• Postado por Tiago

Na história da humanidade todos os povos deixaram sua marca de existência, desde o homem da pedra, descoberta pelos arqueólogos na difícil tarefa de pesquisar o passado. A China demonstra o orgulho de um povo milenar preservando os ritos e as tradições da sua história. O respeito por seus ancestrais é um dos toques que mais nos sensibilizam. A disciplina observada pode ser interpretada como a maneira de expressar a esperança de realizar um sonho possível entre povo e governo.

Assim como os chineses, muitos outros povos preservam seu passado milenar, mantêm suas tradições, seus espaços e construções, que são dignos da admiração de outros países. A Europa é o grande espaço onde são guardadas as relíquias da sua história. Castelos, monumentos, objetos são preservados, conservados, restaurados e até reconstruídos para manter a história dos seus ancestrais. Assim também podemos ressaltar os países da Ásia, com seus castelos de arquitetura exótica, seus costumes típicos, que tanto os diferenciam dos ocidentais.

Quando se conhece Veneza e Amsterdan fica-se admirada com a engenharia das construções executadas em terras abaixo do nível do mar, imponentes e bem conservadas, constantemente em obras de restauração para evitar sua deterioração. São obras de alto custo que o governo assume porque sabe da importância para sua história.

O propósito de conservar suas origens é tão importante que governo e povo se empenham em protegê-las, mesmo depois de grandes catástrofes, como podemos observar nas cidades destruídas pela guerra. Os conquistadores árabes, mouros, mulçumanos e romanos, embora tomando as terras há muitos séculos, preservaram as relíquias dos derrotados.

No Brasil, podemos observar, nas cidades de imigração portuguesa, alemã, holandesa e de outras etnias, a manifestação de suas origens nas construções que revelam o estilo trazido dos seus países. Só se lamenta que estas construções não estejam conservadas como acontece em outros lugares do mundo. A cidade de São Luiz do Maranhão, por exemplo, é um museu a céu aberto, tal qual a cidade de Florença, onde se pode observar o casario com beirais e paredes de azulejo português, mas sem a conservação necessária, como acontece na cidade italiana. As cidades do Recife e de Olinda, em Pernambuco, e Salvador, na Bahia, também tombadas pelo patrimônio universal, estão lamentavelmente abandonadas.

A conservação do patrimônio, de responsabilidade do IPHAN, é um processo lento e demorado, causando depreciação das unidades tombadas, prejudicando o desenvolvimento dos centros históricos e estimulando a sua demolição pela especulação imobiliária.

O que leva os outros países a conservar seu patrimônio arquitetônico e o nosso a descuidar da sua história?

É que conservar o patrimônio é questão de educação e de atitude. Um governo cidadão investe em política patrimonial para manter a memória dos antepassados, demonstrando responsabilidade e cumprimento da lei.

O povo que se orgulha do que é seu cuida da sua herança cultural.

A cidade de Curitiba, capital paranaense, é um exemplo de modelo em soluções urbanísticas, equilibrando os cuidados com o meio ambiente, a preservação histórica e desenvolvimento econômico.

Itajaí precisava olhar esta cidade como modelo para preservar a sua história. O que vimos são prédios tombados praticamente demolidos, os monumentos históricos completamente abandonados. E ninguém é punido por isso.

Itajaí teve um sonho com a elaboração do Projeto Borda d´Água levando o povo a voltar seu olhar para o rio Itajaí-açu, onde a paisagem é deslumbrante, mas até o momento não se realizou, pelo contrário, está cada vez mais longe de acontecer. A construção da Capitania dos Portos empanou a paisagem e o Centro de Eventos está de costa para o rio.

Por que este sonho não pode se realizar?

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