• Postado por Tiago

A infância é o período das descobertas. As crianças começam a falar, a andar, a brincar, a se relacionar com outras crianças, inventando brincadeiras, expandindo suas energias e demonstrando sua inocência. É como a plantinha que vai crescendo, tomando corpo e seus ramos vão se elevando ao céu com folhas verdes, lustrosas e tenras. De repente, sua copa florida vai encantando o espaço e colorindo a terra, que festeja sua exuberância sem par. É como a criança que vai deixando a infância e começa o período da adolescência. Os brinquedos são deixados para trás e o adolescente vai despertando para as primeiras experiências afetivas, explodindo de entusiasmo pela vida, buscando com ansiedade o desconhecido, o corpo forte e a alma sensível. O espírito aventureiro vai transpondo obstáculos, a mente aguçada querendo aprender, tateando novos conhecimentos, acreditando nos seus próprios valores, buscando sua liberdade. É um tempo de inquietação, ainda não sabe o que quer, mas busca alguma coisa ainda não bem definida. Toma consciência do seu “eu”, da sua realidade e deseja ser doador de alguma forma, olhando para o outro. Quer fazer alguma coisa, ser útil, mostrar suas qualidades, sua força e seu carinho. É um desabrochar para servir. Apaixona-se por uma causa e luta por ela sem medir as conseqüências. Muitas vezes é preciso frear este entusiasmo, mas sua busca pela independência o impede de ouvir a voz da experiência. Forma grupo de amigos e eles se bastam. Enquanto vai conquistando seu espaço, seus olhos se encontram com alguém especial.

È tempo de namorar. Começa a sonhar, a tecer fantasias e seu mundo se restringe ao ser amado, ignorando tudo o que acontece além desta realidade. Em casa, no seu quarto e no silêncio da noite, multiplica-se a imagem do ser amado, rodopiando na parede num bailado diáfano até o sono tomar conta do seu corpo. Acorda-se pensando no seu amor, inquieta-se pensando onde encontra-lo novamente. O tempo vai passando e os encontros vão se tornando cada vez mais assíduos. Os dias são cheios de música e cores. O interesse pelos estudos vai desmoronando, a insubmissão a determinados costumes preocupam a família.

É um momento delicado e se faz necessário demonstrar compreensão e paciência com os adolescentes para que uma perfeita simbiose se estabeleça entre eles e os adultos. Sabendo conviver com as angústias, alegrias, aspirações e fantasias do adolescente, porque vivem momentos diferentes e pensam diferentes, os adultos terão nele aliado fervoroso e seguidor incondicional. Embora negue, o adolescente precisa de segurança, equilíbrio e tolerância. Inquieto, quer buscar o seu caminho, espelhar-se num modelo, ter um herói para se afirmar.

Mas, o tempo de namorar na adolescência é tão importante quanto o tempo de brincar na infância. Esse momento idílico entre dois adolescentes é o princípio de uma convivência que vai estabelecer comportamentos a dois, conhecimentos das diferenças, acomodação de costumes e valores entre eles, demonstrar confiança. Assim eles vão chegando à juventude com mais segurança, que vai lhes proporcionar alegrias, ultrapassando o tempo e o espaço, dando a sensação de perenidade, de continuidade. Cada um vai adentrando no seu mundo interno, no conhecimento de si mesmo, descobrindo seus próprios segredos, suas falhas e seus dotes, permitindo conhecer virtudes e defeitos do seu mundo sensível e mental, para depois conhecer o outro.

O tempo de namorar é a melhor fase do viver a dois, em qualquer idade, mas é na adolescência que o entusiasmo e o lirismo tocam com mais força o coração, com promessas de amor eterno, com ilusões de uma vida cheia de bons momentos, com sentimentos de alegrias e saudades. É o começo de um amor terno e delicado que vai aos poucos se definindo até se estabelecer uma convivência tranquila e segura.

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