• Postado por Tiago

Às vezes eu recebo mensagens fazendo comparações com a natureza, com atitudes e sentimentos, que me levam a refletir sobre o comportamento das pessoas em relação à convivência com seus semelhantes e com a natureza.

A primeira mensagem, cujo título é “O vaso chinês defeituoso”, traz a história de uma senhora velhinha que possuía dois vasos com os quais costumava encher de água no rio e os trazia suspensos numa vara apoiados nas costas até sua casa. Um deles tinha uma rachadura e vazava de modo que chegava apenas com água pela metade. O vaso perfeito se sentia orgulhoso pelo resultado e o outro se entristecia por não conseguir o mesmo. A velhinha, sábia e previdente, fez o vaso observar que no caminho por onde ele passava havia muitas flores, resultado das sementes que ela espalhara e eram regadas pela água que passava pela rachadura. Assim, ela pôde colher belíssimas flores para enfeitar sua mesa. O vaso rachado se sentiu feliz por ser tão importante diante daquela delicadeza proporcionada pela velhinha. Nem sempre as pessoas percebem o bem proporcionado por alguém e enxergam só os defeitos que elas têm.

Outra mensagem, com o título “A Lagartixa” faz alusão à crítica. O conferencista se apresenta diante de grande plateia, trazendo um pequeno fardo do qual tirou vários objetos enfeitando a mesa com bela toalha de seda, flores frescas e perfumadas e preciosas pérolas. Em seguida, tirou um frasco de vidro contendo uma lagartixa e o colocou sobre a mesa. A plateia ficou intrigada com o que via. O conferencista perguntou o que eles estavam vendo. Muitos se manifestaram dizendo que viam um bicho horrível, uma larva, um pequeno monstro. Então ele começou a falar sobre a crítica. “Assim é o espírito da crítica destrutiva. Ninguém elogiou a bela toalha, as flores e outras preciosidades que estão enfeitando a mesa, mas não passou despercebida aos olhos da maioria a pequena lagartixa.” Estamos sempre olhando os defeitos das pessoas e menosprezando os seus valores e as coisas boas da vida.

Mas, a mensagem seguinte vem cheia de estímulos para viver a vida com o coração aberto, vibrando ao som de melodias que se espalham pelo ar e contagiam aqueles que nos rodeiam. Sob o título “As janelas da vida”, ela nos convida a abrir a janela do coração e arejar a alma levando os sonhos envelhecidos para bem longe, esquecendo as mágoas, as tristezas e as desilusões. Sugere limpar as vidraças dessa janela para ver melhor a vida lá fora, deixar o sol inundar de luz nossos sonhos, fazer desaparecer as tristezas e derreter o gelo da solidão. Olhar pela janela e ver as borboletas, os colibris e vagalumes voejando pelos jardins repletos de flores perfumadas. Debruçada sobre a janela da vida, esbanjar os sonhos, pois ninguém vive sem eles, as pessoas é que desistem de sonhar e eles acabam morrendo. Imagine um horizonte além da janela, exagere nas cores, veja alegria entre as folhagens, os campos floridos, o sol iluminando a terra, não deixe que nenhuma parede de incertezas aprisione o vento benfazejo impedindo o som da vida. Desvie o olhar das coisas tristes e infelizes, transforme em oásis a aridez do deserto das aflições. Liberte equívocos e culpas, regenere erros e falhas, distribua perdão, espalhe sementes de felicidades e deixe que elas contaminem toda a terra. Mostre nesta janela toda a alegria de viver, esperando uma carícia, um abraço, um sorriso daqueles que passam e se contagiam com o entusiasmo refletido na vidraça da vida.

São mensagens desse tipo que alimentam a alma, valorizam a vida e nos dão belas lições.

É importante valorizar o melhor de cada pessoa e de cada um de nós. Ser pleno em cada coisa ainda que pareça pequena valoriza o nosso viver e nos leva a sentir o prazer de estarmos contribuindo para conquistar os nossos sonhos. Abra a janela para a vida, não olhe a vida passar através dela, mas viva em plenitude.

Não olhe a rachadura daquele vaso, observe o serviço que ele presta. Não critique os erros de alguém, deixe de olhar as lagartixas e elogie a beleza das boas ações e atitudes das pessoas como se fossem as flores e as pérolas daquela mesa do conferencista. Seja pródigo com os seus semelhantes e sinta o prazer de viver e ser feliz.

Marlene Rothbarth

* pedagoga, escritora, membro fundador da Academia Itajaiense de Letras, ex-diretora do Museu Histórico de Itajaí

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