• Postado por Tiago

Toda a ação humana tem uma dimensão de valores. Aí entram as questões éticas e das relações, isto é, como as pessoas se relacionam umas com as outras. Identificar problemas relacionados à ética e até mesmo à formação cultural de alguém é uma questão de princípios estabelecidos na sociedade.

“A consistência de um país depende da consistência da família.” Se as relações estão estabilizadas dentro de casa é possível educar com ética. Mas na medida em que os princípios de boa conduta desaparecem surge uma desarticulação. Se a família não orienta e não oferece padrões de valores, o futuro cidadão vai aprender com o mundo.

A escola é a segunda oportunidade para se praticar estes princípios fundamentados da ética partindo da própria formação do professor. Depois dos pais é na postura do professor que o aluno se espelha para se relacionar com toda a comunidade escolar e, por conseqüência, com mundo que o cerca. Se os jovens não tiverem boa formação de caráter, facilmente se deixarão influenciar pelos maus exemplos que se apresentam no mundo econômico, social e político, noticiado pelos meios de comunicação.

Todo o profissional tem compromisso com a ética, seja ele médico, professor, advogado, ou empresário, perante seus clientes e colaboradores. Os princípios da ética levam à credibilidade. Mas, muitas vezes, nos deparamos com a sonegação, a corrupção, subserviência.

O que se vê, atualmente, no Congresso Nacional é um exemplo, onde a falta de ética quase não existe. O servilismo é o prato principal nas relações entre os congressistas, que ficam praticando conchavos para tirar partido das acusações imputadas aos seus pares e receber benesses. O que foi dito ontem não seve para o hoje, se não tiver benefício para si próprio. O poder é tão grande que a pressão subjuga e a corrupção se alastra impedindo à consciência de impor os seus valores.

Vimos, por exemplo, o Presidente do Poder Legislativo se agachando ao Poder Executivo para se manter no cargo. E pior, que o Presente da República tenha subordinado a bancada do seu partido determinando que apoiassem o senador Sarney, argumentando que a sua saída colocaria em risco o seu governo. As discussões em torno de um novo nome para representar o Partido aliado do governo no Congresso levariam os situacionistas a honrar o seu passado e decidir que o atual presidente da Casa não tem condições éticas para continuar no cargo. Mas, provavelmente, isso não acontecerá, porque todos sabem, que daqui a pouco a crise vai cair no esquecimento. E para completar, todos sabem que alguns senadores podem ser atingidos com denúncias e têm o apoio inescrupuloso do senador Renan Calheiros, que também não devia mais estar naquela Casa Legislativa. Se Sarney permanecer no cargo ficará numa situação desconfortável, pois lhe falta credibilidade e ficará submisso aos desejos de um Presidente que nada fez para evitar a falência moral do Congresso.

Essa situação em que as acusações se sucedem, sem apurá-las para posterior punição, se repete em outras esferas da Federação. É uma total troca de favores que não trazem benefício nenhum à sociedade. A falta de disposição dos senadores para solucionar as denúncias que se acumulam no Senado revela o não compromisso com a moralidade e a ética. Alguns casos mais recentes comprovam até onde podem chegar os desmandos e a impunidade. O compromisso é sempre em favor do Partido e da política para se manterem no poder. Até parece que os políticos adotam a frase do ministro da propaganda de Adolf Hitler: “Repita a mentira mil vezes que ela vira verdade.”

É este o exemplo que o Poder Executivo e o Legislativo oferecem aos jovens para exercerem corretamente a cidadania. Até restabelecer a credibilidade vai ser necessário muito empenho dos futuros representantes do povo. E a pior atitude será o conformismo. A sociedade precisa reagir aos maus políticos, pois essa é forma de contribuir para o fortalecimento da democracia.

Para conseguir reverter este quadro é necessário muito mais investimento do que poderia ter sido com o empenho da família. É o cidadão que precisamos construir.

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