• Postado por Tiago

As ruas de uma cidade são caminhos da memória. Passeando por elas vamos descobrindo a história dos seus habitantes, do tempo em que viveram, suas raízes e seus descendentes. As casas e mansões identificam seus moradores com suas atividades, seus costumes e as tradições dos seus ancestrais.

Passeando pelas ruas descobrimos, pelas construções, quais são as mais antigas e as mais recentes, observando os detalhes da arquitetura que determinam o tempo em que foram concebidas. Assim, os espaços vão fazendo a história da cidade.

Itajaí, também, não foge deste destino, e foi construindo ruas bem traçadas e planas, de forma harmoniosa, contando sua história e fornecendo a estratégia de ocupação, que nos dá o perfil dos seus primeiros habitantes, aproveitando para morar ao longo do Rio Itajaí-Açu, fonte das suas atividades.

Por isso é que podemos identificar construções com mais de cem anos às margens do rio. Sem as ruas e as edificações preservadas não poderíamos constatar ou testemunhar o começo da cidade. Mas o tempo foi passando e as ruas foram se modificando, se modernizando, com novos prédios, ocupando os espaços vazios entre os antigos casarões, fruto da intervenção de arquitetos, propondo mudanças exigidas pelo passar dos anos. O importante é que seja resguardada a memória da cidade, harmonizando o novo com o antigo.

As novas gerações têm o direito de conhecer o passado, respeitá-lo e garantir sua permanente existência para preservar a sua história, ao mesmo tempo em que têm o dever de construir sua moradia dentro da arquitetura do seu tempo, promovendo mudanças necessárias e sensatas para garantir seu bem estar, sendo protagonistas da sua história e dando continuidade à história do lugar em que nasceram.

A revitalização de um espaço histórico não pode promover a demolição de um casarão que identifica um tempo de existência para substituí-lo por outro mais moderno e requintado, isto é considerado descaso para com o patrimônio da cidade.

A história de Itajaí ainda é muito recente, mas não podemos desprezar o pouco que temos, é preciso preservar o que está de pé, mesmo concebendo e aceitando o crescimento da cidade, os avanços tecnológicos, os resultados do progresso de hoje, que depois ficarão no passado constituindo mais uma parte desta mesma história. Vimos, há poucos meses, a demolição da bela residência construída por Chiquinho Queiroz, para dar lugar a um edifício, estruturas de tijolos que se foram e lembranças perenes que ficaram agredindo nossa sensibilidade.

Atualmente, estamos assistindo outra agressão ao patrimônio da Cidade e é preciso que sejam tomadas medidas urgentes para que não desapareça na poeira da demolição, a bela residência da Rua XV de Novembro, de Olympio Miranda Jr., construída no início do século XX, onde morou, na década de 80, seu Reynaldo Wanderhec e família.

Cada lugar tem sua história, seja um grande centro ou uma pequena cidade. Todos têm o direito de fazer a sua história, gravá-la na memória, conservar seu patrimônio para transmiti-lo aos descendentes, para que eles venerem seus ancestrais.

“Vamos valorizar o que ainda temos, por mínimo que seja para podermos sentir, amar e agradecer enquanto é tempo.”

O passado está em nossas mãos para preservá-lo e deixarmos de herança aos nossos filhos e netos, que passarão aos seus descendentes, dando continuidade à História de Itajaí.

Só podemos compreender nosso modo de viver no presente se olharmos o passado e garantir nosso porvir olhando mais adiante.

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