• Postado por Tiago

Terapia do coice

Coitado do Bruno Perone nas mãos do técnico Roberto Fernandes e da direção do Figueirense, odiado pela torcida e enxovalhado pela imprensa. É um garoto, prata da casa, sofrendo as agruras que o futebol reserva aos que não caem nas graças dos donos da bola. Com um pouco de sensibilidade, o técnico poderia ter evitado aquela situação constrangedora para o jogador, vaiado pelo estádio inteiro na hora em que foi escolhido para entrar em campo no segundo tempo da partida contra o Paraná. Voltando atrás em sua decisão, Roberto Fernandes fez a emenda pior que o soneto. E depois de tudo, usar a mídia para pedir apoio ao Bruno é querer tapar o sol com a peneira. O estrago é irrecuperável e só há uma solução: negociar o atleta, antes que nem isso possa evitar que ele encerre precocemente a carreira. Esse mutirão desmoralizante superou aquele caricatural personagem criado pelo Luís Fernando Veríssimo, o Analista de Bagé, adepto da “terapia do joelhaço” no tratamento dos seus pacientes mais renitentes.

Os galpões multiuso

Leitor amigo manda dizer que foi ver os Globetrotters, os malabaristas do basquete, na Arena de São José. Bom espetáculo, arena lotada, mas precisando de algumas providências: na área VIP (R$ 60,00) a visão fica prejudicada pelo excesso de cadeiras e falta de fiscalização. Com o piso no mesmo nível, se o ocupante da frente for um pouco alto ou cabeção, o de trás não vê nada. Pior, os mal educados “de última hora” vão colocando suas cadeiras onde querem e aí vira um problema sério. E o pior: os americanos chiaram com o piso da quadra. Não se pode jogar basquete ou qualquer outra modalidade em piso de cimento. Tem que ser de um material especial que ameniza o impacto. Depois que inventaram as tais das arenas multiuso deu nisso. Os oportunistas de plantão empurram goela abaixo da população verdadeiros galpões sem o mínimo cuidado técnico e completamente fora dos padrões exigidos para competições ou shows de alto nível.

Fundo do poço

Quem diria, o Criciúma segurando a lanterna da série C graças à goleado sofrida em casa contra o Marcílio Dias, que vai esperneando para não sofrer um segundo rebaixamento na mesma temporada. A soberba de outros anos está derrubando fragorosamente aquele clube que já esteve entre os melhores do futebol brasileiro. Mais ou menos o que aconteceu com o Figueirense depois de sete anos na série A.

Devagar com o andor

Falta bem pouco para a seleção brasileira mostrar a verdadeira cara do nosso futebol. Ramires é o novo xodó da mídia sempre apressada, que acompanha de perto o circo montado na África do Sul. Dunga resistiu, mas acabou se rendendo ao futebol dinâmico e corajoso do ex-joinvilense. Agora é o jogador que precisa resistir ao deslumbramento que pode vir, provocado pela avalanche de adjetivos verbalizados nos microfones e páginas de esporte. Basta Ramires olhar para o lado. Bem perto dele está o Robinho, exemplo bem acabado do que faz a contaminação pelos elogios para quem a imunidade chegou tarde ou nem aconteceu. Vamos ver nesta quinta-feira, contra a África do Sul, se Ramires confirma as expectativas que aumentaram muito em torno do seu futebol alegre e eficiente.

Tapemos os ouvidos

A Fifa deveria proibir nos estádios aquelas cornetas sul-africanas chamadas de vuvuzelas. O barulho é insuportável e provoca prejuízos bastante abrangentes, como um apito do árbitro que pode não ser ouvido, poluição sonora nas transmissões de rádio e tevê e instruções dos treinadores impossíveis de serem passadas adiante. Como a entidade que comanda o futebol no mundo faz mais política do que administração, tudo indica que teremos que comprar tampões para os ouvidos na Copa do ano que vem. Outra insubordinação sul-africana é a utilização do telão paralela ao desenvolvimento do jogo. Parece que a idade afetou a audição e a visão dos senhores da Fifa, que não ouvem as vuvuzelas e nem enxergam os telões.

Covardia

O coordenador de arbitragens da CBF gosta de mostrar serviço ao chefe, punindo auxiliares e árbitros sem muito nome ou cacife. Enquanto isso, a chiadeira dos clubes e a impunidade aumentam a cada rodada.

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