• Postado por Tiago

Já podeis, ó brasileiros, ver contente a mãe gentil! Houve mão mais poderosa e zombou deles uma Nação. A liberdade já raiou no horizonte deste imenso País.

Naquele dia sete de setembro de 1822, quando o príncipe D. Pedro viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro, recebeu correspondências das Cortes de Lisboa com decreto que anulava os poderes de D. Pedro I, e do Correio da Corte, trazendo cartas de José Bonifácio e de D. Leopoldina, que lhe dizia ser o momento de se fazer a independência .

Este acontecimento, teve como conseqüência a declaração formal de independência do Brasil. “É preciso acabar com isto!” A guarda forma. Há um alvoroço, e D. Pedro exclama: “Laços fora, soldados!” Caem, no mesmo instante, todos os laços portugueses. “Estamos definitivamente separados de Portugal”.

“Às margens plácidas do Ipiranga, ouviram o brado retumbante de um povo heróico”: “Independência ou morte!”.

O ideal de liberdade se consumava. “Em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte.” “Verás que um filho teu não foge à luta”.

Estava proclamada a independência do Brasil. Resplandece a nossa Pátria entre todas as Nações.

“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança a terra desce e a imagem do cruzeiro resplandece em teu formoso céu risonho e límpido.” “Este país tão grande e amado, terra de amor e promissão” é foi palco do grande acontecimento. Naquele momento, “Teus risonhos, lindos campos têm mais flores. Nossos bosques têm mais vida, nossa vida no teu seio mais amores”. “A flâmula verde louro, que ostentas estrelada, nos diz”: “paz no futuro e glória no passado.”

O governo português encerrou quatro séculos de monopólio comercial em terras brasileiras.

A luta pela independência vinha sendo planejada há muito tempo. Um dos movimentos mais importantes aconteceu na Inconfidência Mineira, que culminou com a morte de Tiradentes, portanto, 30 anos antes do gesto de D. Pedro I.

Vários grupos se formaram, cada um defendendo seus interesses. O “partido português” defendia o projeto recolonizador e o “partido brasileiro” e os liberais radicais eram contra. Para o “partido brasileiro” o ideal era a criação de uma monarquia dual, para preservar a autonomia administrativa e a liberdade de comércio. O representante mais notório do pensamento conservador foi José Bonifácio de Andrada e Silva. Os liberais radicais formavam um agrupamento potencialmente revolucionário e estavam mais próximos das camadas populares urbanas.

Deduz-se daí que a independência do Brasil foi mais um ato político com acirrada luta social, que interessava principalmente às elites. Os acontecimentos se precipitaram, num ambiente de manobras de bastidores, tentando afastar o príncipe da influência das cortes portuguesas e traze-lo para o lado dos libertadores.

E na falta de movimentos populares, de participação direta das massas neste processo, fez-se a independência praticamente à revelia do povo. O poder é todo absorvido pelas classes superiores, as únicas em contato direto com o Regente e sua política.

Entretanto, não foi fácil libertar-se de Portugal. O embaixador inglês, representante de Portugal, assinou o Tratado luso-brasileiro reconhecendo a nossa independência. O Brasil teve que pagar uma indenização de dois milhões de libras esterlinas e D. João VI obteve ainda o direito de usar o título de Imperador do Brasil, porém, sem qualquer direito sobre a antiga colônia.

O papel de D. Pedro foi apenas ocasional, e como Regente do Brasil pôde levar adiante os planos do Partido Brasileiro, facilitando as reivindicações nacionalistas.

O Brasil é dos brasileiros até hoje, porém continua sendo governado pelos grupos políticos em acirradas lutas para conquistar o poder, se aproveitando da falta de cidadania, da ignorância do povo, para usufruir das benesses dos seus cargos. Mesmo assim, “este Brasil tão grande e amado, é meu país idolatrado”, cheio de encantos mil, terra de fartura, de gente alegre e prazenteira, cheia de esperanças, orgulho dos seus filhos.

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