• Postado por Tiago

Esta semana a cidade se engalanou para dar início às festividades de Natal. A rua Hercílio Luz foi decorada com luzes e símbolos para alegrar e entusiasmar os itajaienses numa demonstração de que as procelas da enchente que quase arrasou a cidade foram superadas.

A Igrejinha da Imaculada está vestida de luz, exibindo suas formas elegantes e clássicas, causando admiração a todos os que passam pela praça Vidal Ramos. Atrás da igreja, as árvores antigas, tão velhinhas, tomam ares de festa, iluminadas e coloridas, para celebrar uma das datas mais importantes do calendário cristão. Um barco todo enfeitado esperava pelo Papai Noel para atender às crianças que quisessem dele se aproximar e receber uma palavra de carinho.

Este ano foi montado um esquema diferente para a chegada do Papai Noel. Um barco iluminado chegou ao píer trazendo o bom velhinho, caracterizando nossa tradição de cidade pesqueira. Fogos de artifício anunciaram a chegada do bom velhinho.

O mundo moderno, com sua tecnologia avançada, vai modificando os costumes, mas ninguém esquece de festejar esta data.

Durante todo o mês de dezembro, o espaço da rua Hercílio Luz, praça Vidal Ramos e o largo da Matriz ficarão em clima de festa, com as luzes e os enfeites convidando todos para festejar esta data tão importante para a cristandade, lembrando o nascimento de Jesus.

É um tempo em que se mesclam fantasia e emoção, religiosidade e prazeres materiais.

Embora algumas coisas tenham se modificado, a essência permanece. Atualmente as crianças começam a participar do Natal bem antes do dia da festa. Vão às compras com os pais e escolhem os presentes que receberão no dia de Natal. As casas e a árvore artificial são enfeitadas no começo do mês de dezembro.

O Natal da minha infância tinha um clima de magia que até hoje me fascina. O Papai Noel era chamado de “Velho Pompom”. Em vez de lâmpadas coloridas, eram velinhas de cera colocadas em pequenos castiçais presos aos ramos da árvore. O pinheiro verde era natural, colocado na sala somente na véspera de Natal e só era visto no momento em que chegava o velhinho de barbas brancas e vestes vermelhas, de seda, carregando uma sacola cheia de presentes.

Tudo começava no dia de São Nicolau, 6 de dezembro, quando o bom velhinho deixava guloseimas nos pratinhos enfeitados pelas crianças, com flores de boa-noite e matinho verde. Nós saíamos correndo para ver nossos pratinhos e vibrávamos de alegria ao encontrar aquelas guloseimas.

Na semana seguinte, outra expectativa – esperar a Santa Luzia, no dia 13 de dezembro. Nossos pais diziam que ela passava, com seu cavalo e, nos pratinhos novamente preparados com flores e capim, deixava rapaduras, cocadas e amêndoas de Natal (amendoim com cobertura açucarada). Novamente nossa imaginação voava para mundos encantados.

Durante o mês, as mães preparavam os licores e os docinhos secos para oferecer no dia da festa. Os docinhos eram guardados em latas e escondidos no armário para que as crianças não vissem.

Finalmente, chegava a véspera de Natal. A sala era fechada para enfeitar a árvore. As velinhas acesas, as luzes eram apagadas. De repente, um sininho tocava, a porta se abria e as crianças entravam, maravilhadas, sentindo aquele clima de magia. Alguém tocava, numa gaita de boca, a canção “Noite Feliz”.

Depois de rezar, o Papai Noel entregava os presentes enviados pelo Menino Jesus.

Enquanto abriam os presentes, o velhinho desaparecia.

Tudo terminava com a Missa do Galo rezada na então Matriz do SS. Sacramento, a Igreja da Imaculada Conceição, onde um presépio era colocado no altar-mor para comemorar o nascimento do Menino Jesus.

* pedagoga, escritora, membro fundador da Academia Itajaiense de Letras, ex-diretora do Museu Histórico de Itajaí.

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