• Postado por Tiago

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Outro dia, eu passava pela rua Felipe Schmidt e me detive a olhar o prédio dos Correios e Telégrafos de Itajaí. Parei na calçada da panificadora Patiño para observar aquela construção que deve ter mais de cinquenta anos. De linhas sóbrias, com porta grande de duas folhas, vidros e grades de ferro, um terraço nas duas extremidades do pavimento superior, tem a inscrição no alto, entre os dois pisos: Correios e Telégrafos. O prédio foi a primeira sede própria deste órgão de comunicação em Itajaí. A planta previa, além das salas para atender os serviços burocráticos e o público, um apartamento para residência do agente no piso superior. Na frente do prédio foi construída uma calçada e plantadas duas árvores, que segundo contam, por um funcionário, o telegrafista, seu João Stuart.

Antes, o Correio ocupava uma sala na residência de Eduardo Dias de Miranda, então agente desse órgão, e ficava na rua Lauro Müller. O Telégrafo, órgão separado do Correio, funcionava em outra casa, também na rua Lauro Müller, defronte à atual Exatoria Estadual, na imediações do atual Arquivo Público de Itajaí. O agente dos telégrafos era Gervásio Vieira.

Quando o prédio foi inaugurado, Jaime Vieira era o agente e foi residir, ali, com sua mulher, D. Belinha. Muitas vezes ela ficava no terraço apreciando o movimento, que não era grande, mas a maioria das pessoas a conhecia e não deixava de dirigir-lhe uma palavra, que ela devolvia com simpatia e satisfação. Estava sempre bem arrumada, cabelos ajeitados e rosto maquiado, parecia pronta para sair de casa. Ao sair com seu marido aproveitava para usar suas joias, revelando um ar nobre e requintado.

Jaime, também, era um homem elegante e vaidoso, sempre de terno e gravata, exibia na lapela do paletó um cravo vermelho, marca da sua presença em qualquer ocasião. As pessoas que não o conheciam diziam para identificá-lo: “aquele homem do cravo na lapela”!

Inteligente, escrevia trovas, com frequência, que eram publicadas no jornal do Povo com o pseudônimo de Zé Fumaça, quando aproveitava para fazer críticas políticas e sociais. Além de integrado nas lides literárias e jornalísticas, participou de atividades políticas, elegendo-se vereador da câmara municipal de Itajaí, no quadriênio 1947/50.

Lembro, nesse tempo, do seu Aderbal Alegria, seu Antônio Dutra, seu Gabriel Collares, como funcionários dos Correios e Telégrafos.

Depois, Zenóbio Vieira, irmão de Jaime, o substituiu e passou a residir com a família, naquele prédio. D. Aninha e as filhas Yara e Moema eram vistas saindo do prédio para passear e fazer compras. Yara trabalhava na agência e ocupou o cargo de tesoureira por muito tempo.

Quando o prédio dos Correios e Telégrafos foi inaugurado, em 15 de novembro de 1943, esteve presente o interventor federal do estado, Dr. Nereu Ramos. O terreno localizado entre as ruas Felipe Schmidt, 15 de Julho (atual Gil Stein Ferreira) e travessa 24 de Maio (atual Dagoberto Nogueira), foi doado pela prefeitura, em 1940, no governo de Francisco Queiroz de Almeida.

Os Correios e Telégrafos se fundiram em 1931, dando origem ao departamento de Correios e Telégrafos – DCT, subordinado ao ministério da Viação e Obras.

Hoje, com o aumento da população, as atividades dos Correios e Telégrafos aumentaram e uma nova construção foi anexada ao prédio antigo, ocupando o terreno aos fundos, onde era a praça da Bandeira, há muito tempo descaracterizada e abandonada. Agora, todas as dependências são ocupadas para os serviços do órgão, deixando de ser residência do agente. Desse modo, a primeira sede oficial dos Correios e Telégrafos foi preservada nas suas características originais, e dentro em pouco poderá ser tombada pelo Patrimônio Histórico de Itajaí.

A fachada do prédio antigo, principalmente o terraço, está praticamente escondida atrás das duas velhas árvores que ostentam sua exuberante folhagem verde, testemunhas dos serviços prestados por este órgão público federal à população do município.

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