pelo órgão foi prorrogada por três vezes. De julho passou pra setembro, que depois foi pra outubro. ?A comissão pediu a prorrogação porque precisava ouvir 12 testemunhas do caso?, alegou.

Hoje seria a data-limite para a conclusão da sindicância. Luciano acredita que até o final da tarde desta quinta-feira o relatório final da investigação esteja em suas mãos. ?Nós enviaremos o resultado da sindicância pra Marinha, pra autoridade portuária e também para o Ministério Público?, afirma.

A sindicância aberta pelo Ogmo pra apurar as irregularidades ficou sob responsabilidade de uma comissão formada por representantes de operadores e trabalhadores portuários.

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