• Postado por Tiago

E o sol apareceu depois de uma semana de chuva que não parava, deixando-nos tristes, desanimados e até preocupados com o acúmulo de água encharcando os terrenos e provocando deslizamentos de consequências dolorosas. Ainda estamos traumatizados com a enchente que assolou nossa Cidade e todo o Vale do Itajaí no último mês de novembro.

Então, quando sol aparece, tudo toma ares de beleza e a alegria volta a encher nossa vida ao ver os passarinhos, inquietos, gorjeando no beiral das casas, as flores coloridas se abrindo nos jardins, as crianças tagarelas passando pelas ruas.

O sol nos enche de energias, melhora nosso humor, refaz nossos projetos e reiniciamos nossas tarefas com entusiasmo, provocado pelo calor e pela luz que vai se espargindo pelas horas do dia. A tarde morna vai aos poucos declinando no poente e a sensação de repouso nos envolve e nos convida a apreciar os efeitos da natureza dadivosa.

Todo esse esplendor nos leva a refletir sobre os caminhos da vida, a passagem do tempo, as experiências vividas, os resultados constatados. As crianças vivem suas experiências no campo das brincadeiras, os jovens buscam seu lugar no contexto social, os adultos avaliam o trabalho realizado e os idosos se acomodam na contemplação dos acontecimentos. Ninguém melhor do que o idoso para comparar e valorizar as vitórias de uma vida, pois já passou por todas as fases da existência.

É conhecido o provérbio que diz: “A sabedoria é filha do tempo.” Só o idoso é capaz de ponderar sobre os resultados advindos das mudanças sociais. A vida longa lhe trouxe sabedoria e ele sabe que, hoje, a música que ouvimos não tem a mesma melodia harmoniosa nem a sonoridade de uma voz na hora de cantar de outros tempos. É capaz de valorizar os talentos e a engenhosidade das criações artísticas. Ele se lembra do tempo em que os jovens se orgulhavam da aparência exterior, do prazer em ser gentil, do respeito devido às pessoas, principalmente às mulheres e aos idosos. Ele é do tempo do romance nas relações amorosas, do compromisso dos casais, da união da família que não existem mais. É do tempo em que se fazia questão da aprendizagem e do gosto pela cultura, do sentimento de patriotismo, do bom comportamento intelectual, do conhecimento literário e da boa leitura e do refinamento da linguagem. É do tempo em que havia prudência na hora de gastar, em que os jovens tinham a ambição em querer ser alguém na vida e de ser avesso à vulgaridade e a grosseria.

Constantemente se critica o idoso por não se adaptar aos tempos modernos. Não é que ele não se adapte, ele tem um cabedal de conhecimentos que lhe confere o discernimento para viver melhor, aproveitando o bom do passado e do presente. Aquele que sabe usufruir bem da experiência adquirida é sábio. Em contrapartida, o que refuta as mudanças do tempo torna-se rabugento e mal amado. Esta é a diferença entre o velho e o idoso. O velho não se adapta ao tempo em que está vivendo. O idoso é aquele que, mesmo com muita idade, sabe conviver com jovens e crianças, se alegra com os acontecimentos de cada dia, procura se envolver nas atividades do cotidiano dentro das suas limitações. Sua idade lhe confere o direito de dizer coisas que não lhe agradam, sem ser inconveniente.

O sol também é velho, mas é ele quem ilumina o dia, trazendo luz e calor, dosando suas energias num espaço de tempo que tornam as manhãs claras e amenas, as tardes aquecidas e o crepúsculo tranquilo.

Feliz do ser humano que chega a uma idade avançada desfrutando bem a sua vida, respeitando as pessoas em sua volta e sendo respeitado, admirado e amado, sentindo-se útil e aceito pelos que o cercam.

Feliz aquele que conservou sua dignidade e é reconhecido pelo seu testemunho de vida. Feliz do homem que, a exemplo do sol, soube iluminar e aquecer a todos com quem conviveu durante as diversas fases do seu viver.

Foi este dia de sol que me inspirou e me fez refletir sobre este tema que compara o sol com a nossa existência, o sol que faz as flores exalar perfumes, mesmo depois de serem maltratadas pelo vento e pela chuva.

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