• Postado por Tiago

A diferença entre o idoso e a criança é que um tem a experiência e a outra tem a esperança. A criança não tem consciência do que acontece ao seu redor, vai vivendo sem a preocupação do acontecer. O idoso já percorreu boa parte do rio da vida. A infância e a juventude ficaram para trás, muitos acontecimentos foram levados pelas águas que se acumularam neste final do rio e se transformaram em realizações. Novos sonhares povoam a mente dos idosos, a serenidade da alma faz navegarem com mais cuidado. Nada de acontecimentos apressados ao sabor dos ventos. Uma calmaria invade o coração e as ilusões se desvanecem. O amor maduro chega de mansinho e se aloja em sua vida sem tempo de acabar. Ele é mais sereno, a sintonia é completa e as lembranças ficam depositadas no álbum da saudade de um tempo que não volta mais. As forças, que já não são mais as mesmas, se escondem no interior da alma e conseguem se acomodar. Há um refazer de sonhos e com eles podem voar, alegrar-se em qualquer tempo, celebrando a vida. Depois de percorrer estradas, dobrar esquinas, depois de errar, de acertar, se arrepender, o tempo se foi. Na longa caminhada dos sentimentos aprenderam a somar, dividir e multiplicar.

Há os que dizem que a idade está na cabeça das pessoas, que o importante é ser jovem de espírito. O fato é que a juventude tem todos os encantos. Ter a emoção das primeiras descobertas é indescritível. O primeiro baile, o primeiro namorado, as grandes paixões, os desencantos do amor, nada é mais emocionante que o prazer destas descobertas.

Dizer que a velhice é a melhor idade não é verdade. Cada tempo tem o seu glamour. A vida despreocupada da juventude traz todas as certezas do mundo, tudo é belo impulsionado pelo vigor e pelo entusiasmo próprio dessa idade.

Às vezes os jovens não compreendem por que os idosos são mais frágeis, ficam um pouco esquecidos, adotam um ritmo mais lento, e não aceitam suas fraquezas. Esta intolerância talvez seja o medo de perdê-los, ou inconformados consigo mesmos porque não conseguem projetar um futuro semelhante. Acreditam na mocidade eterna.

O que acontece é a diferença dos tempos. Novas maneiras de ver a vida, mudanças de comportamentos, provocadas pelas descobertas tecnológicas e pelo aumento populacional, são os responsáveis por estes tempos novos.

As crianças têm uma tendência de desenvolver personalidades fortes, reflexo da evolução da família, quando a mulher deixou de ser mãe em tempo integral e passou a trabalhar fora do lar, lutando pela conquista de espaço no cenário profissional. A mãe continua dando o referencial dos cuidados, mas manda também a mensagem de desafio, tomando decisões e assumindo responsabilidades que antes eram do homem. Tentar se impor aos pais, fazer birra, são características comuns nas crianças. O sentimento de culpa que as mulheres carregam é considerado um dos responsáveis pela dificuldade em impor regras aos filhos. A criança precisa crescer consciente dos seus limites para evitar frustrações futuras. O acesso à informação e a conquista de maior autonomia pelas crianças tornam difícil controlar sua educação. A conversa e a negociação devem ser uma tentativa constante.

O mesmo acontece com os jovens de hoje. É difícil equilibrar liberdade e responsabilidade na difícil tarefa de educar. São desafios de um novo tempo. Os pais perdem o domínio da disciplina familiar que é o respeito básico para que os filhos aceitem regras tanto no lar como na escola, dificultando o desenvolvimento pleno para vencer na vida.

A sociedade mudou, mas os pais precisam rever atitudes, crenças e valores, procurando transmitir aos filhos apenas aquilo que é legítimo. Colocar limites é difícil, mas é fundamental para fazê-los homens dignos e respeitáveis, pois a sociedade vai cobrar os limites, as atitudes e os valores.

Na trajetória do tempo, quem mais sentiu as diferenças de atitudes foram os idosos, educados dentro de princípios definidos, com valores determinados e com sentimentos de solidariedade, de afeto, de respeito e de amor, desde os pais até a mais simples pessoa.

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