• Postado por Tiago

A história da humanidade vem nos mostrar o que pode a ambição e o espírito destruidor do homem. A filosofia, as artes, a ciência nem sempre tiveram os resultados esperados. O homem constrói e o homem destrói, deixando cicatrizes no corpo e na alma dos derrotados. A grande cicatriz da história do século XX, com certeza, foi causada pela Segunda Guerra Mundial, quando o homem aproveitou os avanços da ciência para destruir e alcançar o poder. A intolerância levou a milhares de vítimas, que até hoje são lembradas não só pelos seus descendentes mas por todos os povos. O poder econômico e o fanatismo de um homem descontrolaram todo um sistema e provocaram a destruição da sua própria Pátria.

Esta semana, as notícias se espalharam por todo o mundo, destacando o evento mais extraordinário dos últimos tempos: a queda do muro de Berlim, que aconteceu em 9 de novembro de 1989. Esta data é tão importante quanto 1945, quando terminou a guerra e o socialismo entrou em colapso, permitindo descobrir a diferença entre liberdade e igualdade.

Após a Segunda Guerra Mundial, Berlim foi dividida entre os soviéticos e os americanos, franceses e ingleses, criando a República Democrática da Alemanha e a República Federal da Alemanha. Os berlinenses do oriente foram proibidos de cruzar a fronteira e um muro foi construído para evitar a entrada dos conterrâneos do oriente para o lado ocidental. No começo, uma grande cerca de arame farpado foi construída e logo depois substituída por um complexo de muros de três metros de altura com torres de vigia, alarmes acústicos ligados a uma cerca elétrica, cachorros corriam ao longo do muro, refletores iluminavam a faixa de controle e tantas outras providências para evitar que as pessoas escapassem. Famílias e amigos foram separados de uma hora para outra, impedidos de se visitarem. Muitos alemães orientais morreram tentando ultrapassá-lo.

O principal símbolo alemão, erguido para servir de caminho real aos prussianos, chamado Portão de Brandeburgo, ficou isolado na Berlim Oriental.

Após vinte e oito anos de separação, o muro foi derrubado pelo povo quando um oficial soviético anunciou que, a partir daquele momento, (9 de novembro de 1989) as viagens entre as Alemanhas Oriental e Ocidental estavam liberadas. Em pouco tempo Berlim foi tomada de euforia. Muitos não entendiam o que estava acontecendo entre os dois blocos, a União soviética e os países capitalistas. Milhares de alemães orientais vão até os pontos de passagem do muro e começam a derrubá-lo, sob os olhares dos guardas de fronteira, que nada fizeram para impedi-los.

Mas nem todos estavam preparados para enfrentar aquela nova realidade. Os alemães orientais, muitos membros do Partido Comunista, ficaram perdidos, sem emprego, acostumados ao regime de tantos anos. O governo da Alemanha Ocidental, no intuito de auxiliar os alemães orientais, ofereceu-lhes um salário até que pudessem se adaptar ao novo regime, atitude que não foi muito aceita pelos alemães trabalhadores.

Dos quilômetros de muro que dividiam as duas Alemanhas restam apenas alguns quilômetros que foram preservados como testemunho para a história. Muitos artistas foram convidados a deixar suas manifestações no muro da parte leste de Berlim que podem ser vistas pelos turistas quando visitam a cidade.

Ao visitar a Capela da Reconciliação, construída em 2000, pode-se observar o material simples utilizado, de madeira e argila, sem o uso do concreto que significava a construção do muro e que eles queriam esquecer.

Após 20 anos da queda do muro, a Europa está diante de um momento histórico, aumentando expressivamente o número de membros da União Europeia.

Hoje, Berlim é uma cidade moderna, com largas avenidas, respirando progresso por toda a parte, mas as cicatrizes que a guerra deixou ainda permanecem em vários pontos, mostrando de maneira concreta o que sobrou de um tempo que ficará na memória do povo.

No dia 9 de novembro deste ano, milhares de pessoas se reuniram à noite, no Portão de Brandeburgo, para celebrar a queda do muro de Berlim. Uma fileira de mil e quinhentos metros de peças de dominó foi derrubada para simbolizar o fim do comunismo na Europa.

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