• Postado por Tiago

O Porto de Itajaí, fonte maior da nossa economia, está desabando. Depois dos prejuízos causados pelas enchentes de novembro do ano passado, destruindo os berços de atracação, o Porto está à mercê da boa vontade do governo federal, aguardando os milhões de reais prometidos. Segundo o Administrador do Porto, os gastos despendidos com viagens à Brasília para resolver os impasses da burocracia já poderiam pagar parte da recuperação de um dos berços destruídos. O dinheiro não é liberado, as promessas passam de um dia para o outro, a cada hora aparecem dificuldades. Ainda esta semana, a imprensa noticiou que uma comitiva com representantes do Porto, o presidente da Associação Empresarial e outros, acompanhou o Prefeito, mais uma vez, à Brasília, para pressionar o governo federal, dado à urgência da sua recuperação, uma vez que Itajaí está deixando de arrecadar a quantia de dez milhões por mês. Agora foi uma mudança técnica no projeto de reconstrução que deve paralisar as obras por mais dois meses. Só após a autorização do Tribunal de Contas da União será feita nova licitação para contratar uma empresa que se responsabilizará pelos trabalhos.

Quando o Presidente da República esteve em Itajaí há poucos dias, ficou surpreso ao saber que as obras não estavam prontas. Ele nunca sabe de nada. Na ocasião em que visitou a Cidade para verificar os prejuízos causados pela enchente, prometeu uma verba em caráter de urgência, e lá se vão mais de seis meses sem solução. Que urgência é essa? Sinto alguma coisa no ar para essa demora. Talvez um problema político, aguardando o tempo das próximas eleições, ou interesse em privatizar o Porto.

Enquanto isso, Itajaí vai perdendo suas chances de crescer, ficando na contramão do desenvolvimento. Diz a imprensa que a frustração foi tão grande, que o Prefeito Jandir Bellini chorou ao falar no assunto. Ele sente, como todos os itajaienses, os prejuízos que estão causando à economia da cidade, verificando o desemprego e as dificuldades que o comércio está enfrentando.

Às vezes, fico ponderando sobre os problemas que Itajaí enfrenta para dar a arrancada definitiva no seu desenvolvimento. Nesses momentos, lembro sempre de um texto do itajaiense Victor Márcio Konder, em que descreve a alma dos seus conterrâneos: “Não é a cidade mais populosa, nem o maior produtor industrial, nem mesmo o melhor porto. No entanto, o seu papel tem sido extraordinário, singular o lugar que ocupa na terra barriga-verde e no Vale do Itajaí. É difícil a exata missão de Itajaí, nesse complexo que é a vida econômico-social de uma região. Sua nunca desmentida vocação para o mar é um dos traços definitivos do seu caráter. A gente de Itajaí é modesta, excessivamente modesta. Dir-se-ia que os itajaienses descrêem de seus valores e como se apagam para não chamar atenção para os próprios méritos. Está sempre pronta a aceitar, quase humilde e não sem contentamento, os sucessos de outras terras. É estranho, mas ninguém pode falar em Santa Catarina sem mencionar Itajaí. Que cidade é essa? Que há de notável? Talvez pudéssemos falar no espírito de Itajaí. Sua personalidade marcante, onde nada se impõe ostensivamente, mas tudo grava indelével a alma dos que ali viveram ou ali tiveram o privilégio da nascer.”

Na verdade, quem nasceu em Itajaí sabe que, realmente, a modéstia é uma característica marcante da nossa gente, mas é preciso amadurecer e crer nos seus valores, chamar a atenção para os seus méritos, reivindicar o que merece. Vimos que muitos e bons projetos foram apresentados em favor do desenvolvimento da Cidade, mas só ficaram no papel. Senão, vejamos alguns: Um teleférico para levar os turistas até o Morro da Cruz; um parque que se denominaria Sodegaura, na esplanada da Fazenda, urbanizando toda aquela área com árvores nativas; o Museu Oceanográfico, na Praia da Atalaia; o Projeto Borda D’água, levando Itajaí a voltar seu olhar para a paisagem do rio que leva o seu nome; restauração do Patrimônio Cultural tombado, tudo isso para valorizar o nosso patrimônio e incrementar o turismo, fonte de riqueza econômica.

É preciso ousar e alardear suas potencialidades, dinamizar os trabalhos, perseguir suas metas e agir decididamente rumo ao progresso, tornando a Cidade um lugar invejável, ideal para se viver.

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