• Postado por Tiago

Mal desponta o dia, os passarinhos nas ramadas iniciam uma sinfonia, com seus trinados, irrequietos, anunciando a chegada de uma nova estação. O inverno frio e chuvoso deu seu adeus melancólico. Reclusa nas neblinas de agosto, a gestação da vida se finda para desabrochar na natureza. As sementes despertam de um sono, recolhidas no ventre da terra, e brotam vigorosas para encontrar o sol radiante que aquecerá suas folhas tenras e verdes. Delicadas melodias, que não ouvimos, devem acalentar, no seio da terra, o trabalho das raízes.

A primavera dá os primeiros sinais de vida exuberante, espalhando alegria nos campos e cidades, depois do branco e deserto inverno. Chega com tranqüilidade trazendo tranqüilidade. Chega de mansinho… Como quem não quer nada. Sob as luzes de setembro nascem brotos em profusão, cobrem-se os caminhos de flores, belos frutos se colhem, exalando novos perfumes. Se o outono é a estação dos poetas, da reflexão e recolhimento, a primavera é a estação do entusiasmo e da esperança.

A vida explode em cada canto com a profusão de flores de todos os matizes, colorindo praças, parques e jardins. Bosques verdejantes se tornam cor-de-rosa, amenizando os contrastes da vida. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares buscando o néctar das flores. Os colibris inquietos sobrevoam as flores num frenesi constante. Novas vozes de passarinhos começam a ensaiar um concerto musical. Os dias ficam mais longos e as noites vão encurtando.

Cecília Meirelles, grande poetiza, exalta a primavera dizendo: “… e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega…”

As árvores frondosas transmitem energia e segurança. Não é por acaso que há um dia especial para exaltá-las, exatamente quando inicia a primavera. O dia 21 de setembro, o Dia da Árvore, é um momento para refletir sobre a conservação da natureza e preservação das nossas matas. Plantando uma árvore ela nos dará sombra e alimento, limpará nosso ar e preservará o solo do planeta.

Alimentadas pelas raízes as plantinhas crescerão para formar as grandes florestas cobrindo vales e montanhas, protegendo as riquezas do solo. São as árvores as melhores amigas do homem e de todos os seres viventes. E o poeta se ajoelha aos pés do Criador para reverenciar o milagre da vida.

Muitos são os poetas que renderam seu culto de amor exaltando seus benefícios. Comparando a vida do homem à árvore, Olavo Bilac nos deixou o belo poema:

”Olha estas belas árvores, mais belas do que as árvores novas, mais amigas… E em seus galhos abrigam-se as cantigas. Tanto mais belas quanto mais antigas; Vencedoras da idade e das procelas… Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! Envelheçamos como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem”.

A árvore enfeita a terra com seus frutos e flores; purifica o ar que respiramos; protege os mananciais que jorram da terra; agasalha com sua sombra e alivia o calor quando move docemente seus ramos frondosos.

“Sendo beleza, é ao mesmo tempo salvaguarda da vida do homem. Não nos prejudica, o que seria suficiente para respeitá-la.” Ela é beleza emoldurando nossa morada, e ainda é confidente dos nossos dissabores e dos nossos sucessos, quando, debaixo de suas copas, recordamos o passado e projetamos o futuro para realizar nossos sonhos. É salvaguarda da vida fornecendo frutos e verduras enriquecendo nossa alimentação, produtos medicinais ou industriais; protegendo as fontes e rios, despoluindo a natureza. Destruindo uma árvore, estanca-se uma fonte de vida no planeta. A devastação das florestas transforma a terra num deserto estéril, os rios minguam, e os animais desaparecem.

A chegada da primavera, oferecendo exuberante beleza, é um apelo para os homens preservarem os dons da natureza, que se oferece para benefício do próprio homem.

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