• Postado por Tiago

Conhecer uma cidade histórica é preparar-se para entrar no passado e encontrar as raízes de uma população, seus costumes e seus casarios que denotam a origem dos que a habitaram.

A cidade de Paraty, de um passado longínquo, nos encanta primeiro pelas belezas naturais, rodeada pelo mar, montanhas da serra do Mar, com a presença de cachoeiras e do verde da Mata Atlântica, cortada pelo rio, e serve de moldura para este pequeno paraíso que hoje é tombado como “Patrimônio da Humanidade”.

Situada no litoral sul do Rio de Janeiro, é privilegiada pela sua localização, numa grande planície ao nível do mar.

Fundada no século XVII, mas visitada anteriormente, quando da passagem de Martin Afonso de Souza na sua primeira Missão Colonizadora, antigamente era reduto dos índios guaianás. Um grande terreno foi doado por Dona Maria Jacome de Mello, que pediu a construção da primeira igreja denominada Nª Sª dos Remédios.

Seu casario pintado em branco com janelas e portas em azul, suas igrejas com arquitetura do século XVII se estendem por todas as ruas calçadas com pedras irregulares que ainda resistem ao tempo.

Por ter sido preservada durante tanto tempo, foi declarada Patrimônio Histórico Nacional e desde a década de 70 se tornou um polo turístico de fama internacional, contando com serviços que qualificam os produtos e o atendimento.

Hoje Paraty garante turismo permanente, oferecendo hotéis, pousadas, traslado ao aeroporto, passeios de escuna a ilha e praias paradisíacas da região, a cachoeiras e trilhas ecológicas, guias turísticos e pontos de diversão na cidade que se tornam a principal fonte de renda do lugar.

Seu nome de origem tupi-guarani significa peixe de rio ou viveiro de peixes. Depois de um levante popular que derruba o jugo angrense, é plantado o pelourinho em praça pública simbolizando a autonomia do município. Mais tarde uma carta régia sacramenta a sua separação e passa a chamar-se Vila de Nª Sª dos Remédios de Paraty. Finalmente, D. Pedro II transforma a Vila em Cidade de Paraty.

No início do século XVII, pelo número de portas das casas, nota-se que a maioria servia de armazéns para receber as mercadorias que vinham em navios e atracavam no porto.

Quando a maré sobe, as ruas ficam alagadas, mas não tira o brilho da Cidade nem o orgulho dos paratienses, é mais um tópico que atrai pela singeleza e devaneio do lugar.

Um dos sobrados mais requintados é hoje a Casa da Cultura de Paraty, e um dos mais representativos da arquitetura civil do século XVIII.

Em Paraty, é visível a influência da maçonaria, principalmente na arquitetura civil e no arruamento do Centro Histórico onde três cunhais em cantaria formam, nas esquinas, um hipotético triângulo, símbolo expressivo da maçonaria. Na fachada de diversos sobrados, que se presume tenham sido habitados por maçons, encontram-se estampados alguns desses símbolos mais representativos: o esquadro, o compasso, a lua. Algumas peças no Plenário da Câmara Municipal comprovam a presença de maçons na história do legislativo.

Símbolo da religiosidade do povo são as igrejas em número expressivo, tendo em vista a pequena população. Igreja Nª Sª do Rosário e de São Benedito, construída pelos escravos; Igreja de Santa Rita, a mais antiga, fundada pelos escravos libertos; Igreja Matriz de Nª Sª dos Remédios, que realiza a procissão de traslado das imagens da igreja de Santa Rita; Igreja Nossa Senhora das Dores, construída pela aristocracia, localizada de frente para o mar, conhecida com Capelinha; Igreja Santa Cruz, construída em memória de um escravo que morreu afogado no rio Perequê-Açu, localizada às margens deste rio; Igreja de Nª Sª da Conceição, localizada em Paraty-Mirim. Os Passos da Paixão são pequenos altares embutidos nos prédios, fechados por grandes portões, que se abrem para as ruas, destinados exclusivamente à procissão do Encontro, na Semana Santa.

Enfim, a Cidade de Paraty é uma cidade que atrai pelas belezas naturais, pela preservação da cultura e pelo patrimônio histórico conservado.

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