• Postado por Tiago

marlenedalva@matrix.com.br

A entrevista com as lideranças municipais realizada no último dia 11 com os jornalistas do DIARINHO, sobre o tema “Turismo e Patrimônio Histórico”, não correspondeu às expectativas de muitos leitores e acredito que também foi o que aconteceu com os entrevistadores. Chegou a decepcionar, desiludir, desapontar ou frustrar, com depoimentos e justificativas vazias, sem consistência e sem esperanças de soluções e propostas concretas para desenvolver um trabalho sério, definindo metas e prazos de conclusão para atingir os objetivos planejados. Tudo o que falaram foram conjeturas, opiniões, demonstrando falta de conhecimento sobre o valor do patrimônio histórico e sobre a integração com o turismo para incrementar esta indústria sem chaminé que alavanca o crescimento econômico de uma região. Como integrar o turismo com o patrimônio se o mesmo está completamente desprotegido, abandonado, pedindo socorro?

Nada foi dito que qualquer cidadão não saiba e exponha em conversas informais. Ora, todos nós sabemos que turismo não se faz só explorando o potencial das praias, lembrando que Balneário Camboriú possui apenas esse filão dourado da natureza para garantir seu desenvolvimento econômico. Não tem história, não tem um porto, nem atividade pesqueira para exibir e atrair o turismo.

Itajaí é uma cidade com potencial diversificado apoiado na cultura do povo, na riqueza que vem do rio Itajaí-açu, nas atividades marítimas que ele proporciona demonstrando a força do trabalho impulsionando o progresso, oferecendo ao turista sua frota pesqueira, o trabalho desenvolvido no porto e na construção naval, as manifestações de preservação do patrimônio histórico.

Responsabilizar os ambientalistas pela dificuldade na criação de uma marina no Saco da Fazenda e de um pólo turístico na praia Brava foi a desculpa apresentada que inviabilizou o projeto. Não é este um depoimento satisfatório. A proposta seria apresentar soluções viáveis para concretizá-las.

Quanto ao patrimônio histórico, os depoimentos foram os mais evasivos declarando que “o importante é criar regras claras”. Algumas regras que o poder público pode tomar é determinar, no plano diretor, o gabarito das construções nos espaços históricos para inibir a demolição e proteger os bens tombados.

Lamentavelmente vimos, durante as festividades natalinas, completa falta de sensibilidade dos órgãos públicos agredindo nosso patrimônio mais caro, a igrejinha da Imaculada, recentemente restaurada, danificando as suas paredes ao colocar aquele barco, de gosto duvidoso, para instalar o Papai Noel.

Por tudo o que foi exposto, percebemos apenas conjeturas e nenhuma ação. Nossos bens tombados estão há anos esperando solução para serem restaurados e a cada ano que passa se torna mais cara a recuperação.

O que deve ser feito, que atitudes devem ser tomadas? Cabe ao executivo tomar a iniciativa para promover a execução de um plano integrado de atividades turísticas e culturais, propondo parcerias com as lideranças comunitárias. Não foi anunciada uma proposta para concretizar um plano de restauração do patrimônio histórico, contando com a Univali, o poder legislativo e a associação empresarial, fiéis colaboradores quando solicitados. Cabe, também, ao executivo oferecer apoio aos proprietários de bens tombados para a restauração dos mesmos, buscando alternativas com propostas compensatórias. Restaurar é caro? Sim, por isso é preciso conscientizar a todos de que não se pode deixar o imóvel abandonado, que deve ser do interesse do proprietário conservar a sua propriedade. É importante expor as vantagens dos prédios tombados, do seu valor depois de restaurados, do retorno que trará com sua ocupação privilegiada, com a aparência externa valorizando o espaço e chamando a atenção dos passantes.

Espero que esta entrevista seja o início da concretização destas ideias, com nossas lideranças empenhadas em mudar o futuro de Itajaí, neste ano em que comemora seu sesquicentenário de emancipação política.

* Pedagoga, escritora, membro fundador da academia Itajaiense de Letras, ex-diretora do Museu Histórico de Itajaí

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